Verdamonte é a capital e maior cidade do Ducado de Verdanha, sede da Casa de Avelar e das principais instituições estabelecidas pela Carta das Clareiras.

Construída sobre colinas arborizadas no interior do ducado, a cidade desenvolveu-se ao redor de uma das primeiras comunidades organizadas por Alaric após a fragmentação de Teramar. Foi em Verdamonte que representantes dos assentamentos ocidentais reconheceram Avelar I como duque, no ano 103 da Era Aureniana, e onde posteriormente foi promulgada a primeira versão formal da Carta das Clareiras.

A cidade é conhecida por sua arquitetura de pedra e madeira, pelas árvores preservadas entre as ruas e pela forte presença de magistrados, guardiões, artesãos, estudiosos e representantes políticos vindos de todas as regiões de Verdanha.

Embora menos rica e cosmopolita que Porto Poente, Verdamonte possui grande influência sobre a política bravória. Leis relativas a rios, estradas, florestas e comércio são discutidas em seus salões, fazendo com que decisões tomadas na capital afetem desde os estaleiros de Porto Carvalho até as pequenas comunidades do interior.

Uma expressão comum no ducado afirma:

“Em Porto Carvalho, compra-se a madeira. Em Verdamonte, decide-se se ela pode ser cortada.”

Geografia

Verdamonte localiza-se sobre um conjunto de colinas no interior do território verdanho, cercado por florestas, pequenos vales agrícolas e cursos d’água que alimentam o Rio Freixo.

A parte mais antiga da cidade ocupa uma elevação conhecida como Monte Verde, de onde deriva seu nome atual. Os primeiros registros chamam o local de Clareira do Monte Verde, denominação posteriormente reduzida para Verdamonte.

O Monte Verde não é particularmente alto, mas possui encostas íngremes e uma posição naturalmente defensável. De seu ponto mais elevado é possível observar as copas das árvores, as estradas que se aproximam da capital e os telhados dos bairros mais baixos.

A cidade expandiu-se por diferentes níveis:

  • o núcleo político e histórico encontra-se no alto;

  • bairros residenciais e comerciais ocupam as encostas;

  • oficinas, moinhos, armazéns e comunidades mais pobres desenvolveram-se nas áreas próximas ao rio;

  • pequenas propriedades agrícolas cercam os limites urbanos;

  • bosques protegidos interrompem a expansão em diferentes pontos.

Essa disposição faz com que Verdamonte pareça menos uma única massa urbana e mais um conjunto de bairros conectados por pontes, escadarias, caminhos cobertos e ruas que atravessam áreas arborizadas.

História

A Primeira Clareira

A região ocupada por Verdamonte já era utilizada por caçadores e pequenos grupos humanos antes da chegada dos refugiados conduzidos por Alaric.

Segundo a tradição, o cavaleiro escolheu o local por possuir água, terras cultiváveis e uma elevação que permitia observar movimentos nas trilhas ao redor.

As primeiras construções consistiam em cabanas, depósitos e paliçadas erguidas em torno de uma clareira natural. A comunidade funcionava como ponto de encontro entre assentamentos menores, recebendo alimentos, mensagens e pessoas em busca de proteção.

Alaric não estabeleceu uma capital e não parece ter considerado Verdamonte superior às demais comunidades. Sua importância surgiu gradualmente, à medida que o local se tornou referência para reuniões e resolução de disputas.

Uma antiga árvore no centro da clareira, conhecida como Carvalho do Encontro, teria servido de ponto de reunião para Alaric, Avelar e os líderes das primeiras famílias.

A árvore original morreu séculos atrás. Parte de sua madeira foi preservada nos arquivos ducais, e uma descendente plantada no mesmo local ocupa atualmente o centro da Clareira Primeira.

Fundação do ducado

Após o desaparecimento de Alaric, Verdamonte tornou-se o principal ponto de reunião das comunidades ocidentais.

Foi ali que Avelar recebeu os títulos de Guardião dos Bosques e Protetor das Famílias do Oeste. Sua residência, inicialmente modesta, transformou-se no primeiro centro administrativo permanente da região.

No ano 103 E.A., representantes dos principais assentamentos reuniram-se na cidade e reconheceram Avelar como duque de Verdanha.

A cerimônia ocorreu ao ar livre, próxima ao Carvalho do Encontro, e não em um palácio. Esse acontecimento é considerado a origem da Investidura das Clareiras, ainda realizada em Verdamonte.

