Valéria Thalios é a atual Grande Magistrada da República de Marávia. Eleita pelo Conselho dos Quinhentos em 944 E.A., conduz a política republicana durante um período de prosperidade financeira, tensão social e expansão ultramarina.

Aos 48 anos em 947 E.A., Valéria é uma das figuras tieflings mais influentes de Dravória. Construiu reputação investigando fraudes e financiando estaleiros, mas pertence a uma das famílias que mais se beneficiaram do crescimento bancário. Essa dualidade define seu governo: ela conhece os mecanismos do poder financeiro porque fez carreira dentro deles.

CampoInformação
Nome completoValéria Thalios
Nascimento899 E.A., em Porto Marávio
TítuloGrande Magistrada da República de Marávia
Idade em 947 E.A.48 anos
PovoTiefling
FamíliaCasa Thalios de Porto Marávio
PaiMalakor Thalios, falecido
IrmãoCassian Thalios
Chanceler da BolsaDarius Vane
Comandante navalAlmirante Cassian Morvane
Residência oficialPalácio do Astrolábio, em Porto Marávio
Início do mandato944 E.A.
Fim previsto do mandato949 E.A.

Família e formação

Valéria nasceu em uma família de armadores e financistas tieflings cujas raízes remontam às casas vindas de Iskara. Os Thalios enriqueceram combinando construção naval, seguros e participação em expedições. Nunca possuíram título de nobreza, mas sua rede de crédito abriu portas comparáveis às de qualquer casa aristocrática estrangeira.

Seu pai, Malakor, ensinou-lhe contabilidade mercantil antes da adolescência. Valéria também estudou cartografia, direito marítimo e economia política. Ao contrário de muitos herdeiros bancários, passou parte da formação nos cais, acompanhando inspeções de carga e ouvindo capitães justificar perdas.

Ela aprendeu cedo que os números de um livro podem ocultar escolhas humanas. Uma carga “perdida” pode significar tempestade, roubo, contrabando ou fraude; uma dívida “inadimplente” pode nascer de imprudência ou de um contrato criado para nunca ser pago.


Carreira na Bolsa Marítima

Valéria trabalhou por mais de quinze anos no Cais das Trocas, primeiro como inspetora e depois como tesoureira-chefe. Tornou-se conhecida ao desmontar um esquema de seguros no qual proprietários declaravam cargas inexistentes e subornavam tripulações para abandonar navios antigos.

Também estruturou fundos coletivos para modernizar estaleiros menores. A medida ampliou a frota mercante e lhe rendeu apoio de artesãos, mas permitiu que bancos adquirissem participação em oficinas endividadas. Críticos afirmam que Valéria combate fraude sem questionar a concentração econômica que os próprios instrumentos legais produzem.

Durante a reconstrução posterior à Guerra dos Ducados, negociou crédito para Kar-Durann e contratos de transporte com Gharavaz. Marávia lucrou com a reabertura das rotas, e Valéria consolidou-se como figura capaz de conversar com os dois lados sem prometer neutralidade moral.


Eleição de 944 E.A.

Valéria foi eleita pelo Conselho dos Quinhentos para mandato de cinco anos. Sua coalizão reuniu bancos de origem iskariana, parte dos estaleiros, representantes ultramarinos e conselheiros que temiam crise naval. A Liga dos Bairros Livres apoiou-a no segundo turno após receber promessas de fiscalização trabalhista e investimento contra enchentes.

A eleição foi legal e competitiva, mas cara. Adversários apontaram doações indiretas de companhias ligadas aos Thalios. Nenhuma irregularidade decisiva foi provada. Valéria respondeu publicando parte das contas da campanha, sem revelar todos os financiadores — compromisso que satisfez poucos.

Seu discurso de posse evitou a linguagem triunfalista dos armadores:

“A República não é livre apenas porque não possui coroa. É livre quando nenhuma fortuna pode comprar a lei e nenhuma maioria pode negar voz a quem mantém seus portos vivos.”


Governo

Valéria reduziu tarifas sobre matérias-primas de Kar-Durann, ampliou contratos agrícolas com Gharavaz e reforçou patrulhas da Armada Marávia. Nomeou Darius Vane Chanceler da Bolsa por sua experiência administrativa, não como garantia automática de transparência. Cabe ao chanceler provar essa transparência por inspeções, registros e prestação de contas.

Entre as principais medidas do mandato estão:

  • revisão de licenças de bancos e seguradoras;
  • exigência de reservas mínimas para letras bancárias;
  • expansão de docas e patrulhas nos Faróis Exteriores;
  • financiamento de muros de maré e bombas em bairros vulneráveis;
  • tratados de abastecimento com Gharavaz;
  • renegociação de crédito de reconstrução com Kar-Durann;
  • investigação de companhias acusadas de abusos em Nova Marávia.

As reformas financeiras conquistaram pequenos investidores e irritaram casas bancárias. Já as obras urbanas avançam de forma desigual: ilhas centrais receberam proteção primeiro, oferecendo à oposição prova de que a promessa de prioridade aos bairros populares não foi plenamente cumprida.


República, riqueza e poder

Valéria rejeita a descrição oficial de Marávia como oligarquia, pois assentos são eleitos e cidadania não depende de sangue. Em privado, reconhece que garantias financeiras, controle de imprensa e redes de crédito restringem quem consegue concorrer.

Sua proposta mais controversa é reduzir a garantia exigida de candidatos apoiados por determinado número de cidadãos. Bancos temem demagogos insolventes; a Liga dos Bairros Livres acusa os bancos de temer apenas concorrência. Valéria ainda não conseguiu votos suficientes para aprovar a mudança.

