Cassiano Vilar de Norvante é o atual Regente do Trono Vazio, chefe do governo de Valdória e principal administrador das instituições que preservam a continuidade jurídica do antigo Reino de Valdória.
Eleito pela primeira vez em 932 da Era Aureniana e confirmado para um segundo mandato em 940, Cassiano governa a maior e mais populosa cidade de Bravória e Dravória há quinze anos.
Jurista de formação, diplomata experiente e profundo conhecedor das antigas leis sucessórias, Cassiano construiu sua reputação defendendo que o trono de Auren não pode ser entregue a um candidato apenas plausível. Para ele, qualquer erro na restauração da Coroa poderia desencadear uma guerra entre os dois continentes e destruir a autonomia valdórica.
Seus apoiadores atribuem a Cassiano a estabilidade econômica, a expansão do Porto de Valdória, a recuperação de partes do palácio e a redução das disputas violentas entre pretendentes.
Seus adversários o acusam de ocultar documentos, controlar magistrados, financiar reivindicações fraudulentas e transformar o interregno em uma fonte permanente de poder pessoal.
Publicamente, é conhecido como:
O Guardião Paciente.
Entre seus críticos, é chamado de:
O Rei sem Coroa.
Cassiano rejeita ambos os epítetos, embora sua administração utilize discretamente o primeiro em discursos, documentos e cerimônias oficiais.
Sua frase mais conhecida resume a justificativa de seu governo:
“Não sou o homem que impedirá o retorno do rei. Sou aquele que impedirá que Valdória se ajoelhe diante do rei errado.”
Nascimento e família
Cassiano nasceu em 888 E.A., no Bairro do Palácio Velho, em Valdória.
A família Norvante não pertence às casas mais antigas da antiga corte, mas está ligada à administração do interregno há várias gerações.
Seu pai, Vilar de Norvante, era magistrado auxiliar do Tribunal da Sucessão. Sua mãe, Amália Serraveiro, trabalhava como intérprete de documentos dravorianos nos Arquivos da Coroa.
Cassiano cresceu em uma residência confortável, mas distante do luxo das grandes famílias valdóricas. A casa dos Norvante era frequentada por:
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magistrados;
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escribas;
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diplomatas;
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pesquisadores;
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reclamantes sucessórios;
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representantes dravorianos.
Desde criança, conviveu com genealogias incompletas, versões contraditórias da história e pessoas dispostas a reorganizar o passado para justificar ambições presentes.
Um relato atribuído a sua mãe afirma que Cassiano aprendeu a reconhecer selos nobiliárquicos antes de aprender a nadar.
Ele não se casou e não possui descendentes reconhecidos.
Essa ausência é utilizada por seus defensores como prova de que não pretende fundar uma dinastia. Seus críticos respondem que Cassiano não precisa transmitir o cargo se puder tornar-se indispensável enquanto estiver vivo.
Formação
Cassiano estudou no Colégio das Leis da Vacância, principal instituição valdórica dedicada à administração do interregno.
Sua formação incluiu:
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direito sucessório;
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história valdórica;
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genealogia;
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diplomacia;
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administração pública;
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línguas dravorianas;
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paleografia;
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reconhecimento de selos;
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direito comercial;
Seus professores o descreviam como extremamente disciplinado e pouco inclinado a aceitar interpretações baseadas apenas em tradição oral.
Cassiano insistia que qualquer reivindicação deveria ser sustentada por uma cadeia verificável de registros, testemunhos e precedentes.
Entretanto, também demonstrava consciência de que os arquivos valdóricos eram incompletos e, por vezes, deliberadamente contraditórios.
Em uma dissertação de juventude, escreveu:
“A verdade sucessória não é uma linha preservada no papel. É uma ponte construída sobre nove séculos de ausências.”
O texto ainda é estudado por juristas, embora críticos atuais apontem que Cassiano posteriormente aprendeu a controlar quem pode atravessar essa ponte.
Primeiros anos no serviço público
Cassiano ingressou nos Arquivos da Coroa aos vinte e dois anos.
Sua primeira função consistia em comparar documentos apresentados por famílias que afirmavam descender de ramos secundários da linhagem de Auren.