A elevação da comunidade à condição de capital não foi formalmente declarada naquele momento. Verdamonte simplesmente passou a abrigar os arquivos, a residência ducal e as reuniões entre as comunidades, consolidando sua posição ao longo das décadas seguintes.

A Crise dos Machados

Verdamonte teve papel central durante a Crise dos Machados, no terceiro século da Era Aureniana.

Quando concessões ducais de madeira provocaram resistência entre comunidades e patrulheiros, representantes de diferentes regiões ocuparam as praças da cidade e exigiram o reconhecimento formal de seus direitos tradicionais.

A crise produziu confrontos, bloqueios de estradas e meses de instabilidade política.

Em 289 E.A., as negociações realizadas em Verdamonte resultaram na primeira versão formal da Carta das Clareiras.

O salão onde parte das discussões ocorreu foi posteriormente incorporado à sede da Assembleia. Uma marca profunda em uma de suas portas é tradicionalmente atribuída ao machado de um representante rural que teria se recusado a entrar desarmado.

A autenticidade da história é discutida, mas a marca foi preservada.

Crescimento da capital

O desenvolvimento das instituições constitucionais transformou Verdamonte em centro de administração, direito e educação.

Magistrados, escribas, comerciantes, artesãos e representantes regionais passaram a residir na cidade. Novas ruas foram abertas, pontes foram construídas e antigos caminhos tornaram-se bairros permanentes.

A expansão raramente ocorreu de forma regular. Bosques protegidos, terrenos íngremes e direitos comunitários impediram o crescimento contínuo, fazendo com que a cidade se desenvolvesse ao redor de áreas que não poderiam ser ocupadas.

Essa característica permanece visível na atualidade. Uma rua movimentada pode terminar diante de árvores protegidas, obrigando viajantes a contornar um bosque por caminhos muito mais antigos que os edifícios ao redor.

Organização urbana

Verdamonte não possui muralhas completas.

Sua defesa baseia-se nas colinas, em fortificações menores, nos postos das estradas e na proximidade das patrulhas florestais. Algumas áreas antigas conservam muros e portões, mas eles delimitam instituições ou bairros, não toda a cidade.

As construções utilizam principalmente pedra nas fundações e madeira nos andares superiores. Telhados inclinados são comuns devido às chuvas, enquanto passarelas cobertas ligam edifícios públicos em algumas das regiões mais elevadas.

Árvores antigas são frequentemente incorporadas a praças, pátios e jardins. Cortar uma árvore protegida dentro da capital exige autorização municipal e parecer do Conselho dos Guardiões.

A preservação desses espaços contribui para a aparência característica de Verdamonte, mas também limita terrenos disponíveis para construção.

Governo ducal

Verdamonte é a sede da monarquia constitucional verdanha.

A cidade abriga:

A atual duquesa, Leonor IV de Avelar, reside na capital com parte da família ducal.

Seu filho e herdeiro, Duarte Avelar, também mantém residência em Verdamonte, embora viaje frequentemente para Entre-Rios, Porto Carvalho e outras regiões do ducado.

A administração cotidiana do Estado é conduzida pela chanceler Catarina Freixo, que precisa conservar o apoio da Assembleia.

A concentração das instituições faz com que Verdamonte receba representantes de todo o ducado. Durante votações importantes, a população temporária cresce significativamente com a chegada de delegações, assessores, peticionários, jornalistas, comerciantes e manifestantes.

Governo municipal

A capital possui administração própria, separada do governo ducal.

O município é governado por uma prefeitura e pelo Conselho de Verdamonte, cujos representantes são escolhidos pelos diferentes bairros e comunidades situadas nos arredores da cidade.

A prefeitura é responsável por:

  • manutenção das ruas e pontes;

  • abastecimento de água;

  • mercados;

  • coleta de resíduos;

  • segurança municipal;

  • prevenção de incêndios;

  • licenças de construção;

  • habitação;

  • escolas locais;

  • administração dos bosques urbanos.

A atual prefeita é Inês Carvalhal, antiga mestra de obras públicas e representante do bairro do Rio Freixo.

Inês Carvalhal

Inês nasceu em uma família de carpinteiros e trabalhou durante anos na manutenção de pontes, canais e estruturas públicas.

