Constança de Aramonte
Constança de Aramonte foi a última herdeira direta reconhecida da antiga Casa de Aramonte e uma das pretendentes da Guerra da Coroa Partida. Desapareceu em 762 E.A., durante a tomada da capital pelas forças de Henrique I de Valtorre.
Seu direito, seu destino e a possível sobrevivência de sua linhagem continuam entre as questões políticas mais sensíveis do Grão-Ducado de Aramonte.
Origem
Constança nasceu em 735 E.A., filha de Afonso XII de Aramonte e Madalena Salgueiral. Pelo pai, descendia da antiga dinastia associada a Rowan. Pela mãe, pertencia a uma família halfling enriquecida pelo comércio fluvial e elevada recentemente à nobreza.
Foi educada para participar do governo, embora o Princípio do Filho Varão impedisse mulheres de suceder diretamente à Coroa.
Posições políticas
Constança defendia:
- maior representação das cidades;
- ampliação do acesso à administração pública;
- reconhecimento de famílias recentemente elevadas;
- reforma dos tribunais nobiliárquicos;
- maior autonomia para Auramar;
- aplicação rigorosa da Carta das Quatro Margens.
Essas posições aproximaram-na de guildas, magistrados, comunidades urbanas e nobres reformistas. Também fizeram dela alvo de grandes proprietários e casas tradicionais.
Sua ascendência halfling foi utilizada em campanhas de difamação. Adversários afirmavam que a família Salgueiral comprara a Coroa e pretendia substituir tradição por contratos mercantis.
O Ato de Continuidade
Afonso XII não possuía filho homem sobrevivente. Para garantir a sucessão, promulgou o Ato de Continuidade, reconhecendo Constança como herdeira e declarando que a descendência direta deveria possuir precedência sobre o costume masculino.
Os partidários do Ato afirmavam que o Princípio do Filho Varão era tradição dinástica, não lei irrevogável. Seus opositores sustentavam que nenhum soberano poderia alterar sozinho a regra que legitimara a Casa durante séculos.
Guerra da Coroa Partida
Após a morte de Afonso, em 754, Constança foi proclamada grã-duquesa por seus apoiadores. A oposição reconheceu Otávio de Aramonte, parente masculino da antiga Casa.
Constança recebeu apoio de cidades, Auramar, guildas, famílias reformistas, comunidades halflings e parte das casas anãs. Seus inimigos controlavam grandes propriedades, fortalezas e setores importantes do exército.
Depois da morte de Otávio, em 758, Henrique de Valtorre assumiu o comando político e militar da facção adversária.
Desaparecimento
Em 762, as forças de Henrique tomaram Aramonte. Constança desapareceu durante os últimos dias da guerra. Nenhum corpo foi apresentado publicamente de maneira incontestável.
Também desapareceram membros de sua guarda, servidores ligados à família materna, documentos, joias e o machado Vigília.
A ausência de provas permitiu que o Conselho dos Pares declarasse extinta a antiga Casa e reconhecesse Henrique como grão-duque. Também impediu que a questão fosse encerrada na memória popular.
Memória
Para a historiografia oficial da Casa Valtorre, Constança foi uma pretendente derrotada numa guerra civil e sua linhagem terminou durante a queda da capital.
Legitimistas descrevem-na como soberana legal, vítima de preconceito e de uma aristocracia incapaz de aceitar reforma. Rumores afirmam que ela escapou, teve descendentes ou confiou Vigília a seus protetores.
Nenhuma genealogia foi reconhecida pelos tribunais. Ainda assim, o governo acompanha famílias, documentos e histórias associadas a seu desaparecimento.
Constança continua representando uma pergunta que Aramonte nunca resolveu: uma tradição existe para preservar o Estado ou o Estado existe para preservar a tradição?