O trabalho exigia examinar:
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registros de nascimento;
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certidões matrimoniais;
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correspondências;
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árvores genealógicas;
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selos;
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testamentos;
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declarações de legitimidade;
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renúncias.
Cassiano ganhou reputação por identificar pequenas inconsistências que haviam passado despercebidas por outros estudiosos.
Ele observava diferenças de tinta, formas de tratamento que ainda não existiam na época alegada e erros na utilização de calendários regionais.
Sua carreira começou a crescer após o chamado Caso dos Sete Selos.
Caso dos Sete Selos
Em 915 E.A., uma família bravória apresentou documentos que, aparentemente, demonstravam descendência direta de Helena, filha de Auren.
Os registros possuíam sete selos de autoridades históricas e haviam sido considerados plausíveis por vários juristas.
Cassiano demonstrou que ao menos três selos haviam sido produzidos com ligas metálicas desenvolvidas séculos depois das datas indicadas.
Também identificou que um dos documentos utilizava uma forma moderna do nome de um dia da semana, inexistente no período em que supostamente fora escrito.
A reivindicação foi rejeitada, e os responsáveis pela fraude foram presos.
O caso tornou Cassiano conhecido fora dos círculos acadêmicos.
Para seus apoiadores, demonstrou que ele possuía capacidade incomum para proteger Valdória de impostores.
Para seus críticos, foi o momento em que Cassiano compreendeu que destruir um pretendente podia produzir tanto poder quanto reconhecer um legítimo.
Serviço diplomático
Após o Caso dos Sete Selos, Cassiano foi transferido para a administração do Cais Dravoriano.
Ali atuou como magistrado e negociador em disputas envolvendo:
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cargas confiscadas;
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refugiados;
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documentos de passagem;
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comerciantes;
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representantes políticos;
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famílias divididas entre os continentes.
Sua fluência em diferentes variantes linguísticas dravorianas e seu conhecimento das leis locais tornaram-no um intermediário eficiente.
Cassiano defendia que Valdória deveria manter relações com todos os Estados orientais sem reconhecer a supremacia política de nenhum deles.
Durante esse período, construiu uma extensa rede de contatos entre:
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diplomatas;
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mercadores;
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magistrados;
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informantes;
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contrabandistas;
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pesquisadores estrangeiros.
Parte dessa rede continua ativa durante sua Regência.
Adversários afirmam que muitas informações obtidas oficialmente pela diplomacia eram complementadas por acordos ilegais no porto.
Cassiano jamais negou conversar com pessoas envolvidas no contrabando. Afirma que governar uma cidade portuária exige conhecer aqueles que operam fora das leis, mesmo quando se pretende combatê-los.
Entrada no Tribunal da Sucessão
Em 921 E.A., Cassiano foi nomeado magistrado do Tribunal da Sucessão.
Sua atuação concentrou-se nos casos mais complexos, especialmente aqueles que envolviam registros divididos entre Bravória e Dravória.
Cassiano defendia três princípios:
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nenhuma tradição familiar deveria superar documentação confiável;
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nenhum documento isolado deveria decidir uma sucessão;
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nenhuma reivindicação poderia ser considerada válida sem avaliar suas consequências políticas.
O terceiro princípio provocou controvérsia.
Juristas mais tradicionais sustentavam que o Tribunal deveria analisar apenas a legitimidade jurídica. Cassiano argumentava que reconhecer um sucessor incapaz de governar as duas metades de Teramar equivaleria a abandonar a própria função da Coroa.
Essa interpretação aproximou-o da corrente continuísta, para a qual manter o trono vazio seria preferível a uma restauração incompleta.
Crise dos Três Herdeiros
A ascensão política de Cassiano consolidou-se durante a Crise dos Três Herdeiros, ocorrida entre 926 e 929 E.A.
Em menos de dois anos, três pretendentes diferentes apresentaram reivindicações consideradas suficientemente fortes para prosseguir no Tribunal.
Cada candidato possuía apoio distinto:
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um era apoiado por famílias bravórias;
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outro por interesses dravorianos;
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o terceiro por restauracionistas de Valdória.
