Lourenço II de Valtorre é o atual grão-duque de Aramonte, soberano da Casa Valtorre e Senhor das Quatro Margens. Governa o Grão-Ducado desde 919 da Era Aureniana.

Nascido em 612 E.A., Lourenço possui 335 anos e é o governante mais velho de que se tem registro não apenas na história de Aramonte, mas entre todos os Estados de Bravória. Sua longevidade permitiu-lhe testemunhar acontecimentos que, para a maioria dos habitantes do Grão-Ducado, pertencem a um passado remoto. Viveu sob a antiga Casa de Aramonte, acompanhou a Guerra da Coroa Partida, conheceu os primeiros governantes Valtorre e assistiu à independência de Auramar.

Seu governo é associado à restauração de pontes, estradas e canais, à ampliação de Porto Valtorre e à tentativa de reduzir a dependência econômica de Aramonte em relação à Liga Mercantil de Auramar.

Lourenço é considerado um administrador paciente, experiente e extremamente difícil de pressionar. Seus opositores, contudo, acusam-no de centralizar decisões, manipular as divisões da nobreza e utilizar a estabilidade do Estado como justificativa para preservar seu próprio controle.

A idade avançada do soberano transformou sua sucessão numa das principais preocupações políticas de Aramonte. Lourenço possui sete filhos homens e três filhas. Embora o Estatuto do Filho Varão estabeleça claramente que o primogênito deve herdar o Grão-Ducado, cada um dos sete filhos considera possuir melhores condições de governar que os demais.

A disputa ainda não assumiu a forma de uma crise sucessória declarada. Ainda assim, cada filho construiu sua própria rede de aliados entre a nobreza, as cidades, as forças armadas e as instituições do Estado.

Uma frase corrente na corte afirma:

“Aramonte possui um grão-duque e sete futuros soberanos.”


Informações gerais

Nome completo: Lourenço Valtorre
Título: Lourenço II, Grão-Duque de Aramonte, Guardião dos Caminhos Centrais e Senhor das Quatro Margens
Povo: anão
Nascimento: 612 E.A.
Idade: 335 anos
Início do reinado: 919 E.A.
Dinastia: Casa Valtorre
Consorte: Madalena de Ferrovale
Herdeiro oficial: Martim de Valtorre
Residência: Paço das Quatro Margens
Distinção: governante mais velho já registrado entre todos os Estados de Bravória
Epítetos favoráveis: Restaurador das Margens; Duque das Pontes
Apelidos críticos: Mercador Coroado; Velho da Bengala de Ferro


Origem

Lourenço nasceu quando a antiga Casa de Aramonte ainda governava o Grão-Ducado.

Naquele período, os Valtorre eram uma casa anã de tradição militar associada à defesa de fortalezas, pontes e estradas. Possuíam prestígio considerável, mas ainda não ocupavam a Coroa.

Lourenço pertencia a um ramo secundário da família e não foi criado como herdeiro de um trono. Sua educação concentrou-se em:

  • administração territorial;
  • engenharia de estradas;
  • logística militar;
  • direito nobiliárquico;
  • tributação;
  • diplomacia;
  • gestão de fortalezas.

A posição relativamente distante da sucessão permitiu-lhe receber uma formação mais prática que cerimonial. Enquanto outros membros da família eram preparados para comandar exércitos ou representar a Casa na corte, Lourenço passou décadas supervisionando obras, registros e cadeias de abastecimento.

Seus primeiros cargos foram exercidos ainda sob os últimos soberanos da Casa de Aramonte.


A antiga dinastia

Lourenço conheceu pessoalmente integrantes da dinastia fundada por Rowan.

A extensão dessas relações é motivo de debate. Registros da corte indicam que esteve presente em cerimônias conduzidas por Afonso XII de Aramonte, embora fosse jovem para os padrões anões e ocupasse posição política modesta.

Também existem relatos de que conheceu Constança de Aramonte antes da guerra civil. Nenhuma fonte preservada descreve uma relação próxima entre ambos.

Lourenço raramente comenta publicamente suas memórias desse período.

Quando questionado sobre a antiga dinastia, costuma afirmar:

“Conheci pessoas, não lendas. O tempo transforma governantes em símbolos porque símbolos são mais fáceis de julgar.”

