Infancia e chamado do destino
Auren era um jovem humano nascido no povoado de Limpio nas margens do Lago Do Destino, sua família era de fazendeiros, poucas posses em seu nome, mas era um menino corajoso e de bom coração, perto do lago havia uma espada em uma pedra que estava lá desde que se tinha registros, a família de Auren, apesar de pobre era letrada há muitas gerações e havia um diário de seu trisavô, intrigado de como era possível aquela espada estar ali desde os tempos do bisavô dele e ninguém saber de onde veio, Auren se intrigou assim como seu antepassado pela espada, e ia até ela admira-la dia sim e dia também, até que de repente começou a escutar uma voz da espada, a voz o chamava, conversava com ele, mesmo aos 5 anos a espada dizia que seu destino era outro, mais grandioso que Limpio, e assim como magica, quando o pequeno Auren decidiu tirar a espada, a pedra começou a brilhar, o que trouxe todo o vilarejo para o redor da pedra, e todos testemunharam o garoto puxando a espada Alvor e o mago Fenmael saindo de dentro dela, a voz que Auren ouvia era do estranho homem de orelhas pontudas que havia saído da espada.
Fenmael falou que o destino dele estava selado, a unificação de Teramar dependia dele e a ida de seus pares ao paraíso também e logo o levou para treinar, não se tem registro de onde eles foram, mas voltaram apenas 10 anos depois.
Guerras Aurenianas e o Casamento com Morgana
Após dez anos desaparecido ao lado de Fenmael, Auren retornou às margens do Lago do Destino já não mais como um garoto, mas como um guerreiro. Ao seu lado vinha o mago que um dia surgira da espada Alvor, e em sua mente havia apenas um objetivo: unir os povos de Teramar sob um único reino.
Na época, Teramar era fragmentada em dezenas de reinos, ducados e cidades independentes. Guerras por fronteiras, rios e colheitas eram constantes, e alianças mudavam conforme a conveniência de seus senhores. Fenmael acreditava que apenas um soberano poderia pôr fim a séculos de conflitos e preparar a humanidade para o destino que lhes aguardava.
As primeiras campanhas de Auren não foram marcadas pela conquista, mas pela diplomacia. Diversos senhores aceitaram sua liderança voluntariamente, impressionados tanto por sua habilidade militar quanto por sua reputação de cumprir a palavra dada. Aqueles que recusavam, entretanto, descobriam rapidamente que o jovem rei também era um comandante excepcional.
Foi durante essas campanhas que Auren reuniu os homens e mulheres que mais tarde formariam a lendária Távola de Valdória. Vindos das mais diversas regiões de Teramar, cavaleiros, arqueiros, estrategistas e sábios encontraram em Auren um líder capaz de inspirar lealdade acima de títulos ou riqueza.
Ao longo de cinco anos, reino após reino jurou fidelidade à sua bandeira. Alguns após duras batalhas; outros, simplesmente abrindo seus portões quando o exército valdoriano se aproximava.
Com o passar dos anos de campanha, a relação entre Auren e Morgana tornou-se cada vez mais próxima. Enquanto muitos de seus companheiros viam nela apenas uma poderosa feiticeira, Auren encontrava alguém que compartilhava sua visão de um continente unido e de um futuro onde guerras deixariam de definir o destino dos povos. Mesmo diante das constantes reservas de Fenmael, o futuro rei jamais encontrou razões para desconfiar da mulher que conhecia desde a infância.
Quando a unificação finalmente foi concluída, Fenmael conduziu Auren de volta ao Lago do Destino, onde realizou uma cerimônia que consolidaria a nova ordem política.
Ali, em 19 de Nevaria do ano 17, diante dos líderes de todo o continente, Auren foi coroado Auren I de Valdória. Na mesma cerimônia, Morgana foi reconhecida como sua rainha, oficializando uma relação que já existia durante os anos finais da unificação.
Segundo Fenmael, o nome Valdória não havia sido escolhido por acaso. Era uma palavra antiga, ensinada pelas próprias fadas, cujo significado havia se perdido havia incontáveis gerações, mas que representava a promessa de harmonia entre a humanidade e o Paraíso das Fadas.