Manifestações, confrontos e tentativas de intimidação espalharam-se pela cidade.
Cassiano coordenou uma investigação conjunta que revelou problemas nas três candidaturas:
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um casamento não reconhecido;
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uma renúncia omitida;
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uma genealogia parcialmente adulterada.
As três reivindicações foram suspensas.
A decisão evitou uma possível disputa armada, mas criou suspeitas de que Cassiano havia utilizado critérios diferentes para enfraquecer todos os lados.
Nenhum dos candidatos foi formalmente declarado fraudulento. Seus processos permanecem inconclusos nos arquivos.
Cassiano tornou-se conhecido como o homem capaz de impedir que a sucessão destruísse Valdória.
Conselho da Coroa Vazia
Em 929 E.A., Cassiano passou a integrar o Conselho da Coroa Vazia.
Representava o Tribunal da Sucessão e rapidamente tornou-se uma das figuras mais influentes do órgão.
Ele defendia:
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ampliação dos arquivos restritos;
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maior fiscalização sobre pretendentes;
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fortalecimento da Guarda Valdórica;
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registro obrigatório de agentes estrangeiros;
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controle centralizado dos documentos ligados às espadas;
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reorganização das receitas portuárias.
Suas propostas encontraram resistência entre cívicos e juristas preocupados com a concentração de autoridade.
Ainda assim, a instabilidade provocada pela Crise dos Três Herdeiros favoreceu sua posição.
Cassiano apresentava cada aumento de poder como medida temporária de proteção.
Muitas dessas medidas continuam vigentes.
Eleição como Regente
Cassiano foi eleito Regente do Trono Vazio em 932 E.A.
A escolha ocorreu após o encerramento antecipado do mandato de seu antecessor, que renunciou por motivos de saúde.
Cassiano recebeu apoio de:
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magistrados continuístas;
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comerciantes ligados ao porto;
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oficiais da Guarda Valdórica;
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parte das antigas casas administrativas;
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representantes favoráveis à estabilidade com Dravória.
Restauracionistas criticaram sua escolha, afirmando que um jurista conhecido por rejeitar pretendentes não deveria controlar as instituições responsáveis por reconhecer um herdeiro.
Os cívicos também se opuseram, considerando-o excessivamente ligado às estruturas da Coroa.
Cassiano venceu após quatro rodadas de votação.
Em seu discurso de posse, declarou:
“Valdória não precisa de um homem que deseje o trono. Precisa de alguém capaz de permanecer diante dele sem se ajoelhar e sem tentar ocupá-lo.”
Mandato regencial
O Regente é escolhido para um mandato de oito anos e pode receber uma única renovação consecutiva.
Cassiano governou inicialmente entre 932 e 940 E.A.
Foi reconduzido para um segundo mandato, que se encerra em 948 E.A.
A renovação foi aprovada por margem mais estreita que sua primeira eleição. Embora seus resultados administrativos fossem reconhecidos, já existiam denúncias sobre controle de arquivos, pressão sobre magistrados e uso político da Guarda.
No ano 947, Cassiano encontra-se no penúltimo ano de seu mandato final.
Pelas regras atuais, não poderia ser novamente reconduzido de forma imediata.
Essa proximidade do fim de sua Regência domina grande parte da política valdórica contemporânea.
O Juramento da Vacância
Durante sua posse, Cassiano pronunciou o juramento exigido de todos os Regentes:
“Guardarei aquilo que não me pertence. Governarei onde não posso reinar. Deixarei o trono vazio até que aquele que possa ocupá-lo seja reconhecido.”
O juramento impede o Regente de:
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utilizar a Coroa;
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sentar-se no trono;
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declarar-se soberano;
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alterar unilateralmente a sucessão;
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transformar o cargo em título hereditário.
Cassiano observa rigorosamente as proibições cerimoniais.
Nunca se sentou no trono de Auren, nunca utilizou uma coroa e evita símbolos que possam ser interpretados como reais.
Seus críticos afirmam que ele respeita cuidadosamente a aparência da lei enquanto acumula poderes que os antigos Regentes jamais possuíram.