Seus críticos interpretam o silêncio como desconforto. Outros acreditam que o grão-duque evita oferecer qualquer testemunho que possa fortalecer os legitimistas da Casa de Aramonte.


A Guerra da Coroa Partida

Quando a Guerra da Coroa Partida começou, em 754 E.A., Lourenço possuía 142 anos.

Não era um dos principais comandantes da Casa Valtorre, mas já ocupava funções administrativas e militares. Durante o conflito, atuou principalmente na manutenção de fortalezas, no transporte de provisões e na proteção de estradas controladas por sua família.

Os registros atribuem-lhe participação em:

  • organização de comboios;
  • reparo emergencial de pontes;
  • distribuição de alimentos;
  • evacuação de comunidades;
  • supervisão de guarnições;
  • negociação com propriedades rurais.

Lourenço serviu ao lado dos partidários de Henrique I de Valtorre, mas não é lembrado como um dos principais responsáveis pela tomada de Aramonte.

Anos depois, descreveu a guerra como:

“Uma vitória da qual todos os vencedores passaram o restante da vida tentando justificar o preço.”

A frase é frequentemente utilizada por estudiosos que consideram Lourenço menos comprometido com a narrativa oficial da Casa Valtorre que seus predecessores.

Isso não significa que questione publicamente a legitimidade da própria dinastia. Lourenço sustenta que a vitória militar, o reconhecimento do Conselho dos Pares de Aramonte e quase dois séculos de continuidade estabeleceram o direito dos Valtorre ao governo.


Serviço à Coroa

Lourenço serviu a diferentes soberanos da Casa Valtorre durante mais de um século e meio.

Entre os cargos que ocupou encontram-se:

  • inspetor das estradas ducais;
  • comandante de uma fortaleza regional;
  • administrador das obras de confluência;
  • representante da Coroa em Porto Valtorre;
  • conselheiro do Tesouro;
  • emissário junto a Auramar;
  • membro do Conselho dos Pares;
  • Guardião das Pontes Centrais.

Sua reputação foi construída menos por grandes feitos militares e mais pela capacidade de solucionar problemas administrativos prolongados.

Lourenço tornou-se conhecido por assumir projetos abandonados por outros administradores. Quando recebia o controle de uma estrada, fortaleza ou repartição, começava examinando registros, dívidas e responsabilidades acumuladas.

O método era considerado lento, mas produzia resultados duradouros.

Foi durante esse período que desenvolveu sua principal convicção política:

Um Estado não desmorona quando perde uma batalha, mas quando deixa de cumprir as pequenas obrigações que mantêm suas partes unidas.


Ascensão ao Grão-Ducado

Lourenço não ocupava originalmente uma posição imediata na sucessão.

Mortes, renúncias e a extinção de ramos masculinos mais próximos da família fizeram com que avançasse gradualmente na linha definida pelo Estatuto do Filho Varão.

Quando assumiu o Grão-Ducado, em 919 E.A., já possuía 307 anos.

Sua idade e experiência foram apresentadas como garantias de estabilidade. Lourenço havia servido sob diferentes soberanos, conhecia as famílias do Conselho dos Pares e possuía longa experiência com as cidades.

Ao subir ao trono, encontrou um Estado marcado por:

  • estradas deterioradas;
  • pontes envelhecidas;
  • portos pouco competitivos;
  • dívida crescente;
  • disputas entre casas nobres;
  • dependência do crédito auramarino;
  • pressão urbana por maior representação;
  • perda de importância marítima.

Em seu primeiro discurso diante do Conselho dos Pares, declarou:

“Uma ponte preservada apenas por respeito à sua idade acaba ruindo sobre aqueles que a atravessam.”

A frase foi interpretada como anúncio de reformas. Também foi recebida por parte da nobreza como ameaça às instituições tradicionais.


Governo

O governo de Lourenço combina reformas administrativas com forte centralização.

Ele não deseja abolir a ordem nobiliárquica nem reduzir formalmente a autoridade da Casa Valtorre. Acredita, porém, que a nobreza deve justificar seus privilégios por meio de serviço, competência e contribuição ao Estado.