Tornou-se conhecida após coordenar a reconstrução de dois bairros atingidos por enchentes. Seu projeto combinou novas fundações de pedra, canais de drenagem e a preservação de árvores cujas raízes ajudavam a estabilizar o solo.

Foi eleita prefeita com apoio de artesãos, trabalhadores municipais e parte das pequenas corporações comerciais.

Inês é considerada prática, direta e menos interessada em debates ideológicos que muitos políticos da capital. Sua administração concentra-se em problemas urbanos imediatos:

  • falta de moradias;

  • congestionamento das estradas;

  • risco de incêndios;

  • enchentes nos bairros baixos;

  • manutenção das pontes;

  • crescimento de construções irregulares;

  • pressão sobre o cinturão de bosques.

Politicamente, ocupa uma posição intermediária entre Leonor IV de Avelar e Duarte Avelar.

Concorda com Duarte que a cidade precisa expandir-se e construir novas vias, mas rejeita projetos que tratem os bosques urbanos como terrenos vazios.

Uma frase frequentemente atribuída à prefeita afirma:

“Uma árvore no mapa parece um obstáculo. Uma árvore segurando uma encosta é parte da rua.”

Principais regiões

Alto das Clareiras

O Alto das Clareiras ocupa a parte mais elevada do Monte Verde e constitui o centro político do ducado.

Ali se encontram a residência ducal, a Assembleia das Clareiras, o Tribunal da Carta, os principais arquivos e edifícios administrativos.

O acesso é público durante o dia, mas determinadas áreas próximas à residência da Casa de Avelar são controladas pela Guarda Ducal.

As construções são predominantemente de pedra clara, com vigas escuras, telhados verdes e pátios arborizados.

Clareira Primeira

A região mais antiga de Verdamonte.

Seu centro é ocupado pelo descendente do Carvalho do Encontro, cercado por uma praça circular utilizada para cerimônias, reuniões públicas e celebrações.

Próximo à árvore encontra-se o Arco Vazio, monumento formado por um grande arco de pedra sem corda, dedicado a Alaric e ao desaparecimento de Longínqua.

Nenhuma representação do cavaleiro ocupa o centro do monumento. A ausência simboliza tanto seu desaparecimento quanto a crença de que sua memória pertence a todas as comunidades, e não apenas à Casa de Avelar.

Mercado das Sete Trilhas

Principal centro comercial da capital.

Recebe esse nome porque sete antigos caminhos convergiam nas proximidades da praça. Alguns foram transformados em ruas, enquanto outros permanecem como trilhas estreitas atravessando os bosques urbanos.

O mercado vende alimentos, ferramentas, tecidos, ervas, livros, móveis, objetos de madeira e produtos vindos de todas as regiões de Verdanha.

Durante sessões importantes da Assembleia, também se torna centro de discursos, distribuição de panfletos e debates políticos.

Colina dos Escribas

Bairro ocupado por escolas, arquivos, escritórios jurídicos, copiadores, livreiros e residências de magistrados.

Ali funciona o Colégio das Clareiras, principal instituição de formação de juristas, funcionários públicos e estudiosos da história constitucional verdanha.

A produção de papel, tinta, livros e mapas torna o bairro economicamente importante, embora incêndios representem uma preocupação constante.

Bairro dos Arcos

Região tradicional de armeiros, entalhadores, fabricantes de arcos, flecheiros e artesãos especializados em madeira.

A influência simbólica de Alaric é especialmente forte no bairro, mas seus artesãos evitam produzir cópias exatas de Longínqua. Representar a arma perdida como objeto comum é considerado desrespeitoso.

Competições de arquearia e testes de equipamentos ocorrem em campos localizados nas extremidades do bairro.

Pátios do Freixo

Área situada próxima ao rio e ocupada por moinhos, armazéns, barqueiros, curtidores e oficinas que dependem de água.

É uma das regiões mais barulhentas da cidade durante o dia.

Mercadorias chegam em pequenas embarcações e são transferidas para carroças destinadas ao Mercado das Sete Trilhas ou às estradas que seguem para outras cidades.

A proximidade do rio também torna o bairro vulnerável a enchentes.

Ponte Velha

Bairro construído ao redor da mais antiga travessia permanente sobre o Rio Freixo.

Hospedarias, tavernas, estábulos e casas de comerciantes ocupam suas ruas. Viajantes vindos de Entre-Rios costumam entrar na cidade por essa região.