Administração
O governo de Cassiano é centralizado, burocrático e orientado por informações.
Ele exige que decisões importantes sejam acompanhadas por:
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relatórios;
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estimativas de custo;
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precedentes jurídicos;
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avaliações políticas;
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identificação dos responsáveis.
Cassiano raramente decide durante uma primeira reunião.
Costuma ouvir todos os presentes, solicitar documentos adicionais e responder apenas quando acredita compreender as posições e interesses envolvidos.
Essa demora pode representar prudência ou método de pressão.
Pessoas que aguardam uma decisão frequentemente tornam-se mais dispostas a negociar.
A administração é coordenada a partir da Ala Regencial do Palácio de Valdória, construída durante os primeiros séculos do interregno.
Cassiano não reside nos antigos aposentos reais.
Gabinete da Continuidade
O principal núcleo administrativo de Cassiano é conhecido como Gabinete da Continuidade.
Ele reúne:
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juristas;
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diplomatas;
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especialistas em comércio;
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arquivistas;
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oficiais de segurança;
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assessores políticos.
O Gabinete não é uma instituição sucessória autônoma. Formalmente, auxilia o Regente na execução das decisões do Conselho.
Na prática, filtra grande parte das informações que chegam a Cassiano e às demais autoridades.
Seus membros possuem reputação de competência e absoluta lealdade ao Regente.
Críticos chamam o Gabinete de Corte sem Coroa.
Realizações públicas
Mesmo seus adversários reconhecem que Cassiano obteve resultados importantes.
Expansão do Porto de Valdória
Durante sua Regência, foram ampliados:
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cais;
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armazéns;
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postos de inspeção;
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docas de reparo;
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instalações diplomáticas;
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defesas da Baía das Lágrimas.
O crescimento do porto aumentou as receitas da cidade e fortaleceu sua posição como intermediária entre os dois continentes.
Acordos com Dravória
Cassiano negociou tratados que reduziram tarifas e simplificaram determinadas travessias.
Esses acordos ampliaram o comércio e permitiram o retorno de documentos históricos guardados em arquivos orientais.
O Regente apresentou a iniciativa como prova de que Valdória pode representar as duas margens sem submeter-se a nenhuma delas.
Restauração do palácio
Partes deterioradas do Palácio de Valdória foram restauradas.
Cassiano financiou:
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reparos estruturais;
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proteção contra incêndios;
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recuperação de mosaicos;
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reorganização de arquivos;
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reforço das muralhas internas.
Setores cívicos criticaram os gastos, argumentando que bairros populares precisavam de saneamento e habitação.
Segurança urbana
A Guarda Valdórica foi ampliada e reorganizada.
Os índices de violência em áreas centrais diminuíram, e ataques abertos contra pretendentes tornaram-se menos frequentes.
Ao mesmo tempo, denúncias de vigilância política e intimidação aumentaram.
Guarda Valdórica
Cassiano mantém relação próxima com o comando da Guarda Valdórica.
Embora os guardas jurem lealdade à Coroa Vazia, o Regente controla:
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orçamento;
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nomeações superiores;
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prioridades;
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unidades especiais;
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acesso a informações.
Durante sua administração, foram criadas divisões dedicadas a:
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contraespionagem;
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proteção dos arquivos;
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segurança dos portos;
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escolta de pretendentes;
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controle de manifestações.
A mais controversa é o Ofício das Chaves, pequeno corpo de investigadores e agentes responsáveis por crimes contra as instituições da Coroa.
O Ofício opera sob elevado sigilo.
Não possui autoridade formal para realizar execuções ou prisões permanentes, mas pode deter suspeitos, confiscar documentos e conduzir interrogatórios.
Cívicos acusam seus agentes de espionagem política.
Arquivos e sigilo
O maior poder de Cassiano talvez não esteja na Guarda, mas no controle da informação.
Durante seu governo, milhares de documentos foram reclassificados como:
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restritos;
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sensíveis;
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sucessórios;
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diplomáticos;
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perigosos para a estabilidade.
Cassiano afirma que a medida impede falsificações e protege informações capazes de causar conflitos.