Essa posição provoca atritos com as casas que consideram a antiguidade de seu título suficiente para garantir influência.

Lourenço procura fortalecer Aramonte por meio de:

  • profissionalização da administração;
  • recuperação das estradas;
  • ampliação das receitas;
  • fortalecimento de Porto Valtorre;
  • diversificação dos credores;
  • aproximação controlada com Aetheryon;
  • redução da autonomia de famílias nobres endividadas.

Seu objetivo declarado é preparar o Grão-Ducado para sobreviver ao próximo século sem depender inteiramente de Auramar.


Programa das Pontes Renovadas

O Programa das Pontes Renovadas é a iniciativa mais popular do reinado.

A medida financiou:

  • reconstrução de pontes;
  • limpeza de canais;
  • ampliação de estradas;
  • recuperação de postos de viagem;
  • substituição de travessias de madeira;
  • instalação de novos marcos;
  • reforço de muralhas fluviais.

A iniciativa recebeu apoio de casas anãs e gnomos ligadas à engenharia, além de comerciantes interessados em melhorar o transporte.

Os opositores acusam Lourenço de utilizar as obras para favorecer famílias leais à Coroa.

Ainda assim, mesmo seus críticos reconhecem que a circulação pelo centro de Aramonte melhorou consideravelmente desde o início de seu governo.

Foi esse programa que lhe rendeu o epíteto de Duque das Pontes.


Cadastro das Quatro Margens

O Cadastro das Quatro Margens foi uma ampla revisão das propriedades, impostos e obrigações territoriais do Grão-Ducado.

Durante séculos, diversas famílias nobres utilizaram registros imprecisos para:

  • ocultar propriedades;
  • reduzir tributos;
  • evitar obrigações militares;
  • ampliar limites territoriais;
  • contestar direitos comunitários.

Lourenço ordenou que terras e concessões fossem novamente medidas e registradas.

A medida aumentou as receitas da Coroa, mas provocou grande resistência no Conselho dos Pares.

Algumas casas acusaram o soberano de violar direitos ancestrais. Lourenço respondeu que nenhum direito poderia ser considerado ancestral quando ninguém era capaz de demonstrar onde começava ou terminava.


Colégio de Administradores

Lourenço criou o Colégio de Administradores das Quatro Margens, responsável pela formação de funcionários públicos.

O Colégio aceita candidatos humanos, anões, halflings e gnomos, independentemente de origem nobiliárquica.

Seus formados atuam como:

  • escrivães;
  • contadores;
  • inspetores;
  • supervisores de estradas;
  • administradores de celeiros;
  • fiscais;
  • magistrados auxiliares.

Os cargos mais elevados permanecem controlados pela Coroa e pela nobreza, mas a burocracia tornou-se mais profissional e menos dependente de nomeações familiares.

A burguesia considera o Colégio um avanço insuficiente. As casas tradicionais acusam-no de criar uma nova classe de servidores leais diretamente ao grão-duque.

Ambas as interpretações possuem fundamento.


Porto Valtorre

Lourenço considera o fortalecimento de Porto Valtorre indispensável para a autonomia econômica do Grão-Ducado.

Durante seu reinado, foram ampliados:

  • cais;
  • armazéns;
  • estaleiros;
  • fortificações;
  • postos alfandegários;
  • instalações militares;
  • escritórios comerciais.

O grão-duque também concedeu privilégios limitados a companhias estrangeiras dispostas a investir na cidade.

Essa política encontrou oposição de nobres que temem o surgimento de uma nova burguesia portuária semelhante à que conduziu Auramar à independência.

Lourenço sustenta que o erro da antiga Coroa não foi permitir que Auramar enriquecesse, mas recusar-se a integrá-la politicamente enquanto ainda havia tempo.

Apesar disso, não demonstrou intenção de conceder à burguesia de Porto Valtorre participação equivalente à das casas nobres.


A Casa Saelyndor

A decisão mais controversa de seu governo ocorreu em 944 E.A., quando Lourenço concedeu um título hereditário à Casa Saelyndor.

