Yorami
Yorami é o nome utilizado em Yashima para os incontáveis espíritos que compartilham o mundo com os mortais. Podem estar associados a lugares, animais, objetos, famílias, acontecimentos, conceitos e forças naturais.
A religião yashimana não estabelece separação absoluta entre mundo material e espiritual. Um rio pode ser curso de água, rota comercial e presença espiritual ao mesmo tempo, sem que uma dessas descrições anule as demais.
Fora de Yashima, a natureza dos Yorami é pouco compreendida.
Diversidade
Um Yorami pode estar ligado a:
- montanha, rio ou árvore antiga;
- tempestade ou corrente marítima;
- espécie animal;
- ponte, oficina ou embarcação;
- campo de arroz;
- família ou ancestral;
- aldeia ou comunidade;
- acontecimento histórico;
- objeto preservado durante muitas gerações.
Alguns são conhecidos apenas por uma casa ou pequeno povoado. Outros recebem veneração em diferentes Estados yashimanos.
Não existe autoridade religiosa central capaz de determinar uma classificação aceita por todo o continente.
Manifestações
Nem todo Yorami possui forma física ou personalidade compreensível. Relatos atribuem-lhes manifestações por meio de:
- animais;
- sonhos;
- mudanças climáticas;
- ruídos e movimentos incomuns;
- coincidências repetidas;
- formas humanoides;
- transformações temporárias de objetos ou lugares.
A mesma manifestação pode ser interpretada de maneiras diferentes. O conto A Raposa que Pediu Arroz preserva deliberadamente a dúvida entre uma raposa comum e um espírito.
Conduta
Yorami não são divididos de maneira simples entre bons e maus. Um espírito pode proteger uma comunidade e atacar invasores, favorecer colheitas e provocar enchentes ou permanecer indiferente a necessidades humanas.
Os ritos procuram manter respeito, reconhecimento e reciprocidade. O objetivo não é necessariamente adorar ou controlar a entidade.
Uma relação deteriorada pode ser restaurada por oferendas, reparação de danos, cumprimento de promessas ou reconhecimento de uma história esquecida.
Yorami inquietos
Mortes violentas, injustiças, abandono e grandes tragédias podem ser seguidos pelo surgimento de Yorami inquietos.
Esses espíritos manifestariam sofrimento, confusão, apego ou desejo de vingança. Clérigos yashimanos podem tentar:
- recuperar restos mortais;
- reconhecer publicamente uma injustiça;
- cumprir promessa quebrada;
- restaurar local profanado;
- oferecer reparação;
- conceder ao espírito um lugar de honra.
Há tradições nas quais um Yorami vingativo se torna protetor depois que a causa de sua ira recebe resposta adequada.
Não está claro se a tragédia cria uma nova entidade, transforma um espírito anterior ou apenas torna perceptível algo que já existia.
Grandes Yorami
Três entidades recebem veneração em quase todos os grandes Estados de Yashima:
- Amateru, associada ao Sol, à ordem e à legitimidade;
- Ryūshin, associado aos mares, tempestades e proteção das ilhas;
- Inariho, associado ao arroz, comércio, abundância e proteção dos lares.
São chamados Grandes Yorami, mas não governam formalmente todos os demais. O título pode indicar poder, antiguidade, alcance do culto ou uma categoria inteiramente diferente; as tradições discordam.
Interpretações estrangeiras
Estudiosos aurenianos já tentaram classificar os Yorami como:
- espíritos naturais;
- divindades locais;
- ancestrais transformados;
- manifestações de mana;
- entidades produzidas pela crença coletiva;
- parentes distantes das fadas;
- equivalente yashimano dos Eldren.
Nenhuma classificação foi demonstrada. Um mesmo termo yashimano pode abranger entidades que um estudioso estrangeiro colocaria em categorias diferentes.
Conhecimento atual
Os yashimanos conhecem ritos, histórias e comportamentos de espíritos específicos, mas isso não significa que possuam uma teoria única sobre a origem de todos os Yorami.
Entre os aurenianos, o conhecimento deriva principalmente de viajantes, traduções e comunidades yashimanas no exterior. É possível reconhecer que os ritos produzem efeitos sem determinar se todos os seres chamados Yorami compartilham a mesma natureza.