Seus adversários sustentam que o sistema permite ao Regente decidir quais partes da história podem ser utilizadas contra ele.
Alguns arquivos só podem ser consultados mediante autorização conjunta de diferentes órgãos. Na prática, o Gabinete da Continuidade controla grande parte desses procedimentos.
Há rumores de que Cassiano mantém um acervo particular de cópias conhecido como Arquivo Cinzento.
Sua existência nunca foi comprovada.
Relação com o Tribunal da Sucessão
Cassiano não possui autoridade legal para ordenar decisões ao Tribunal da Sucessão.
Ainda assim, influencia a instituição por meio de:
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orçamento;
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nomeações;
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acesso aos arquivos;
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segurança;
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pareceres do Gabinete;
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controle diplomático sobre documentos estrangeiros.
Magistrados que apoiam o Regente afirmam que sua experiência protege o Tribunal contra pressões políticas.
Magistrados críticos sustentam que nenhum processo verdadeiramente independente é possível quando o governo decide quais provas serão liberadas.
Cassiano raramente confronta diretamente o Tribunal.
Prefere questionar procedimentos, solicitar novas investigações ou alegar riscos à segurança.
Relação com a Custódia das Espadas
A Custódia das Espadas é responsável pelos registros e protocolos relacionados a Alvor e Soberana.
Cassiano declara respeitar plenamente sua autonomia.
Entretanto, durante sua Regência:
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o acesso aos relatórios foi reduzido;
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expedições passaram a depender de autorização governamental;
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descobertas foram classificadas;
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guardas adicionais foram designados;
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testemunhas passaram por interrogatórios do Ofício das Chaves.
O Regente afirma que falsificadores e potências estrangeiras tentam explorar qualquer rumor sobre as armas.
Seus opositores acreditam que Cassiano teme a descoberta de uma espada porque ela poderia produzir uma reivindicação impossível de atrasar.
Pretendentes durante sua Regência
Cassiano recebeu dezenas de pretendentes.
A maior parte foi rejeitada por fraudes evidentes, genealogias frágeis ou ausência de qualquer reconhecimento institucional.
Alguns casos permanecem controversos.
A reivindicação de Leonel Arven
Leonel Arven, nobre de origem dravoriana, apresentou uma genealogia considerada plausível por parte do Tribunal.
Antes da análise final, documentos essenciais desapareceram durante um incêndio num arquivo secundário.
Leonel deixou Valdória pouco depois e morreu durante uma travessia marítima.
A Regência declarou o episódio um acidente.
Restauracionistas afirmam que ele foi eliminado.
Nenhuma ligação com Cassiano foi comprovada.
A herdeira de Maravil
Uma jovem conhecida como Elisa de Maravil alegou descender de um ramo ligado a Helena.
Sua reivindicação atraiu grande apoio popular, apesar de falhas documentais.
Cassiano permitiu que o processo avançasse publicamente, mas novos registros demonstraram que parte de sua genealogia havia sido preparada por um falsificador.
Elisa foi absolvida de participação consciente.
O caso fortaleceu o argumento de Cassiano de que a população poderia ser manipulada por uma candidata carismática.
O pretendente sem nome
Rumores persistentes mencionam um candidato cuja investigação teria sido interrompida antes de sua identidade ser revelada.
Alguns afirmam que ele foi reconhecido por uma relíquia ligada a Soberana. Outros sustentam que toda a história foi inventada para prejudicar o Regente.
Os arquivos oficiais não registram o caso.
Métodos políticos
Cassiano raramente destrói um adversário por uma única ação.
Seu método consiste em isolar, atrasar e dividir.
Ele pode:
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oferecer cargos a aliados de um opositor;
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autorizar parte de uma investigação e bloquear outra;
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divulgar informações verdadeiras no momento mais prejudicial;
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permitir que rivais disputem entre si;
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atrasar decisões até que o apoio desapareça;
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transformar acusações políticas em questões processuais;
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utilizar comerciantes e diplomatas como intermediários.
Cassiano prefere que seus adversários pareçam fracassar por incompetência, ambição ou contradições próprias.
