Eyrhild

Eyrhild é a deusa da morte, dos ancestrais, da memória, dos nomes e da passagem final. Entre os membros do Panteão Kaldreno, é a única divindade representada com aparência humana.

Forma: Mulher de idade indefinida acompanhada por corvos
Símbolo: Corvo pousado sobre uma pedra funerária
Títulos comuns: Senhora do Último Nome, Guardiã dos Ancestrais, Aquela que Chegou Depois, Mulher Entre as Feras

Aparência

Eyrhild é retratada como uma mulher vestida de negro, cinza, branco ou prata. Sua idade nunca é definida com precisão. Algumas imagens a mostram jovem; outras revelam cabelos claros e marcas do tempo, mas quase todas conservam os mesmos traços fundamentais.

Ela costuma possuir expressão serena, olhos muito escuros, mãos abertas, um véu, uma lanterna ou uma chave. Um ou mais corvos aparecem próximos.

Corvos são seus mensageiros, observadores e guardiões de nomes. Eyrhild nunca é representada transformando-se numa dessas aves, e nenhuma tradição kaldrena amplamente reconhecida afirma que o corvo seja sua forma verdadeira.

Aquela que Chegou Depois

Os mitos dizem que Eyrhild não estava presente quando as outras Feras Primevas começaram a enfrentar o Primeiro Inverno.

Quando ocorreu a primeira morte, ela simplesmente apareceu. Aproximou-se do corpo, pronunciou um nome que nenhum dos deuses conhecia e declarou que a vitória não poderia ser medida apenas pelos sobreviventes. Os mortos também precisavam ser lembrados e conduzidos.

Eyrhild então exigiu lugar no juramento. Vardrunn aceitou sua palavra, mas nenhum mito afirma que ele a tenha submetido às mesmas obrigações que impôs às outras divindades.

Nem mesmo Vaelka teria previsto sua chegada.

A exceção humana

Teólogos kaldrenos oferecem diferentes explicações para sua aparência. Eyrhild pode ter assumido uma forma mortal para não assustar aqueles que recebe; pode ter vindo de uma terra onde os deuses possuem formas humanas; ou seu rosto pode pertencer à primeira pessoa que morreu.

Há ainda quem diga que a morte não pertence a nenhum território e, portanto, não poderia nascer como animal de Kaldren.

Nenhuma dessas interpretações é universalmente aceita.

O mistério torna-se maior porque comunidades separadas por vastas distâncias a representam com um rosto muito semelhante. As outras divindades apresentam fortes variações regionais; Eyrhild, quase nenhuma.

Nomes e memória

Os seguidores de Eyrhild acreditam que alguém continua exercendo influência enquanto seu nome for pronunciado, suas obras forem utilizadas, seus ensinamentos forem transmitidos e seus juramentos permanecerem cumpridos.

Apagar deliberadamente o nome de uma pessoa é uma das punições mais severas de Kaldren. Quando alguém morre sem testemunhas, acredita-se que um corvo possa guardar seu nome até que ele seja registrado entre os vivos.

“Recebe o nome que entregamos; devolve-nos a memória que devemos guardar.”

A passagem final

Não existe consenso sobre o destino daqueles que Eyrhild recebe. Algumas tradições descrevem vastos salões ancestrais. Outras falam de uma margem, uma floresta silenciosa ou uma estrada coberta por penas negras.

O culto considera mais importante garantir a dignidade da passagem do que definir seu destino final. Eyrhild não julga necessariamente todos os mortos, nem determina o momento em que devem morrer. Ela os encontra quando a vida termina e impede que atravessem completamente sozinhos.

Culto

Eyrhild é venerada por guardiões funerários, cronistas, genealogistas, cuidadores de cemitérios, investigadores de mortes e pessoas responsáveis por comunicar perdas.

Seus templos mantêm registros de nomes, memoriais, objetos de falecidos não identificados, espaços para funerais, abrigo para corvos e relatos de juramentos interrompidos pela morte.

Seus sacerdotes condenam magias que aprisionem almas, profanem cadáveres ou transformem mortos em propriedade dos vivos. Consultar uma memória com consentimento ritual pode ser permitido; impedir uma alma de seguir adiante, não.

Relações divinas

Eyrhild coopera com Vardrunn na preservação dos juramentos deixados pelos mortos, mas não permite que obrigações sejam impostas automaticamente aos descendentes.

Com Sývara, protege os ritos que reintegram uma família depois da perda. Com Vaelka, mantém uma relação difícil: Vaelka pode enxergar uma morte futura, mas Eyrhild recorda que conhecer o fim não concede autoridade sobre a pessoa que ainda vive.

Os outros Juramentados respeitam Eyrhild. Nos mitos, entretanto, nenhum deles a chama de irmã.