Em 19 de Nevaria do ano 17, o antigo assentamento fortificado das margens do Lago do Destino foi oficialmente refundado como Valdória. Estradas foram abertas em todas as direções, muralhas brancas cercaram a nova capital, e artesãos vindos de todo o continente ajudaram a transformá-la rapidamente na maior cidade da história conhecida.
A localização não foi escolhida apenas por seu valor simbólico. Situada aproximadamente no centro de Teramar e às margens do Lago do Destino, Valdória permitia que qualquer região do reino fosse alcançada em poucas semanas pelas recém-construídas Estradas Reais.
O Reinado de Ouro
Durante os primeiros anos do reinado, Morgana tornou-se uma das figuras mais influentes da corte. Enquanto Auren dedicava-se à administração do reino e às viagens diplomáticas, a rainha assumia papel ativo na política interna, recebendo embaixadores, intermediando disputas entre nobres e participando das decisões do Conselho Real.
Muitos dos projetos atribuídos à prosperidade do período nasceram durante as reuniões do Conselho Real. Séculos depois, historiadores ainda discutem quantas dessas ideias partiram de Auren e quantas tiveram origem nas sugestões de Morgana.
Sempre que Fenmael levantava dúvidas sobre Morgana, Auren respondia que um reino construído sobre a desconfiança jamais conheceria a paz.
Muitos historiadores consideram esse período o auge da parceria entre ambos. Nenhum documento produzido na época sugere que Auren desconfiava da esposa, e diversas cartas preservadas da corte indicam que o rei valorizava profundamente seus conselhos.
Os anos seguintes seriam lembrados como a maior era de prosperidade da humanidade.
Sob Auren, antigas fronteiras desapareceram. Um sistema único de estradas passou a ligar praticamente todas as regiões de Teramar, facilitando o comércio, a circulação de pessoas e a rápida resposta do exército real sempre que necessário.
Foi também durante seu reinado que surgiram as primeiras Estradas Reais de Teramar. Construídas para ligar Valdória às regiões mais distantes do continente, elas reduziram drasticamente o tempo de viagem entre antigas fronteiras e permaneceram como a espinha dorsal do comércio por séculos, muitas ainda sendo utilizadas nos dias atuais.
Leis comuns passaram a valer em todo o reino, substituindo costumes locais muitas vezes conflitantes. Pela primeira vez, um camponês de uma extremidade do continente possuía direitos semelhantes aos de outro vivendo a milhares de quilômetros dali.
Embora lembrado como um grande conquistador, Auren demonstrava pouco interesse pela guerra após a unificação. Sua atenção voltou-se para a administração do reino, a fundação de cidades, o incentivo à agricultura e a resolução de disputas entre nobres.
Mesmo seus adversários reconheciam uma característica incomum entre os governantes da época: Auren raramente exigia submissão absoluta. Muitos antigos reis continuaram governando suas terras como vassalos, desde que respeitassem as leis de Valdória.
Foi durante esse período que nasceu a imagem de Auren como o Rei Justo, título pelo qual seria lembrado durante séculos.
Traição de Malrik e a Guerra de Sucessão
Por quase duas décadas após a fundação de Valdória, o reino viveu um período de estabilidade sem precedentes. Auren governava ao lado de sua nova esposa, Guinevere, enquanto seu primogênito Malrik, apesar das suspeitas que recaíam sobre sua origem, permanecia reconhecido como herdeiro legítimo do trono.
Embora Fenmael jamais escondesse sua desconfiança em relação ao rapaz, Auren recusava-se a julgá-lo pelos atos de sua mãe. Para o rei, Malrik era antes de tudo seu filho, e deveria ser lembrado por suas próprias escolhas.
O nascimento da princesa Helena, entretanto, alterou profundamente o equilíbrio da corte. Rumores espalharam-se rapidamente de que uma filha inteiramente humana seria uma sucessora mais aceitável do que um príncipe cuja mãe havia sido revelada como uma Moura. Auren jamais fez qualquer declaração nesse sentido, insistindo publicamente que Malrik continuava sendo o legítimo herdeiro do Reino de Valdória.
A distância entre pai e filho, porém, já havia começado a crescer.
Sem que Auren soubesse, Morgana continuava influenciando Malrik por meio da armadura que lhe dera na juventude. Somadas às dúvidas sobre seu direito ao trono e à constante manipulação de sua mãe, essas influências acabaram convencendo o príncipe de que seu pai pretendia substituí-lo por Helena.
