Longínqua

O Arco do Horizonte

Longínqua é o arco sagrado empunhado por Alaric, o Certeiro, durante as Guerras Aurenianas e os primeiros anos de Valdória. A arma tornou-se símbolo de precisão, exploração e da capacidade de enxergar um caminho onde os demais viam apenas distância.

A tradição costuma dizer que Longínqua jamais erra. A afirmação é incompleta. O arco não escolhe o alvo correto: ele alcança com perfeição aquilo que o portador decidiu verdadeiramente atingir.

Aparência

Longínqua é um arco alto, formado por madeira escura atravessada por veios claros semelhantes a mapas de rios. Suas extremidades apresentam pequenas peças de metal prateado e sua corda parece fina demais para suportar a tensão descrita nos relatos.

Quando desperto, um brilho percorre os veios da madeira e a corda se torna quase invisível. O horizonte observado através do arco parece aproximar-se, permitindo ao portador distinguir detalhes a distâncias impossíveis.

As flechas de Alaric eram comuns. O poder pertencia ao arco, não à munição.

Origem

Os registros mais antigos já mostram Alaric carregando Longínqua. Nenhum texto confiável identifica seu criador.

Tradições de Verdanha afirmam que o arco foi feito a partir de uma árvore que crescia no ponto mais ocidental de Teramar, onde o último raio de Titania tocava a terra. Outras versões dizem que Alaric o encontrou depois de seguir durante sete dias uma estrada inexistente nos mapas.

O alvo verdadeiro

Longínqua responde à intenção consolidada. Quando o portador prepara um disparo, o arco revela linhas possíveis entre ele e aquilo que deseja alcançar. Distância, vento, movimento e obstáculos tornam-se problemas que a arma pode resolver.

Se a intenção for vaga, contraditória ou enganosa, o arco permanece apenas uma arma excepcional. O portador não pode pensar num objeto enquanto deseja atingir outro. Longínqua reconhece a escolha real, não as palavras utilizadas para disfarçá-la.

Esse princípio torna a arma poderosa e perigosa. Ela reduz o risco de erro físico, mas não corrige erro moral.

Manifestações

Relatos atribuem a Longínqua as seguintes capacidades:

  • atingir alvos muito além do alcance visual comum;
  • contornar obstáculos por trajetórias impossíveis;
  • atravessar névoa, escuridão e ocultação mágica;
  • marcar uma criatura ou lugar para que disparos posteriores encontrem o caminho;
  • permitir ao portador observar por alguns instantes a região atingida;
  • disparar uma flecha de luz quando nenhuma munição está disponível.

Em sua manifestação mais poderosa, o arco pode fazer uma flecha atravessar fronteiras mágicas, grandes distâncias ou passagens entre lugares que normalmente não se tocam. O esforço, contudo, exaure o portador e pode quebrar a flecha antes que ela complete o retorno de qualquer magia associada.

Alaric

Durante as Guerras Aurenianas, Longínqua serviu tanto à batalha quanto ao reconhecimento. Alaric utilizava disparos para enviar sinais, fixar cordas em locais inacessíveis e alcançar mecanismos de fortalezas sem colocar soldados em risco.

Na Guerra de Sucessão, o arco protegeu rotas de evacuação. Diversos relatos descrevem perseguidores derrubados por flechas vindas de posições que não poderiam ser alcançadas a tempo.

Após a queda de Valdória, Alaric levou Longínqua às florestas ocidentais. A arma aparece nos primeiros relatos sobre as comunidades que dariam origem a Verdanha.

O último disparo

O corpo de Alaric e Longínqua nunca foram recuperados. Uma tradição afirma que, ao perceber a aproximação da morte, ele disparou sua última flecha para além do horizonte. A flecha não teria caído: continuaria percorrendo o mundo até encontrar a ameaça para a qual foi destinada.

Outra versão diz que o próprio Alaric seguiu o caminho aberto pelo disparo e desapareceu na floresta.

Verdanha não afirma possuir a relíquia. A ausência é parte de seu legado.

Paradeiro

Longínqua é considerada perdida, embora esse termo seja rejeitado em muitas clareiras verdanhenses. Segundo a tradição, o arco só reaparecerá quando houver uma ameaça que nenhum caminho conhecido consiga alcançar e nenhum Estado possa enfrentar sozinho.

“Longínqua não está perdida. Está esperando.”