Bosque Velho é a terceira maior povoação do Principado De Feris, localizada a sudeste da Mata do Levante, às margens da Estrada Oriental.

Embora seja oficialmente classificada como vila, sua população, extensão territorial e importância econômica são superiores às de muitas cidades menores de Bravória. A denominação foi preservada desde os primeiros documentos ferianos, quando o assentamento ainda consistia em poucas fazendas e cabanas erguidas ao redor de uma antiga área de caça.

Bosque Velho é conhecido principalmente por sua agricultura, pela criação de animais e pelas comunidades de caçadores que exploram as matas próximas. Sua proximidade com as terras de Verdanha fez com que compartilhasse costumes, técnicas e elementos culturais com Verdamonte, especialmente no manejo das florestas, na arquearia e na valorização dos rastreadores.

Apesar dessas influências, seus habitantes consideram-se profundamente ferianos. Os símbolos da Dinastia Solgard, a memória de Hélior e a importância da Estrada Oriental ocupam posição central na identidade local.

História

Os primeiros registros de Bosque Velho remontam aos séculos iniciais do Principado de Feris.

Na época, a região era coberta por uma floresta muito mais extensa, conectada à atual Mata do Levante e às áreas arborizadas próximas à fronteira com Verdanha. Caçadores, lenhadores e pequenos agricultores passaram a utilizar uma clareira natural próxima à Estrada Oriental como ponto de descanso e troca de mercadorias.

O local ficou conhecido inicialmente como Pouso do Bosque Velho, nome dado em referência às árvores antigas que cercavam a clareira. Algumas delas já eram consideradas centenárias pelos primeiros habitantes da região.

Diferentemente de Vila Salgueiro, Bosque Velho não cresceu principalmente como ponto de apoio para grandes caravanas. Seu desenvolvimento esteve ligado à instalação de famílias que procuravam terras cultiváveis, áreas de pastagem e acesso aos recursos das florestas.

Ao longo dos séculos, a clareira original expandiu-se. Fazendas foram construídas ao redor do núcleo urbano, enquanto trilhas de caça e caminhos rurais passaram a conectar as propriedades mais distantes à Estrada Oriental.

A proximidade com Verdanha também favoreceu o intercâmbio entre caçadores, comerciantes e artesãos dos dois Estados. Técnicas verdanhas de conservação da mata, fabricação de arcos e rastreamento foram gradualmente incorporadas à cultura local.

Geografia

Bosque Velho ocupa uma região de campos, colinas suaves e pequenos bosques localizada a sudeste da Mata do Levante.

A Estrada Oriental atravessa a parte norte da vila, seguindo em direção às comunidades orientais de Feris e às rotas que se aproximam de Verdanha. A maior parte das construções encontra-se ao sul da estrada, enquanto fazendas, currais e plantações espalham-se pelas terras ao redor.

A região possui diversos riachos, utilizados para irrigação, criação de animais e funcionamento de pequenos moinhos.

As terras ao oeste são mais úmidas e arborizadas, sendo utilizadas principalmente por caçadores, coletores e criadores de porcos. Ao sul e ao leste predominam campos agrícolas, pomares e pastagens.

Um conjunto de árvores antigas conhecido simplesmente como Bosque Antigo permanece preservado próximo ao centro da vila. Embora não seja tão extenso quanto as matas que cercam Verdamonte, é considerado o coração simbólico do assentamento.

Administração

Bosque Velho é administrado por uma prefeitura subordinada à autoridade do príncipe de Feris.

A administração local é auxiliada pelo Conselho dos Campos, formado por representantes dos agricultores, caçadores, criadores de animais, comerciantes e artesãos da vila.

O Conselho indica candidatos à prefeitura, mas a confirmação do governante municipal depende da Coroa feriana. O mandato possui duração de seis anos e pode ser renovado.

A atual prefeita é Marta Loureiro, antiga caçadora e administradora de uma cooperativa agrícola.

Marta Loureiro

Marta nasceu em uma família de pequenos proprietários rurais e passou parte da juventude trabalhando como caçadora e guia nas áreas próximas à Mata do Levante.

Posteriormente, tornou-se responsável por uma associação de agricultores criada para organizar o transporte e a venda dos produtos locais. Sua atuação durante períodos de colheitas ruins e ataques de animais às fazendas aumentou sua popularidade entre os habitantes.

Como prefeita, Marta é conhecida por sua postura direta, prática e pouco cerimoniosa. Costuma visitar pessoalmente propriedades, postos de guarda e áreas afetadas por problemas, preferindo conversar com os moradores antes de receber relatórios formais.

Sua administração concentra-se em:

  • manutenção das estradas rurais;

  • proteção das plantações;

  • regulamentação da caça;

  • conservação dos bosques;

  • segurança da Estrada Oriental;

  • fortalecimento das cooperativas agrícolas;

  • construção de depósitos comunitários de grãos.