Uma frase atribuída a um antigo assessor afirma:
“O Regente não fecha uma porta diante de você. Ele constrói tantas outras que, quando percebe, já não sabe qual pretendia atravessar.”
Contrabando e informantes
Cassiano adotou uma postura pragmática diante do contrabando.
A Guarda reprime:
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tráfico de pessoas;
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armas destinadas a revoltas;
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relíquias roubadas;
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substâncias perigosas;
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documentos sucessórios.
Entretanto, determinados comerciantes ilegais parecem operar durante anos sem sofrer intervenção.
Críticos afirmam que esses contrabandistas fornecem informações ao Regente.
O governo responde que investigações de longo prazo exigem infiltração e colaboração com pessoas moralmente questionáveis.
Cassiano distingue publicamente entre:
-
criminosos que ameaçam a cidade;
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infratores que podem ser utilizados para alcançar criminosos maiores.
Essa distinção permite grande margem de discricionariedade.
Relação com as correntes políticas
Continuístas
Cassiano é a principal figura do continuísmo contemporâneo.
Para seus apoiadores, representa estabilidade, prudência e resistência a falsas restaurações.
Ele evita declarar que o interregno deve ser eterno.
Afirma apenas que nenhum candidato atual satisfaz as condições necessárias.
Restauracionistas
Sua relação com os restauracionistas é profundamente conflituosa.
Cassiano reconhece publicamente o direito de buscar o herdeiro, mas considera muitos grupos irresponsáveis.
Restauracionistas moderados negociam com sua administração. Os radicais o veem como usurpador.
Alguns defendem sua remoção antes que qualquer investigação sucessória possa ser confiável.
Cívicos
Os cívicos são os opositores mais constantes de Cassiano.
Acusam-no de utilizar uma monarquia morta para justificar um governo sem representação popular.
O Regente responde que abandonar a Coroa poderia retirar de Valdória a proteção jurídica que impede sua anexação por potências bravórias ou dravorianas.
Manifestações cívicas são permitidas, mas fortemente vigiadas.
Relações com o Conselho da Coroa Vazia
Cassiano mantém maioria funcional no Conselho da Coroa Vazia, mas não o controla por completo.
Seus apoiadores incluem:
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administradores;
-
representantes do porto;
-
oficiais;
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magistrados continuístas;
-
antigas casas beneficiadas pela estabilidade.
A oposição é formada por:
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juristas independentes;
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cívicos moderados;
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restauracionistas;
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representantes preocupados com o poder da Guarda.
O Regente raramente perde uma votação importante.
Quando não possui apoio suficiente, costuma adiar a matéria, solicitar novos estudos ou dividir a proposta em decisões menores.
Política externa
Cassiano considera que a autonomia de Valdória depende de impedir que qualquer Estado adquira influência dominante sobre a cidade.
Sua diplomacia busca equilíbrio entre:
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governos dravorianos.
Ele aceita investimentos e acordos, mas evita concessões que permitam controle estrangeiro sobre o porto, os arquivos ou as instituições sucessórias.
Diplomatas descrevem Cassiano como educado, paciente e difícil de pressionar.
Ele raramente rejeita uma proposta imediatamente. Prefere torná-la progressivamente menos vantajosa até que o outro lado a abandone.
Relação com Feris
Cassiano respeita a capacidade naval, acadêmica e cartográfica do Principado De Feris.
Coopera com os ferianos em:
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navegação;
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comércio;
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mapas;
-
recuperação de documentos;
-
segurança marítima.
Entretanto, desconfia da autoridade concentrada na dinastia Solgard.
Feris, por sua vez, considera o sigilo valdórico um risco para qualquer acordo duradouro.
Relação com Verdanha
A relação com Ducado de Verdanha é marcada por respeito jurídico.
Cassiano admira a estabilidade da Carta das Clareiras, mas considera que os verdanhos subestimam os perigos de uma política excessivamente aberta.
Leonor IV de Avelar reconhece sua competência, porém critica a duração do interregno e o controle dos arquivos.
Os dois governos cooperam em comércio e mediação, mas divergem sobre transparência institucional.
Relação com Primerânia
Cassiano mantém uma relação cautelosa com Lara I.