A ponte original foi substituída diversas vezes, mas cada reconstrução preservou parte das pedras anteriores.

Oficinas do Carvalho

Região de carpintarias, marcenarias, fabricantes de móveis e pequenas oficinas de construção.

Grande parte da madeira utilizada é trazida de Cedral e de áreas de manejo regulamentado.

Os artesãos locais são conhecidos pela produção de móveis duráveis, painéis entalhados e estruturas capazes de serem desmontadas e transportadas.

Baixada das Raízes

A Baixada das Raízes é uma das regiões mais pobres de Verdamonte.

Desenvolveu-se em terrenos úmidos próximos ao rio, onde trabalhadores, migrantes e famílias sem propriedades construíram residências menores.

O nome deriva das grandes raízes que surgem entre ruas, casas e canais. Algumas ajudam a estabilizar o solo, enquanto outras danificam fundações e passagens.

A prefeitura realiza obras periódicas de drenagem, mas enchentes, umidade e superlotação continuam sendo problemas comuns.

A região não possui a mesma estigmatização da Favela do Corvo em Porto Poente, embora seus moradores enfrentem preconceito por parte das áreas mais ricas da capital.

Caminho Novo

O Caminho Novo é a principal área de expansão recente de Verdamonte.

O bairro cresceu ao redor de uma estrada ampliada por projetos apoiados por Duarte Avelar. Abriga novas moradias, depósitos, oficinas e estabelecimentos comerciais.

Seus habitantes são majoritariamente jovens trabalhadores, artesãos e famílias vindas de outras partes do ducado.

O bairro tornou-se um dos centros de apoio ao Bloco dos Caminhos e à proposta da Emenda dos Caminhos Abertos.

Preservacionistas afirmam que sua expansão ameaça bosques próximos. Moradores respondem que a cidade não pode proteger árvores ignorando a necessidade de casas.

Círculo dos Guardiões

Região arborizada onde se encontram a sede do Conselho dos Guardiões, jardins de estudo, viveiros, depósitos de sementes e alojamentos de patrulheiros.

O acesso a parte do bairro é restrito por razões de pesquisa ou preservação.

Além das funções políticas, o local forma especialistas em manejo, conservação de águas, identificação de doenças vegetais e recuperação de áreas danificadas.

Economia

A economia de Verdamonte baseia-se principalmente na administração, no artesanato e na transformação de produtos vindos do interior.

Entre suas principais atividades estão:

  • administração pública;

  • serviços jurídicos;

  • produção de papel;

  • cópia e impressão de livros;

  • carpintaria;

  • fabricação de móveis;

  • produção de arcos;

  • processamento de ervas e resinas;

  • comércio regional;

  • construção;

  • educação;

  • hospedagem;

  • transporte fluvial.

A cidade não é grande produtora de madeira bruta. A maior parte chega de áreas regulamentadas e é transformada em produtos de maior valor.

Essa característica é frequentemente apresentada como exemplo da política econômica defendida por Leonor IV: utilizar os recursos da floresta sem depender exclusivamente de sua extração.

Verdamonte também recebe alimentos dos vales e comunidades agrícolas próximas. Grãos, frutas, queijos, carne, mel e vegetais abastecem seus mercados.

Vida cotidiana

A rotina de Verdamonte é influenciada pelas atividades políticas e pelo ritmo das instituições.

Nas primeiras horas da manhã, barqueiros descarregam mercadorias, padeiros abrem suas lojas e funcionários começam a subir as ruas em direção ao Alto das Clareiras.

Os sinos da Assembleia anunciam o início das sessões. Em dias de votação importante, grupos ocupam as praças desde cedo, distribuindo textos, realizando discursos e tentando convencer representantes.

A política é assunto cotidiano nas tavernas, mercados e oficinas. Mesmo habitantes sem participação direta nas instituições acompanham debates sobre estradas, concessões, impostos e proteção florestal.

As tardes são marcadas pelo movimento de estudantes, aprendizes e mensageiros entre a Colina dos Escribas, os edifícios públicos e os bairros comerciais.

Ao anoitecer, as áreas elevadas tornam-se silenciosas mais rapidamente, enquanto tavernas da Ponte Velha e do Mercado das Sete Trilhas permanecem movimentadas.

Trabalho

Muitos habitantes da capital trabalham para o governo ou para atividades que dependem dele.