Marta possui boa relação com agricultores e caçadores, mas enfrenta resistência de grandes proprietários que consideram excessiva sua defesa das pequenas propriedades e das terras de uso coletivo.

Alguns membros da nobreza local também criticam sua proximidade com costumes verdanhos. A prefeita costuma responder que aprender com os vizinhos não torna ninguém menos feriano.

Uma frase frequentemente atribuída a ela afirma:

“A árvore não pergunta de que lado da fronteira cresce, mas quem vive sob sua sombra deve saber a qual terra pertence.”

Economia

A economia de Bosque Velho baseia-se principalmente na agricultura, na criação de animais e nos recursos obtidos nas florestas.

Entre seus principais produtos estão:

  • trigo, cevada e aveia;

  • legumes e raízes;

  • maçãs, peras e frutas silvestres;

  • leite, queijo e manteiga;

  • carne suína e carne de caça;

  • couro e peles;

  • mel e cera;

  • ervas medicinais;

  • madeira de manejo controlado;

  • arcos, flechas e instrumentos de caça.

Grande parte da produção é transportada pela Estrada Oriental até Porto Poente ou enviada para Vila Salgueiro, onde pode ser redistribuída para outras regiões do principado.

Bosque Velho também recebe mercadores vindos de Verdanha, principalmente interessados em grãos, animais e produtos agrícolas ferianos. Em troca, chegam ferramentas, madeira trabalhada, ervas e artigos produzidos pelos artesãos verdanhos.

A caça é permitida apenas em áreas e períodos definidos pelas autoridades locais. Famílias antigas possuem direitos tradicionais sobre determinadas regiões, mas esses privilégios são cada vez mais regulamentados pela prefeitura.

Organização da vila

Bosque Velho não possui muralhas completas. Sua defesa depende de uma paliçada parcial, de postos de vigilância e da rapidez com que os moradores conseguem se reunir em caso de perigo.

Algumas regiões são facilmente reconhecidas pela população.

Praça do Bosque

Centro administrativo e comercial da vila.

Ali se encontram a prefeitura, o salão do Conselho dos Campos, o principal templo, uma fonte pública e algumas das hospedarias mais antigas.

A praça é parcialmente cercada por árvores preservadas do bosque original, que fornecem sombra durante as feiras e reuniões públicas.

Mercado dos Campos

Grande mercado realizado próximo à Estrada Oriental.

Agricultores vendem grãos, frutas, vegetais, queijos, animais e ferramentas. Caçadores também comercializam carne, peles e produtos coletados nas matas.

Nos dias de maior movimento, mercadores de Porto Poente, Vila Salgueiro e Verdanha instalam barracas temporárias ao redor do mercado.

Rua dos Arqueiros

Área ocupada por fabricantes de arcos, flechas, cordas, facas e equipamentos de caça.

A influência verdanha é especialmente visível nesse setor. Muitos artesãos utilizam técnicas aprendidas com mestres vindos de Verdamonte, embora os desenhos e ornamentos frequentemente incluam símbolos de Feris e da Dinastia Solgard.

Pátio dos Rebanhos

Conjunto de currais, estábulos e áreas destinadas ao comércio de animais.

A região costuma ser barulhenta e movimentada, principalmente durante as feiras sazonais. Criadores vindos das propriedades mais distantes passam vários dias no local negociando gado, porcos, cabras e cavalos.

Caminho dos Caçadores

Trilha que parte do lado oeste da vila e segue em direção às áreas florestais.

Próximo à entrada encontram-se pequenas oficinas, depósitos, um posto da guarda e tavernas frequentadas por caçadores e guias.

Antes de partir para a mata, é costume que os grupos registrem seus nomes e o tempo previsto de ausência junto ao posto local.

Casas do Riacho

Área residencial construída ao redor de um dos principais cursos d’água da vila.

Ali vivem moleiros, lavadeiras, curtidores e famílias que utilizam a água em suas atividades. O cheiro das oficinas de couro tornou a região menos valorizada, embora ela permaneça economicamente importante.

Bosque Antigo

Área preservada próxima ao núcleo urbano.

A caça e a derrubada de árvores são proibidas dentro de seus limites. O bosque é utilizado para celebrações, cerimônias comunitárias e juramentos públicos.

Os moradores afirmam que algumas de suas árvores já existiam quando os primeiros ferianos chegaram à região.

Vida cotidiana

A vida cotidiana em Bosque Velho acompanha o ritmo das estações, das colheitas e das atividades de caça.

A maior parte dos habitantes desperta antes do amanhecer. Agricultores alimentam os animais, verificam cercas e seguem para os campos enquanto ainda há luz suave. Caçadores costumam partir ainda mais cedo, aproveitando as horas em que os animais estão mais ativos.