A Sé Sagrada é uma das poucas instituições com influência suficiente nos dois continentes para mediar disputas valdóricas.
Lara respeita a necessidade de impedir uma falsa coroação, mas demonstra preocupação com as acusações de manipulação.
Cassiano considera a lealdade supranacional do clero meryanista tão perigosa quanto útil.
Ambos compreendem que um conflito aberto prejudicaria suas instituições.
Relação com Dravória
Cassiano possui vasta experiência com autoridades dravorianas.
Mantém contatos pessoais e políticos em diferentes Estados orientais.
Alguns governantes o consideram um interlocutor confiável. Outros acreditam que ele utiliza divisões internas de Dravória para manter Valdória indispensável.
Cassiano rejeita qualquer coroação conduzida apenas por interesses bravórios.
Ao mesmo tempo, impede que pretendentes apoiados exclusivamente por Dravória avancem sem reconhecimento ocidental.
Essa postura fortalece sua imagem de neutralidade, mas também garante que todas as partes dependam de sua mediação.
Vida pessoal
Cassiano leva uma vida pública austera, embora não ascética.
Seus aposentos são confortáveis e decorados com livros, mapas e objetos recebidos de delegações estrangeiras.
Seus hábitos incluem:
-
acordar antes dos sinos do palácio;
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ler relatórios durante o desjejum;
-
caminhar pelos Jardins de Guinevere;
-
receber magistrados individualmente;
-
revisar documentos à noite;
-
manter refeições pequenas;
-
jogar partidas de estratégia com diplomatas.
Bebe vinho com moderação e evita demonstrar embriaguez em público.
Não é conhecido por relacionamentos amorosos duradouros.
Rumores sobre amantes, filhos secretos e acordos íntimos surgem regularmente, mas nenhum foi confirmado.
Aparência
Cassiano possui cinquenta e nove anos.
É um homem alto e magro, com postura controlada e movimentos econômicos.
Seus cabelos, originalmente escuros, estão quase inteiramente grisalhos. Mantém-nos curtos e cuidadosamente penteados.
Possui olhos castanhos e uma expressão frequentemente descrita como atenta, mas difícil de interpretar.
Veste-se com elegância discreta:
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casacos escuros;
-
tecidos de alta qualidade;
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poucos adornos;
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luvas em cerimônias;
-
o selo regencial preso a uma corrente de prata.
Nunca utiliza ouro em forma de círculo ou coroa.
Em eventos oficiais, carrega o Bastão da Vacância, símbolo administrativo do cargo. O objeto não possui aparência de cetro e termina numa peça aberta, representando a ausência da Coroa.
Personalidade
Cassiano é cordial, paciente e quase nunca eleva a voz.
Demonstra memória incomum para nomes, relações familiares e conversas anteriores.
Durante audiências, permite que as pessoas falem longamente antes de responder.
Sua polidez raramente desaparece, mesmo ao ameaçar ou negar um pedido.
Ele não costuma insultar adversários. Prefere demonstrar que seus argumentos são incompletos, contraditórios ou prematuros.
Cassiano parece genuinamente acreditar que a maior parte das pessoas subestima a fragilidade da paz valdórica.
Seu maior defeito pode ser a convicção de que apenas ele compreende suficientemente os riscos.
Crenças
Cassiano não afirma que o trono deve permanecer vazio para sempre.
Também não demonstra entusiasmo diante da possibilidade de restauração.
Para ele, um soberano legítimo precisaria:
-
possuir direito sucessório sólido;
-
compreender Bravória e Dravória;
-
controlar sua própria ambição;
-
sobreviver à pressão dos Estados;
-
preservar Valdória.
Cassiano sustenta que alguém incapaz de superar o processo sucessório provavelmente seria incapaz de governar o antigo reino.
Seus críticos respondem que o processo foi deliberadamente construído para não ser superado.
Imagem pública
A imagem de Cassiano varia conforme a região da cidade.
No Distrito da Coroa e entre comerciantes, é visto como administrador competente.
Na Colina das Embaixadas, é respeitado como diplomata.