Os Saelyndor são uma família élfica proveniente de Aetheryon. Não existiam elfos em Aramonte, ou em qualquer outro Estado abaixo das nuvens, antes da viagem do Plákido no ano 864 E.A.

A família acumulou riqueza por meio de:

  • instrumentos de navegação;
  • mapas estelares;
  • componentes mágicos;
  • vidro aetheryano;
  • crédito de longa duração;
  • comércio de conhecimentos técnicos.

O acordo firmado com Lourenço incluiu:

  • pagamento extraordinário ao Tesouro;
  • empréstimos à Coroa;
  • financiamento de obras em Porto Valtorre;
  • fornecimento de instrumentos de navegação;
  • intercâmbio técnico;
  • apoio comercial em Aetheryon.

Em troca, os Saelyndor receberam propriedade, título hereditário e reconhecimento entre os pares de Aramonte.


A acusação de venda

A versão oficial afirma que o título foi concedido em reconhecimento aos serviços prestados pela família.

Grande parte da nobreza considera que ele foi comprado.

Os opositores de Lourenço argumentam que:

  • os Saelyndor são estrangeiros recentes;
  • não possuem vínculos históricos com Aramonte;
  • não serviram militarmente ao Estado;
  • o título foi concedido em troca de dinheiro;
  • a longevidade élfica permitirá que o mesmo titular permaneça entre os pares durante séculos;
  • outras famílias mercantis poderão exigir o mesmo tratamento.

Lourenço responde que diversas casas atualmente consideradas tradicionais receberam seus títulos por financiar guerras, abastecer exércitos ou construir fortalezas.

Segundo uma declaração atribuída ao grão-duque:

“O tempo não transforma uma compra em virtude. Apenas faz com que os descendentes do comprador esqueçam o preço.”

A frase enfureceu muitas famílias do Conselho.

Seus críticos passaram a chamá-lo de Mercador Coroado.


Aparência e saúde

Lourenço possui compleição larga e pesada, embora tenha perdido parte da antiga força muscular.

Seus cabelos são completamente brancos. A barba longa é dividida em sete tranças menores, tradicionalmente associadas aos sete filhos homens. Três argolas douradas próximas à base representam suas filhas.

O arranjo provoca interpretações distintas.

Para a família, representa os dez filhos do casal ducal. Para críticos do Estatuto do Filho Varão, demonstra visualmente que as filhas são reduzidas a adornos enquanto os filhos são apresentados como extensões da própria barba do soberano.

Lourenço possui:

  • olhos castanho-escuros;
  • rugas profundas;
  • mãos marcadas por artrite;
  • uma cicatriz sobre a sobrancelha esquerda;
  • dificuldade para caminhar;
  • redução da audição;
  • dores constantes nas articulações.

Utiliza uma bengala de ferro produzida com metal retirado de uma ponte reconstruída no início de seu governo.

Sua mente permanece lúcida. Não há indícios públicos de perda significativa de memória ou capacidade de julgamento.

O grão-duque raramente permanece de pé durante cerimônias longas e reduziu consideravelmente suas viagens. Ainda assim, continua presidindo pessoalmente reuniões do Conselho dos Pares.

Sua idade faz dele uma figura sem paralelo entre os governantes bravórios conhecidos. Nenhum soberano de Feris, Verdanha, Primerânia, Valdória, Auramar ou qualquer outro Estado de Bravória possui registro de ter alcançado idade superior enquanto ainda exercia o governo.


Personalidade

Lourenço é paciente, reservado e pouco inclinado a demonstrações públicas de emoção.

Durante audiências, permite que interlocutores falem longamente antes de responder. Seus defensores afirmam que procura compreender todos os lados. Seus filhos sustentam que o silêncio é utilizado para fazer com que os outros revelem mais do que pretendiam.

Alguns cortesãos afirmam que, em ocasiões particularmente longas, o grão-duque simplesmente adormece sem que ninguém tenha coragem de interrompê-lo.

Lourenço raramente humilha adversários em público.

Quando deseja reduzir a influência de alguém, costuma recorrer a:

  • auditorias;
  • substituição de administradores;
  • cobrança de dívidas;
  • redistribuição de cargos;
  • investigações jurídicas;
  • isolamento no Conselho;
  • concessão de favores a rivais.

