Parábola tradicionalmente narrada por sacerdotes de Fion-máil antes da partida de peregrinos.
Havia três irmãos que nasceram numa casa erguida junto à estrada.
Desde pequenos, viam viajantes passarem diante de sua porta: mercadores carregando tecidos estrangeiros, soldados voltando de guerras distantes, estudiosos com mapas enrolados sob os braços e peregrinos que traziam nos olhos o cansaço de muitos caminhos.
Quando os três alcançaram a idade adulta, seu pai colocou sobre a mesa uma antiga lanterna de bronze.
— Esta lanterna pertenceu à minha mãe, e antes dela à mãe de minha mãe. Dizem que sua chama foi acesa no altar de Fion-máil. Não posso dividi-la entre vocês. Portanto, ficará com aquele que provar compreender melhor os caminhos.
Os irmãos perguntaram como deveriam fazê-lo.
O pai apontou para a estrada.
— Partam. Depois de um ano, retornem e contem o que aprenderam.
O irmão mais velho preparou provisões para muitos dias. Comprou mapas, conversou com mercadores e escolheu a estrada mais curta para a maior cidade de Eirval.
— Não desperdiçarei passos — declarou. — O melhor caminho é aquele que conduz diretamente ao destino.
O segundo irmão consultou guardas, camponeses e viajantes. Escolheu a estrada mais larga, patrulhada e cercada por hospedarias.
— Não arriscarei minha vida apenas para chegar antes — disse. — O melhor caminho é aquele que permite retornar.
O terceiro irmão permaneceu diante da porta.
Perguntou aos viajantes qual estrada deveria seguir. Recebeu tantas respostas quanto havia pessoas.
Um mercador recomendou o caminho dos portos. Um sacerdote indicou uma trilha nas colinas. Uma viúva aconselhou-o a não partir. Um velho cartógrafo afirmou que nenhum dos mapas da região estava atualizado.
Durante sete dias, o terceiro irmão permaneceu imóvel, tentando decidir qual conselho era o mais sábio.
Na oitava manhã, encontrou uma mulher coberta por um manto de viagem. Ela carregava apenas um cajado e uma lanterna apagada.
— Qual estrada devo seguir? — perguntou ele.
— Aonde pretende chegar?
O irmão olhou para os três caminhos diante da casa.
— Quero encontrar o caminho correto.
— Correto para quê?
Ele não soube responder.
A viajante sentou-se numa pedra e esperou.
O jovem explicou tudo que ouvira. Falou das cidades, dos portos, das montanhas, dos perigos e das hospedarias. Repetiu os conselhos dos mercadores, guardas, camponeses e sacerdotes.
— Sei muito sobre cada estrada — concluiu. — Mas quanto mais aprendo, menos consigo escolher.
A mulher ergueu a própria lanterna.
— Uma lanterna não ilumina toda a jornada. Ela mostra apenas o chão suficiente para que o próximo passo seja possível.
— E se o passo estiver errado?
— Então o caminho lhe ensinará algo que a estrada correta jamais poderia ensinar.
O jovem olhou novamente para as três direções.
A primeira levava à cidade. A segunda acompanhava o rio. A terceira era estreita, coberta por ervas e não aparecia em nenhum dos mapas que ele havia consultado.
— Ninguém recomendou aquela.
— Talvez ninguém a tenha percorrido.
O terceiro irmão tomou a lanterna de sua família e acendeu-a.
Escolheu a trilha esquecida.
Durante o primeiro mês, encontrou apenas pedras, lama e espinhos. No segundo, alcançou uma aldeia que nenhum de seus mapas registrava. Seus habitantes haviam perdido a ponte que os ligava às outras comunidades.
O jovem ajudou-os a reconstruí-la.
Aprendeu com eles uma maneira diferente de medir distâncias, baseada não em milhas, mas nos lugares onde um viajante encontraria água.
Quando voltou a caminhar, levou consigo um mapa novo.
Mais adiante, encontrou uma mulher ferida. Desviou-se da trilha para conduzi-la até sua família. Esse desvio consumiu quarenta dias, mas durante a viagem ela lhe ensinou uma língua que ele jamais ouvira.
Ao final de um ano, o terceiro irmão ainda estava longe de casa.
O mais velho retornou primeiro.
Entregou ao pai desenhos da grande cidade, listas de preços e uma descrição exata da estrada mais rápida.
— Não me perdi nenhuma vez.
O segundo voltou pouco depois.
Trouxe notícias das hospedarias, dos postos de guarda e das condições das pontes.
— Não enfrentei perigo algum que não pudesse evitar.
O pai ouviu ambos e esperou pelo terceiro.
Passou-se outro ano.
Depois mais um.
No quarto ano, o terceiro irmão finalmente surgiu na estrada. Suas roupas estavam gastas, sua lanterna amassada e sua mochila repleta de mapas escritos em diferentes línguas.
— Você falhou — disse o irmão mais velho. — O prazo era de um ano.
— Nem sequer conseguiu retornar pela mesma estrada — acrescentou o segundo.
O pai perguntou:
— O que aprendeu?
O terceiro colocou a lanterna sobre a mesa.
— Aprendi que a estrada mais curta leva apenas aonde já sabemos que queremos chegar. A mais segura nos devolve quase iguais ao que éramos. Mas alguns caminhos mudam enquanto os percorremos, e quando isso acontece precisamos aprender a mudar com eles.
O pai observou a lanterna.
Sua chama havia acendido outras centenas durante a viagem: em aldeias, pontes, hospedarias, casas de luto e acampamentos sob a chuva.
Então a entregou ao terceiro filho.
Os irmãos protestaram.
— Ele se atrasou!
— Ele se perdeu!
O pai respondeu:
— Não. Ele encontrou caminhos que ainda não existiam.
Desde então, os peregrinos de Fion-máil repetem:
“A lanterna não escolhe por nós. Mas se apaga diante daqueles que se recusam a caminhar.”