Ela se recusa a defender igualdade meramente formal. Ao mesmo tempo, não pretende desmontar as instituições financeiras que sustentam a Armada e o comércio. Seu projeto é regular concentração sem destruir crédito — equilíbrio que pode revelar-se impossível.


Nova Marávia e a questão ultramarina

Valéria apoia a presença comercial maraviense em Iskara, mas distingue feitorias pactuadas de domínio territorial. Relatórios sobre guardas privados, dívidas coercitivas e terras adquiridas por companhias em Nova Marávia levaram-na a propor inspetores independentes e representação local ampliada.

O Partido do Horizonte afirma que essas regras enfraquecem a República diante de rivais. Representantes iskarianos respondem que Marávia não pode celebrar liberdade em casa e permitir coerção além-mar. A origem iskariana dos Thalios torna o tema pessoal: aliados esperam que Valéria proteja a comunidade; adversários de ambos os lados questionam a quem ela considera sua primeira responsabilidade.


A crise dos comboios

Ataques recentes além dos Faróis Exteriores elevaram seguros e pressionaram a Armada. O almirante Cassian Morvane acredita que os corsários recebem informação de dentro de Porto Marávio. Valéria autorizou investigação conjunta entre patrulha, Bolsa e inteligência naval.

A operação ameaça direitos civis. Armadores querem buscas rápidas em armazéns; conselheiros populares exigem mandados e supervisão. Valéria teme tanto uma rede organizada de pirataria quanto usar a ameaça para criar poderes que um futuro magistrado possa abusar.


Círculo político e pessoal

  • Darius Vane: Chanceler da Bolsa e principal administrador financeiro. Compartilha o compromisso com estabilidade, mas é mais próximo dos grandes armadores que Valéria gostaria de admitir.
  • Almirante Cassian Morvane: comandante da Armada. Defende resposta rápida aos ataques e considera parte do Conselho excessivamente sensível ao custo político da segurança.
  • Cassian Thalios: irmão de Valéria e gestor dos estaleiros familiares. Não é seu herdeiro político, pois a Magistratura é eletiva. Seus contratos com o governo criam suspeitas constantes de conflito de interesse.
  • Kaelen Vey: parceira nos acordos de grão. Valéria respeita seu rigor jurídico e tenta evitar que crédito maraviense pareça tutela sobre Gharavaz.
  • Thorgan III Martelo-Negro: parceiro comercial cauteloso. Ambos negociam bem porque não confundem respeito com confiança.
  • Afonso VI Malverne: rival diplomático em temas de escolta, tarifas e influência regional.

Relação com Cassian Thalios

Valéria e o irmão possuem afeto real e interesses difíceis de separar. Cassian administra os estaleiros que formam parte importante da fortuna familiar. Ele acredita que contratos públicos com os Thalios são legítimos quando oferecem melhor preço e qualidade; Valéria sabe que mesmo um acordo correto pode corroer confiança pública.

Ela transferiu seus ativos pessoais para uma administração independente durante o mandato e se afasta formalmente de votações diretamente ligadas à família. A oposição argumenta que redes de influência não desaparecem com documentos. Cassian, ressentido, considera que a irmã pune a própria casa para provar uma imparcialidade que adversários jamais reconhecerão.


Personalidade e hábitos

Valéria é serena, observadora e raramente responde antes de identificar quem se beneficia de uma proposta. Em reuniões, faz anotações curtas e pede que previsões econômicas sejam apresentadas com pior e melhor cenário. Desconfia de certezas absolutas.

Sua diplomacia usa incentivos e pressão financeira, mas ela não acredita que ouro substitua toda força. Considera a Armada essencial justamente para que contratos não dependam da boa vontade de piratas ou rivais.

Inicia o dia com preços do grão, relatórios de maré e movimentação de crédito. Duas vezes por semana recebe pequenos correntistas e trabalhadores afetados por decisões bancárias, audiência criada para evitar que números agregados apaguem casos concretos. Assessores às vezes filtram participantes demais, problema que Valéria ainda não resolveu.

Mantém mapas estelares no gabinete e marca neles não apenas rotas lucrativas, mas naufrágios conhecidos. Sua máxima é:

“Crédito é confiança transformada em promessa. Quando esquecemos a confiança e negociamos apenas a promessa, a dívida já começou a apodrecer.”


Objetivos em 947 E.A.

Antes do fim do mandato, em 949 E.A., Valéria pretende:

  1. identificar quem organiza os ataques aos comboios;
  2. aprovar reservas obrigatórias para grandes emissores de letras bancárias;
  3. estabelecer fiscalização republicana sobre companhias ultramarinas;
  4. ampliar a participação eleitoral sem provocar uma fuga de crédito;
  5. separar de forma convincente seu governo dos interesses da Casa Thalios.

Ela ainda não declarou se buscará apoio para um novo mandato, caso a lei e o Conselho o permitam. Quase toda decisão já é interpretada como campanha ou preparação de sucessor, dificultando medidas que exijam sacrifício imediato.


Interpretação

Valéria deve ser apresentada como uma reformista interna ao sistema, não como inimiga da riqueza nem defensora automática dos bancos. Ela acredita que Marávia precisa de finanças poderosas e teme o poder político que acompanha essa necessidade. É genuinamente comprometida com a República, mas sua própria família prova que mérito e privilégio podem coexistir.

Em cena, tende a:

  • perguntar quem assume o risco e quem recebe o lucro;
  • preferir acordos verificáveis a demonstrações de amizade;
  • tratar informação como recurso estratégico;
  • demonstrar paciência com ignorância honesta e pouca tolerância com fraude sofisticada;
  • oferecer oportunidades, mas exigir garantias proporcionais.

Em 947 E.A., Valéria é o rosto da prosperidade maraviense e de sua contradição central: uma República pode abolir a nobreza sem impedir que a riqueza construa seus próprios tronos.