Eldren
Os Eldren são espíritos reconhecidos pelas tradições religiosas de Kaldren. Estão associados a lugares, forças naturais e obras capazes de permanecer durante muitas gerações.
Fora do continente, são frequentemente descritos como espíritos da natureza. A expressão é insuficiente: relatos kaldrenos também reconhecem Eldren ligados a minas, pontes, forjas, muralhas e fortalezas construídas por mãos mortais.
Não existe consenso aureniano sobre o que essas entidades realmente são.
Tradição kaldrena
Os kaldrenos distinguem três categorias religiosas:
- deuses, associados a princípios amplos da existência;
- ancestrais, ligados à memória e às linhagens dos vivos;
- Eldren, vinculados a lugares ou manifestações específicas.
Um Eldren não é considerado automaticamente divindade menor nem servo do Panteão Kaldreno. Pode ser tratado com reverência comparável à oferecida a um deus, sobretudo quando protege uma região há muitos séculos, mas permanece uma entidade própria.
Vínculos conhecidos
Tradições mencionam Eldren associados a:
- montanhas e geleiras;
- rios e florestas;
- cavernas;
- tempestades;
- minas e forjas;
- muralhas e pontes;
- fortalezas antigas;
- obras mantidas por sucessivas gerações.
Não está claro se o espírito nasce junto do lugar, se passa a habitá-lo ou se surge lentamente da relação entre território, memória e trabalho.
Alguns relatos tratam o Eldren e o lugar como inseparáveis. Outros narram espíritos que abandonaram uma construção, aceitaram outra morada ou permaneceram depois que a estrutura original foi destruída.
Acordos
Comunidades kaldrenas procuram conhecer os limites dos Eldren locais. A relação pode envolver:
- oferenda anual;
- dever de manutenção;
- proibição de atravessar determinada área;
- limite para mineração ou derrubada;
- preservação de uma estrutura;
- obrigação de recordar um acontecimento;
- promessa transmitida entre gerações.
Esses acordos são tratados de maneira semelhante a juramentos. A comunidade pode respeitá-los mesmo depois que a razão original foi esquecida.
Reações atribuídas
A violação de um acordo pode ser associada a:
- avalanches;
- tempestades;
- desaparecimentos;
- desabamentos;
- perda de colheitas;
- falhas em obras consideradas seguras;
- manifestações espirituais.
Clérigos kaldrenos não consideram todo desastre uma punição. Parte importante de sua função consiste em distinguir reação espiritual, consequência natural e negligência mortal.
Essa cautela é frequentemente omitida em relatos estrangeiros, nos quais qualquer acidente de Kaldren pode ser atribuído a um Eldren ofendido.
Interpretações aurenianas
Estudiosos aurenianos propõem explicações diferentes:
- espíritos territoriais anteriores aos povos mortais;
- consciências formadas por acúmulo de mana;
- memórias coletivas capazes de manifestar vontade;
- entidades atraídas por lugares duradouros;
- deuses locais classificados de maneira diferente pelos kaldrenos;
- fenômenos naturais interpretados religiosamente.
Nenhuma hipótese explica todos os relatos. A existência de magia e de manifestações locais torna possível que acontecimentos autênticos convivam com tradição, coincidência e erro de interpretação.
Relação com outros espíritos
Comparações com os Yorami de Yashima são frequentes. Ambos podem estar ligados a lugares, obras e forças naturais, mas suas culturas descrevem essas relações por linguagens diferentes.
Não se sabe se Eldren e Yorami são nomes distintos para fenômenos semelhantes, categorias parcialmente sobrepostas ou entidades de naturezas completamente diferentes. Kaldrenos e yashimanos não dependem de uma resposta universal para manter seus próprios ritos.
Conhecimento atual
Os aurenianos conhecem Eldren principalmente por traduções, relatos de navegadores e informações trazidas de Kaldren. Poucos estudiosos permaneceram tempo suficiente diante de um mesmo espírito para compreender os acordos locais.
É aceito que os kaldrenos tratam os Eldren como presenças reais. Se essas entidades possuem corpo, origem comum ou existência independente dos lugares aos quais estão ligadas permanece desconhecido.