São comuns:

  • escribas;

  • magistrados;

  • advogados;

  • funcionários administrativos;

  • mensageiros;

  • guardas;

  • professores;

  • fabricantes de papel;

  • carpinteiros;

  • barqueiros;

  • comerciantes;

  • construtores;

  • jardineiros;

  • patrulheiros;

  • hospedadores.

O grande número de instituições cria oportunidades, mas também torna a cidade dependente do orçamento ducal.

Períodos de redução de gastos afetam funcionários, fornecedores, tavernas e proprietários de quartos alugados.

Aprendizados profissionais são comuns. Jovens trabalham durante anos com artesãos antes de receber autorização para estabelecer suas próprias oficinas.

Moradia

As residências variam significativamente conforme o bairro.

Nas regiões mais antigas, casas de madeira escura erguem-se sobre bases de pedra. Muitas possuem dois ou três andares, jardins pequenos e telhados inclinados.

Famílias ricas vivem nas colinas próximas ao centro político, em propriedades cercadas por pátios e árvores protegidas.

Nos bairros de trabalhadores, várias famílias podem ocupar o mesmo edifício. Oficinas geralmente funcionam no piso térreo, enquanto os proprietários e aprendizes vivem nos andares superiores.

A falta de terrenos disponíveis elevou o custo das moradias, especialmente nas regiões próximas ao Alto das Clareiras.

O crescimento vertical é limitado pelo risco de incêndios e pela resistência das fundações de madeira. Por isso, a pressão por novos bairros tornou-se um dos principais argumentos dos apoiadores de Duarte.

Alimentação

A culinária de Verdamonte combina produtos dos vales, rios e florestas.

São comuns:

  • pães escuros;

  • queijos;

  • peixes de rio;

  • carne de porco;

  • carne de caça;

  • cogumelos;

  • raízes;

  • maçãs;

  • peras;

  • mel;

  • ervas;

  • sopas espessas;

  • tortas salgadas.

Um prato tradicional é a panela das sete trilhas, ensopado preparado com diferentes ingredientes trazidos ao mercado. Sua composição varia conforme a estação e a disponibilidade.

A cidade também produz sidras, cervejas de ervas e bebidas fermentadas com mel.

Funcionários e estudantes costumam frequentar pequenas casas de refeição próximas aos edifícios públicos, onde pratos simples são servidos rapidamente durante os intervalos das sessões.

Educação

Verdamonte é o principal centro jurídico e administrativo de Verdanha.

Além do Colégio das Clareiras, a cidade possui escolas comunitárias, centros de aprendizado profissional e instituições dedicadas à história, botânica, cartografia e manejo florestal.

A formação jurídica possui prestígio especial. Famílias de todo o ducado enviam filhos para estudar na capital e tentar ingressar nos tribunais ou na administração.

O acesso à educação, contudo, permanece desigual.

Crianças de famílias pobres frequentemente deixam os estudos cedo para trabalhar. A prefeitura e o governo de Leonor mantêm bolsas e programas de aprendizado, mas a demanda é superior aos recursos disponíveis.

Cultura

A cultura de Verdamonte valoriza o debate, a memória histórica e a capacidade de argumentação.

Discursos públicos são comuns, especialmente durante períodos eleitorais ou constitucionais. Alguns habitantes assistem às sessões abertas da Assembleia como forma de entretenimento.

A cidade também possui teatros, salões de música, casas de leitura e espaços utilizados por contadores de histórias.

Narrativas sobre Alaric, Avelar I e o desaparecimento de Longínqua ocupam posição central na tradição local.

Entretanto, a Casa de Avelar evita apresentar Alaric como propriedade exclusiva da dinastia. Monumentos públicos geralmente o representam acompanhado por refugiados ou caminhando entre árvores, não sentado em trono.

Festas e tradições

A principal celebração da capital é o Dia das Primeiras Clareiras, realizado no aniversário tradicional da fundação do ducado.

Representantes de cidades e vilas reúnem-se ao redor do Carvalho do Encontro. Partes do Pacto das Primeiras Clareiras são lidas publicamente, seguidas por feiras, apresentações e competições de arco.

Outra tradição importante é a Noite do Arco Vazio.

Durante a cerimônia, lanternas são colocadas ao redor do monumento dedicado a Longínqua. Nenhuma tentativa é feita de representar onde a arma se encontra.