Durante os períodos de plantio e colheita, quase toda a comunidade participa do trabalho agrícola. Famílias auxiliam propriedades vizinhas, trocando dias de trabalho em vez de realizar pagamentos.

A Estrada Oriental mantém a vila conectada ao restante de Feris. Mensageiros, comerciantes, soldados e viajantes atravessam o assentamento diariamente, trazendo notícias de Porto Poente, Vila Salgueiro e das regiões próximas à fronteira.

Apesar dessa movimentação, Bosque Velho conserva um cotidiano mais rural e comunitário que as duas maiores cidades do principado. A maioria dos moradores conhece seus vizinhos e acompanha de perto casamentos, nascimentos, funerais e disputas entre famílias.

Trabalho

As profissões mais comuns estão relacionadas à agricultura, à criação de animais e à floresta.

Entre os habitantes encontram-se:

  • agricultores;

  • pastores;

  • criadores de animais;

  • caçadores;

  • rastreadores;

  • moleiros;

  • curtidores;

  • carpinteiros;

  • ferreiros;

  • fabricantes de arcos;

  • apicultores;

  • comerciantes;

  • guardas da estrada.

Muitas famílias exercem diferentes atividades ao longo do ano. Um agricultor pode caçar durante o inverno, enquanto caçadores auxiliam nas colheitas quando a atividade na mata diminui.

A posse de terras pequenas é comum, mas também existem propriedades maiores pertencentes a famílias nobres ou comerciantes de Porto Poente. Essas terras são trabalhadas por arrendatários e trabalhadores contratados.

Alimentação

A alimentação cotidiana é simples e abundante nos períodos de boa colheita.

Pães escuros, mingaus, queijos, raízes, vegetais, ovos e carne suína formam a base da dieta. A carne de caça é mais comum que em Porto Poente, especialmente cervos, lebres, aves e javalis.

Cogumelos, frutas silvestres, mel e ervas das florestas também são utilizados com frequência.

Um prato tradicional da vila é o ensopado do caçador, preparado com carne, raízes, cogumelos e cerveja escura. Cada família possui sua própria versão, e discussões sobre os ingredientes corretos são comuns durante festivais.

Bosque Velho também produz uma bebida fermentada feita com mel e frutas silvestres, conhecida como melado do bosque.

Moradia

As casas costumam ser construídas com madeira sobre fundações de pedra.

As residências rurais possuem celeiros, galinheiros, depósitos e áreas destinadas à secagem de alimentos. Dentro do núcleo urbano, muitas famílias mantêm oficinas ou pequenas lojas no mesmo terreno em que vivem.

A influência de Verdamonte pode ser percebida nos telhados inclinados, nos entalhes de animais e folhas e no uso de madeira escura nas fachadas.

Entretanto, símbolos solares, cores associadas aos Solgard e pequenos estandartes de Feris são comuns, especialmente em edifícios públicos e residências de famílias ligadas ao exército.

Educação e aprendizagem

A maioria das crianças aprende a trabalhar com seus familiares.

Jovens agricultores acompanham os pais nos campos, enquanto filhos de caçadores aprendem a reconhecer pegadas, ventos, plantas e comportamentos dos animais.

A vila mantém uma escola modesta próxima à Praça do Bosque. Nela são ensinadas leitura, escrita, aritmética e noções básicas da história de Feris.

Alguns instrutores também oferecem aulas de navegação terrestre, leitura de mapas e reconhecimento de trilhas. Embora Bosque Velho não possua tradição marítima significativa, os moradores valorizam a cartografia como parte da identidade feriana.

Jovens de famílias mais ricas podem ser enviados para estudar em Porto Poente. Muitos, contudo, retornam à vila depois de concluir sua formação.

Lazer

As tavernas, feiras e encontros comunitários representam os principais espaços de lazer.

Competições de arco são extremamente populares. Diferentemente dos torneios militares de Porto Poente, os eventos locais valorizam principalmente a precisão em alvos pequenos, móveis ou parcialmente ocultos.

Corridas a cavalo, concursos de cães de caça e demonstrações de rastreamento também ocorrem durante as festividades.

Músicos e contadores de histórias vindos de Verdanha são recebidos com frequência, assim como artistas ferianos que narram feitos da Dinastia Solgard, de Hugo Navegante e dos primeiros colonos do principado.

Festas e tradições

A principal celebração local é a Festa das Duas Folhas, realizada no início da colheita.

Durante o festival, duas grandes folhas são exibidas sobre a Praça do Bosque:

  • uma folha verde-escura, representando a tradição florestal compartilhada com Verdanha;

  • uma folha dourada, representando Feris e a herança dos Solgard.