Considera a violência política uma ferramenta cara e imprevisível.

Sua principal falha é a dificuldade de admitir que um problema possa escapar de sua capacidade de cálculo.

Lourenço acredita que quase toda crise pode ser administrada por meio de concessões graduais, recursos suficientes e divisão dos adversários.


Madalena de Ferrovale

Madalena de Ferrovale é a consorte de Lourenço e integrante de uma antiga família anã.

Seu casamento ocorreu muito antes da ascensão do marido e produziu dez filhos: sete homens e três mulheres.

Madalena exerceu papel importante na organização da corte, na educação dos filhos e na manutenção de alianças entre diferentes ramos da nobreza.

Embora possua idade próxima à do marido, encontra-se em melhores condições de saúde.

A grã-duquesa consorte é considerada:

  • mais sociável;
  • mais sensível ao simbolismo político;
  • próxima das casas tradicionais;
  • habilidosa na mediação de disputas familiares.

Madalena acredita que Lourenço deveria definir claramente a distribuição de responsabilidades entre os filhos antes de morrer.

O grão-duque teme que demonstrar preferência além da ordem sucessória transforme o escolhido em alvo dos irmãos.

Madalena responde que a ausência de clareza já os transformou em adversários.


Os dez filhos

Lourenço e Madalena tiveram filhos ao longo de mais de um século.

Todos alcançaram a idade adulta. Os mais velhos já possuem descendentes próprios, enquanto os mais jovens continuam consolidando suas posições.

As diferenças de idade, educação e experiência fizeram com que cada filho desenvolvesse uma interpretação distinta sobre o futuro de Aramonte.


Martim de Valtorre

Martim de Valtorre é o filho homem mais velho e herdeiro oficial do Grão-Ducado.

Pelo Estatuto do Filho Varão, sua sucessão é juridicamente clara.

Martim é disciplinado, austero e profundamente comprometido com as tradições da Casa Valtorre. Considera que permitir qualquer debate sobre sua posição enfraquece não apenas a própria autoridade, mas todo o sistema sucessório.

Defende:

  • fortalecimento do Conselho dos Pares;
  • maior controle sobre a burguesia;
  • política firme diante de Auramar;
  • revisão dos privilégios Saelyndor;
  • aplicação rigorosa da sucessão masculina.

Seus irmãos acusam-no de acreditar que o direito de nascimento substitui competência.

Martim responde que uma monarquia hereditária deixa de existir quando cada irmão decide que suas qualidades pessoais são superiores à lei.


Baltasar de Valtorre

Baltasar de Valtorre construiu sua reputação nas forças armadas.

É associado às fortalezas setentrionais e possui apoio entre oficiais, soldados e casas nobres de tradição militar.

Baltasar considera Martim excessivamente cauteloso e incapaz de responder a ameaças externas.

Defende:

  • reforço das posições próximas a Cosmopia;
  • maior pressão sobre Feris;
  • expansão das forças de Porto Valtorre;
  • reorganização dos comandos militares;
  • redução da influência auramarina.

Publicamente, não contesta o direito do irmão. Costuma afirmar, contudo:

“A lei pressupõe que o primogênito esteja à altura dela.”

Seus adversários temem que Baltasar utilize uma crise militar para justificar a suspensão da sucessão regular.


Tomás de Valtorre

Tomás de Valtorre é jurista, administrador e estudioso das instituições aramontesas.

Possui influência entre burocratas, magistrados, nobres reformistas e setores da burguesia.

Defende uma ampliação limitada dos poderes da Assembleia das Cidades, argumentando que a participação urbana pode ser aumentada sem destruir a monarquia.

Tomás considera que:

  • Martim provocaria novos conflitos com as cidades;
  • Baltasar conduziria Aramonte a uma guerra;
  • Gaspar venderia o Estado aos credores;
  • Elias permitiria que princípios morais substituíssem decisões práticas;
  • Rodolfo confundiria administração com governo;
  • Caetano mudaria demais em pouco tempo.

Apresenta-se como o único filho capaz de preservar a Coroa por meio de reformas controladas.


Gaspar de Valtorre

Gaspar de Valtorre supervisiona interesses da Coroa em Porto Valtorre.