Na Baixa das Lágrimas, é associado à vigilância, aos impostos e à repressão.
Entre restauracionistas, é considerado o maior obstáculo à Coroa.
Entre continuístas, é o homem que impediu Valdória de ser destruída por pretendentes e potências estrangeiras.
Cassiano participa de cerimônias públicas, mas evita multidões imprevisíveis.
Suas visitas a bairros populares são planejadas e acompanhadas por forte segurança.
Acusações mais graves
As principais acusações contra Cassiano incluem:
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sabotagem de pretendentes legítimos;
-
desaparecimento de documentos;
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uso político do Ofício das Chaves;
-
financiamento secreto de candidaturas falsas;
-
enriquecimento de aliados;
-
proteção de contrabandistas informantes;
-
pressão sobre magistrados;
-
tentativa de prolongar o mandato.
Nenhuma foi comprovada de forma definitiva.
Há evidências circunstanciais, testemunhos contraditórios e padrões difíceis de ignorar.
A ausência de prova conclusiva fortalece Cassiano.
Ele costuma afirmar:
“Num tribunal, suspeita não substitui verdade. Na política, curiosamente, muitos dos que repetem essa regra para si recusam-se a aplicá-la aos outros.”
A sucessão regencial de 948
O segundo mandato de Cassiano termina em 948 E.A.
Ele não pode receber uma terceira eleição consecutiva segundo as regras atuais.
O Conselho da Coroa Vazia deverá escolher uma nova pessoa para ocupar a Regência.
Até o momento, Cassiano não declarou apoio público a nenhum candidato.
Circulam três possibilidades:
-
ele pretende retirar-se e manter influência como conselheiro;
-
prepara uma sucessora leal;
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busca uma extensão extraordinária do mandato.
Seus aliados argumentam que o aumento das tensões com Dravória e os rumores sobre as espadas tornam uma mudança de governo perigosa.
Seus adversários afirmam que essas crises estão sendo exageradas ou produzidas para justificar sua permanência.
Cassiano limita-se a declarar:
“A lei será cumprida. Cabe aos que a citam recordar que também existem leis para tempos extraordinários.”
A frase aumentou as suspeitas de que pretende invocar uma cláusula de emergência.
Rumores sobre Alvor e Soberana
Nos últimos anos, circularam rumores de novas descobertas relacionadas a Alvor e Soberana.
As versões incluem:
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fragmentos de registros encontrados em Dravória;
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uma testemunha que teria visto uma das espadas;
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uma relíquia que reagiu a determinado pretendente;
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uma expedição secreta financiada pela Regência;
-
documentos escondidos nos arquivos de Morgana.
Cassiano nega possuir informação capaz de alterar a sucessão.
O aumento do sigilo da Custódia das Espadas, contudo, alimenta desconfianças.
Alguns restauracionistas acreditam que o Regente já encontrou um candidato legítimo e trabalha para mantê-lo oculto até concluir seu próprio plano.
Não há provas públicas.
Cassiano na atualidade
No ano 947 da Era Aureniana, Cassiano de Norvante encontra-se no auge de sua autoridade e próximo do fim legal de seu governo.
Durante quinze anos, transformou Valdória numa cidade mais rica, segura e influente.
Também fortaleceu o aparato de vigilância, restringiu os arquivos e tornou as instituições sucessórias mais dependentes do poder regencial.
Cassiano não precisa desejar uma coroa para agir como soberano.
Ele governa através de relatórios, atrasos, segredos, nomeações e dúvidas cuidadosamente preservadas.
Talvez acredite sinceramente que nenhum pretendente atual seja digno.
Talvez tenha visto candidatos perigosos o suficiente para concluir que Valdória precisa ser protegida de sua própria esperança.
O problema é que, após tantos anos decidindo quem não pode ocupar o trono, Cassiano passou a acreditar que somente ele é capaz de preservar a cidade até que o herdeiro correto apareça.
O Regente protege o Trono Vazio.
Mas sua posição, sua influência e seu legado dependem de que ele continue vazio.
A questão central de seu governo não é se Cassiano deseja tornar-se rei.
É se ainda existe alguma pessoa que ele aceitaria como tal.