A união dos símbolos expressa a identidade particular de Bosque Velho: uma comunidade moldada pela floresta, mas fiel ao principado.

Outra tradição ocorre antes do início da principal temporada de caça. Caçadores reúnem-se no Bosque Antigo, onde juram não matar além do necessário e devolver à comunidade parte daquilo que obtiverem.

Influência de Verdamonte

A proximidade com Verdamonte exerceu grande influência sobre a cultura de Bosque Velho.

Técnicas de arquearia, rastreamento, construção em madeira e preservação florestal chegaram à vila por meio de caçadores, famílias e comerciantes verdanhos.

Casamentos entre moradores dos dois Estados também são relativamente comuns nas regiões próximas à fronteira.

Alguns costumes locais, como a realização de juramentos diante de árvores antigas e a proibição de caçar em determinadas áreas, possuem paralelos claros com tradições de Verdanha.

Entretanto, os habitantes de Bosque Velho rejeitam a ideia de que sua vila seja apenas uma extensão cultural do reino vizinho.

A lealdade à Dinastia Solgard é amplamente demonstrada durante festas, cerimônias públicas e recrutamentos militares. Muitos jovens servem nas patrulhas da Estrada Oriental ou nas forças do Principado de Feris.

Uma resposta comum a viajantes que confundem os moradores com verdanhos é:

“Caçamos como eles, construímos como eles e conhecemos as mesmas árvores. Mas quando o estandarte sobe, nosso sol é o de Feris.”

Segurança

A guarda de Bosque Velho é relativamente pequena, mas recebe auxílio de caçadores e patrulheiros locais.

A principal função das forças locais é proteger:

  • a Estrada Oriental;

  • as fazendas mais afastadas;

  • os viajantes;

  • os rebanhos;

  • as áreas de caça regulamentadas.

Bandidos e ladrões de animais representam os problemas mais comuns. Ataques de feras também ocorrem, principalmente quando a expansão agrícola invade seus territórios.

Contrabandistas utilizam trilhas florestais para evitar postos de cobrança e inspeção. Alguns transportam apenas mercadorias sem pagar impostos, enquanto outros negociam produtos de caça proibida ou objetos roubados.

Marta Loureiro tem buscado aproximar a guarda oficial dos caçadores locais, mas a relação entre ambos nem sempre é tranquila. Alguns caçadores consideram excessivas as novas regulamentações, enquanto os guardas acusam certas famílias de proteger contrabandistas.

Relação com Porto Poente

Bosque Velho fornece alimentos, couro, madeira, animais e produtos florestais para Porto Poente.

Em troca, recebe ferramentas, objetos mágicos, produtos estrangeiros e acesso aos mercados marítimos.

A relação com a capital é menos competitiva que a existente entre Porto Poente e Vila Salgueiro. Ainda assim, os moradores reclamam da distância entre as decisões tomadas no Castelo de Solgard e a realidade das comunidades rurais.

Hélior XII é geralmente respeitado em Bosque Velho, principalmente por sua imagem de príncipe-cavaleiro e por sua atenção à segurança das estradas. Contudo, alguns agricultores consideram que a Coroa protege melhor as rotas comerciais que as propriedades menores.

Relação com Vila Salgueiro

Vila Salgueiro funciona como o principal centro de redistribuição dos produtos de Bosque Velho.

Carroças carregadas de grãos, queijo, couro e madeira seguem regularmente para a cidade, onde as mercadorias são vendidas ou enviadas para Porto Poente.

Existe uma rivalidade amistosa entre as duas comunidades. Os habitantes de Vila Salgueiro consideram Bosque Velho excessivamente rural e conservador, enquanto os moradores da vila dizem que Salgueiro se tornou tão preocupada com comércio que esqueceu suas próprias árvores.

Competições de arco, feiras agrícolas e disputas entre criadores de animais alimentam essa rivalidade.

Bosque Velho na atualidade

No ano 947 da Era Aureniana, Bosque Velho atravessa um período de crescimento moderado.

O aumento do tráfego pela Estrada Oriental criou novas oportunidades comerciais e atraiu famílias interessadas em terras agrícolas. Ao mesmo tempo, a expansão das propriedades pressiona os bosques e as áreas tradicionais de caça.

A administração de Marta Loureiro procura equilibrar os interesses de agricultores, caçadores, comerciantes e proprietários de terras. A criação de novas regras para a caça e o manejo florestal tornou-se um dos principais temas da política local.

Bosque Velho permanece uma comunidade situada entre diferentes identidades: floresta e campo, Feris e Verdanha, tradição e expansão.

Para seus habitantes, contudo, não há contradição.

Eles consideram que a vila pode preservar costumes compartilhados com seus vizinhos sem abandonar a lealdade ao principado que ajudaram a construir.