Construiu relações com:

  • armadores;
  • comerciantes;
  • capitães;
  • bancos;
  • companhias estrangeiras.

Gaspar foi um dos principais defensores do acordo com a Casa Saelyndor.

Considera que Aramonte não sobreviverá se continuar tratando comércio, crédito e navegação como assuntos inferiores à propriedade rural.

Defende:

  • expansão marítima;
  • maior abertura comercial;
  • concessões a investidores;
  • alianças com Aetheryon;
  • aproximação pragmática com Auramar.

Seus irmãos acusam-no de querer transformar o Grão-Ducado numa versão monárquica da Liga Mercantil.

Gaspar responde que nenhum título permanece respeitável quando a família que o possui não consegue pagar pelos próprios soldados.


Elias de Valtorre

Elias de Valtorre mantém forte relação com instituições religiosas, casas de auxílio, hospitais e comunidades rurais.

É considerado o mais compassivo entre os filhos homens de Lourenço.

Elias defende que a legitimidade da Coroa não depende apenas de lei, vitória ou tradição, mas da capacidade de proteger os habitantes do Estado.

Seus aliados encontram-se entre:

  • sacerdotes;
  • curadores;
  • pequenos proprietários;
  • organizações assistenciais;
  • comunidades halflings;
  • nobres preocupados com a autoridade moral da monarquia.

Seus adversários consideram-no idealista e pouco preparado para decisões severas.

Elias sustenta que um governante incapaz de demonstrar misericórdia apenas administra o medo.


Rodolfo de Valtorre

Rodolfo de Valtorre supervisiona pontes, estradas, muralhas, canais e grandes obras públicas.

É respeitado por engenheiros e por diversas casas anãs e gnomos.

Rodolfo evita discursos grandiosos e apresenta-se como administrador prático.

Sua justificativa para governar baseia-se no legado de Rowan:

“Aramonte existe porque seus caminhos permanecem abertos. Deve governá-la quem sabe mantê-los.”

É frequentemente considerado o filho mais parecido com Lourenço em temperamento.

O próprio grão-duque parece confiar em sua competência, embora jamais tenha sugerido qualquer alteração da ordem sucessória em seu favor.


Caetano de Valtorre

Caetano de Valtorre é o mais jovem dos sete filhos homens.

Recebeu educação mais cosmopolita que os irmãos e viajou por Feris, Auramar e outros centros comerciais.

É carismático, eloquente e popular entre jovens nobres, oficiais menores, artistas e setores urbanos.

Defende:

  • maior abertura política;
  • aproximação com Brumavela;
  • integração de estrangeiros;
  • reforma da sucessão;
  • modernização da imagem da Coroa.

Caetano é o único dos filhos homens que questiona abertamente a exclusão das irmãs.

Seus adversários acusam-no de confundir popularidade com preparo.

Ele considera que todos os irmãos representam versões diferentes de um passado que já não consegue responder às necessidades de Aramonte.


As três filhas

As filhas de Lourenço estão excluídas da sucessão pelo Estatuto do Filho Varão.

Isso não impede que exerçam considerável influência política.

A competência das três é frequentemente utilizada por reformistas como argumento contra a sucessão exclusivamente masculina.


Beatriz de Valtorre

Beatriz de Valtorre é a filha mais velha do casal e uma das pessoas mais experientes da família.

Administrou propriedades, representou o pai em negociações e solucionou crises internas durante décadas.

Muitos cortesãos consideram-na mais preparada para governar que Martim.

Beatriz evita criticar publicamente o Estatuto do Filho Varão. Sua própria atuação, contudo, mantém viva a comparação entre capacidade e direito sucessório.

Possui influência especial entre as casas antigas e pode determinar quais delas apoiarão Martim após a morte de Lourenço.


Catarina de Valtorre

Catarina de Valtorre atua como mediadora entre a Coroa, as cidades, instituições religiosas e diferentes ramos da nobreza.

É conhecida por produzir acordos nos quais nenhum lado alcança tudo o que deseja, mas todos encontram razões para aceitá-los.

Cada irmão acredita que Catarina acabará apoiando sua pretensão.

Ela evita comprometer-se publicamente com qualquer um.