Ao final da noite, um arco sem corda é carregado até o Alto das Clareiras, recordando que a autoridade da Casa de Avelar não depende da posse da arma de Alaric.

Religião

Verdamonte abriga templos de diversas tradições bravórias, incluindo comunidades ligadas à Sé Sagrada.

A Carta das Clareiras garante liberdade de culto, e nenhuma religião possui controle formal sobre o governo.

Práticas locais frequentemente combinam religiões organizadas com costumes associados à floresta, às fontes e aos antepassados.

Pequenas fitas, moedas, flores ou pedaços de pão são deixados próximos a árvores antigas, especialmente antes de viagens.

A memória de Alaric possui dimensão quase sagrada para parte da população, mas ele não é oficialmente reconhecido como divindade.

Segurança

A segurança da capital é dividida entre a Guarda de Verdamonte, subordinada à prefeitura, e a Guarda Ducal, responsável pela proteção das instituições e da Casa de Avelar.

Patrulheiros do Conselho dos Guardiões atuam nas áreas arborizadas e nos caminhos externos.

Os crimes mais comuns incluem:

  • furtos;

  • fraudes;

  • falsificação de documentos;

  • contrabando de madeira;

  • disputas entre trabalhadores;

  • corrupção administrativa;

  • invasão de áreas protegidas.

Crimes políticos são tratados com atenção especial devido à presença das instituições ducais.

Durante grandes manifestações, a Guarda Municipal procura separar grupos rivais sem impedir reuniões autorizadas. Confrontos, contudo, tornaram-se mais frequentes com o crescimento da disputa entre preservacionistas e desenvolvimentistas.

Desigualdade social

Verdamonte possui divisões sociais menos rígidas que Porto Poente, mas está longe de ser igualitária.

Magistrados, grandes comerciantes e membros da nobreza vivem nas colinas mais altas, próximos às instituições e longe das enchentes.

Trabalhadores, migrantes e famílias pobres concentram-se nos bairros baixos, onde moradias são menores e serviços públicos menos confiáveis.

A própria geografia da cidade tornou-se símbolo dessa desigualdade.

Uma expressão crítica afirma:

“Todos falam sob a mesma Carta, mas alguns precisam subir a montanha para serem ouvidos.”

Leonor IV apoia programas de habitação e drenagem, mas enfrenta limites orçamentários e resistência de proprietários.

Duarte utiliza a falta de moradias como argumento para ampliar novas áreas urbanas, enquanto seus opositores temem que a expansão favoreça principalmente construtores e especuladores.

Verdamonte na política atual

A cidade é o principal palco do conflito entre Leonor IV de Avelar e Duarte Avelar.

A duquesa possui forte apoio entre guardiões, juristas, comunidades tradicionais e parte dos pequenos artesãos.

Duarte encontra maior apoio entre trabalhadores jovens, construtores, comerciantes, habitantes do Caminho Novo e pessoas frustradas com a lentidão das instituições.

A proposta da Emenda dos Caminhos Abertos domina os debates da Assembleia, das tavernas e dos mercados.

Cartazes favoráveis à emenda mostram estradas atravessando florestas em direção a cidades iluminadas. Seus opositores utilizam imagens de machados projetando sombras sobre casas e rios.

Apesar da tensão, ambos os grupos ainda afirmam defender a Carta das Clareiras.

A disputa não é sobre abandonar a identidade verdanha, mas sobre definir o que essa identidade exige no presente.

Verdamonte na atualidade

No ano 947 da Era Aureniana, Verdamonte atravessa um período de crescimento e incerteza.

A população aumenta, as instituições atraem habitantes de todas as regiões e a cidade precisa de novas moradias, estradas e serviços.

Ao mesmo tempo, cada expansão ameaça bosques, cursos d’água ou direitos antigos que ajudaram a moldar a capital.

Verdamonte é frequentemente apresentada como a síntese de Verdanha.

É uma cidade construída com madeira que teme cortar árvores demais. Uma capital governada por uma dinastia que reconhece não possuir o território. Um centro político no qual quase toda decisão importante começa com a lembrança de que nenhuma autoridade deveria decidir sozinha.

Suas ruas, escadarias e pontes permanecem cheias de magistrados, artesãos, patrulheiros, comerciantes e cidadãos discutindo o futuro.

Em Verdamonte, essa discussão não é considerada sinal de fraqueza.

É a forma pela qual a cidade acredita continuar existindo.