Catarina é considerada a integrante da família que melhor compreende o risco de uma nova guerra sucessória.


Leonor de Valtorre

Leonor de Valtorre é a filha mais jovem e principal defensora da aproximação com Aetheryon.

Participou das negociações com a Casa Saelyndor e mantém contato com estudiosos, diplomatas e comerciantes élficos.

Nobres tradicionalistas acusam-na de ter convencido o pai a conceder o título à família estrangeira.

Leonor sustenta que Aramonte não pode enfrentar o futuro utilizando apenas justificativas herdadas dos primeiros séculos da Era Aureniana.

É próxima de Gaspar e Caetano, embora discorde de ambos em questões importantes.


A questão dos sete filhos

Legalmente, Martim é o único herdeiro.

Politicamente, cada filho construiu uma justificativa para substituí-lo ou limitar sua autoridade.

As facções formadas ao redor deles podem ser resumidas da seguinte maneira:

FilhoPrincipal base de apoio
Martim de ValtorreCasas tradicionais e defensores da sucessão regular
[[#Baltasar de ValtorreBaltasar de Valtorre]]
[[#Tomás de ValtorreTomás de Valtorre]]
[[#Gaspar de ValtorreGaspar de Valtorre]]
[[#Elias de ValtorreElias de Valtorre]]
[[#Rodolfo de ValtorreRodolfo de Valtorre]]
[[#Caetano de ValtorreCaetano de Valtorre]]

Nenhum deles se declara publicamente pretendente contra Martim.

Suas propostas utilizam justificativas como:

  • incapacidade do herdeiro;
  • necessidade de renúncia;
  • reconhecimento excepcional pelo Conselho dos Pares;
  • formação de uma regência;
  • divisão de competências;
  • alteração do Estatuto pelo soberano ainda vivo.

Lourenço distribuiu responsabilidades entre os filhos para impedir que qualquer um concentrasse poder suficiente para ameaçá-lo.

A estratégia preservou sua autoridade, mas permitiu que cada filho formasse uma corte própria.


Relação com os filhos

Lourenço demonstra afeto principalmente por meio de responsabilidades.

Raramente elogia os filhos em público. Em vez disso, concede-lhes:

  • cargos;
  • missões;
  • propriedades;
  • acesso a informações;
  • autoridade sobre projetos.

Cada filho interpreta as funções recebidas como prova de que o pai reconhece sua superioridade.

Lourenço conhece as ambições de todos.

Recusa-se a alterar publicamente a sucessão e sustenta que Martim será seu sucessor. Ao mesmo tempo, não permite que o primogênito assuma controle efetivo sobre o governo enquanto permanece vivo.

Martim considera essa postura humilhante.

Os irmãos interpretam-na como sinal de que Lourenço não confia no herdeiro.

Uma frase atribuída ao grão-duque durante uma discussão com Martim tornou-se conhecida na corte:

“Você herdará a Coroa. Meu dever é garantir que ainda exista um Estado debaixo dela.”


A Questão Cosmopia

Lourenço mantém a reivindicação aramontesa sobre Cosmopia, mas evita qualquer ação capaz de provocar guerra com Feris.

Sua política concentra-se em:

  • reconhecer documentos cosmopianos;
  • facilitar comércio com Ribeira Clara;
  • oferecer formação a moradores;
  • manter relações com o Conselho dos Marcos;
  • bloquear investimentos auramarinos;
  • evitar guarnições permanentes;
  • prolongar negociações diplomáticas.

Lourenço considera que ocupar militarmente Cosmopia seria menos útil que torná-la economicamente dependente de Aramonte.

Baltasar acusa o pai de permitir que Feris fortaleça sua posição.

Tomás e Catarina apoiam a cautela.

Gaspar teme que a demora entregue a vila à influência de Brumavela.


Relação com Auramar

Lourenço reconhece que a independência de Auramar é irreversível.

Essa posição é considerada excessivamente conciliatória por setores da nobreza.

Sua política procura:

  • preservar o comércio;
  • reduzir a dependência financeira;
  • fortalecer Porto Valtorre;
  • impedir influência auramarina sobre as cidades;
  • evitar nova guerra;
  • explorar diferenças entre Auramar e Brumavela.

Embora rejeite o modelo republicano da Liga, demonstra respeito por sua eficiência.

A ele é atribuída a frase:

“Auramar provou que mercadores podem governar. Ainda não provou que deveriam.”

Mercadores auramarinos costumam responder que Aramonte provou que nobres podem governar, mas também não demonstrou que deveriam fazê-lo.


A antiga linhagem

Publicamente, Lourenço afirma que a Casa de Aramonte está extinta.

Privadamente, o governo acompanha rumores sobre possíveis descendentes de Constança de Aramonte.

O grão-duque mantém estudiosos, genealogistas e agentes encarregados de investigar:

  • registros perdidos;
  • famílias ligadas à antiga corte;
  • descendências halflings;
  • documentos em Auramar;
  • o paradeiro de Vigília;
  • pretendentes surgidos em outros Estados.

Não há provas de que Lourenço tenha ordenado o assassinato de qualquer suposto descendente.

Sua preferência parece ser confirmar, observar e controlar.

Alguns acreditam que tentaria transformar um herdeiro legítimo em aliado por casamento ou acordo político.

Outros sustentam que nenhuma prova seria autorizada a sobreviver caso ameaçasse a posição dos filhos.


O medo do soberano

O maior temor de Lourenço não é simplesmente perder a Coroa.

Ele teme ser lembrado como o governante sob o qual Aramonte se desfez.

Viveu durante a Guerra da Coroa Partida, conheceu pessoas ligadas à antiga dinastia e acompanhou as consequências da independência de Auramar.

Para ele, a fragmentação não é uma possibilidade abstrata.

Acredita que, sem uma autoridade forte, Aramonte poderia dividir-se entre:

  • casas nobres;
  • cidades;
  • facções dos filhos;
  • interesses auramarinos;
  • influência feriana;
  • legitimistas da antiga dinastia;
  • credores estrangeiros.

Essa convicção explica sua resistência em abandonar o governo.

Também pode ser a razão pela qual sua família não se encontra preparada para governar sem ele.


A sucessão

Lourenço afirma publicamente que não existe crise sucessória.

Martim é o filho homem mais velho e sucederá conforme a lei.

Em privado, o soberano tomou medidas para impedir que qualquer facção domine completamente o período posterior à sua morte.

Entre elas estão:

  • separação dos comandos militares e financeiros;
  • distribuição dos filhos entre diferentes regiões;
  • preservação de documentos comprometedores;
  • manutenção de oficiais leais diretamente ao grão-duque;
  • utilização de Beatriz e Catarina como intermediárias;
  • limitação dos recursos disponíveis a cada filho.

Circulam rumores de que Lourenço preparou um documento a ser aberto após sua morte.

O texto supostamente poderia:

  • confirmar Martim;
  • estabelecer um conselho formado pelos irmãos;
  • distribuir competências;
  • revelar dívidas e conspirações;
  • impor juramentos;
  • reconhecer outro sucessor.

A existência do documento nunca foi confirmada.

Todos os filhos agem como se ele existisse.


Legado

Lourenço II será lembrado como o governante mais velho já registrado em Bravória e como um dos soberanos mais experientes e contraditórios da história de Aramonte.

Reformou estradas, fortaleceu instituições, recuperou pontes e procurou modernizar a economia. Também concentrou autoridade, enfraqueceu a participação urbana e concedeu um título em troca de recursos estrangeiros.

Deseja modernizar o Estado sem democratizá-lo.

Deseja enriquecer as cidades sem dividir o poder com elas.

Deseja renovar a nobreza sem reduzir seu prestígio.

Deseja preparar os filhos para governar sem permitir que nenhum deles governe enquanto ainda está vivo.

Lourenço passou grande parte de sua vida tentando impedir que Aramonte enfrentasse uma nova guerra de sucessão.

Ao conceder poder a sete filhos convencidos da própria superioridade, pode ter criado exatamente a crise que mais temia.

A ironia de seu governo é resumida por uma frase recorrente entre os cortesãos:

“O velho grão-duque manteve Aramonte unida por tanto tempo que seus herdeiros esqueceram como permanecer juntos.”