No trigésimo quinto ano da Era Aureniana, Malrik abandonou a capital de Valdória e proclamou-se o legítimo rei de Valdória às margens do Lago da Valentia, outro lago semelhante ao Lago do Destino, situado mais a leste e cercado por montanhas. Diversos nobres, iludidos pelas magias de Morgana ou movidos por ambições próprias, declararam apoio ao príncipe, dando início ao conflito que ficaria conhecido como Guerra de Sucessão Valdoriana.
Apesar da dimensão da rebelião, registros militares indicam que Auren evitou, durante boa parte da guerra, confrontar pessoalmente o filho. Em diferentes ocasiões, emissários foram enviados oferecendo perdão completo caso Malrik depusesse as armas. Todas as propostas foram recusadas.
Segundo os cronistas da corte, Auren proibiu que qualquer soldado chamasse Malrik de usurpador em sua presença. Mesmo durante a guerra, referia-se ao líder rebelde apenas como “meu filho” ou “o príncipe”. Alguns de seus conselheiros consideravam essa postura uma demonstração de fraqueza; outros acreditavam que o rei simplesmente jamais aceitou que a guerra já havia se tornado inevitável.
À medida que o conflito se prolongava, o leste de Teramar transformou-se em um campo de batalha permanente. Cidades inteiras mudavam de lado em questão de semanas, enquanto os exércitos reais tentavam impedir o avanço das forças rebeldes rumo à capital.
O ponto de ruptura ocorreu quando a lança sagrada Gênese, guardada em Valdória desde a fundação do reino, foi roubada por agentes de Morgana e entregue a Malrik.
Fenmael teria advertido que nenhuma arma mortal deveria canalizar tamanho poder.
Seu aviso foi ignorado.
Sabendo que nada do que dissesse mudaria o curso dos acontecimentos, Fenmael retirou-se do campo de batalha antes do confronto final. Cronistas posteriores afirmam que ele jamais voltou a ser visto pelos sobreviventes do Reino de Valdória.
Embora as forças de Malrik continuassem numerosas, diversos cronistas afirmam que, após o roubo da Gênese, ambos os exércitos compreenderam que a guerra caminhava para seu desfecho. O conflito que antes decidiria quem herdaria Valdória passou a girar em torno de um único confronto inevitável entre pai e filho.
A Queda de Valdória
No ano 36 da Era Aureniana, os exércitos de pai e filho encontraram-se nos Campos da Travessia, em um confronto posteriormente lembrado como a Batalha do Patricídio.
Empunhando a Gênese, Malrik conseguiu rivalizar com o próprio Auren pela primeira vez. Entretanto, a lança respondeu de forma instável à sua mana, liberando uma quantidade de energia muito além de seu controle.
O resultado foi catastrófico.
O antigo continente de Teramar partiu-se em dois, formando os continentes hoje conhecidos como Bravória e Dravória. Milhares morreram instantaneamente, cidades desapareceram e o próprio campo de batalha foi consumido pelo cataclismo. A própria cidade de Valdória escapou da destruição imediata, mas a morte do rei, a perda da Gênese e o colapso da autoridade central mergulharam o reino em um interregno que perdura até os dias atuais.
Mesmo gravemente ferido pela energia descontrolada da Gênese, Auren conseguiu derrotar Malrik em combate singular.
Nenhum cronista contemporâneo registra que Auren tenha amaldiçoado Malrik durante o combate. Mesmo diante da destruição de Teramar, suas últimas ordens conhecidas continuavam sendo para preservar o reino e proteger sua família.
Segundo os relatos mais difundidos, pai e filho pereceram naquele mesmo dia, encerrando a linhagem direta do primeiro e único rei de Valdória.
Entretanto, documentos preservados apenas por alguns cronistas e tradições orais sugerem que os acontecimentos finais foram mais complexos do que a versão oficial. O destino exato de Morgana após a batalha permanece desconhecido, e diversos detalhes das últimas horas de Auren continuam sendo objeto de debate entre historiadores.
Legado
Mesmo após mais de novecentos anos de sua morte, Auren permanece como a figura mais influente da história dos povos de Bravória e Dravória.
A maior parte dos estados surgidos após a queda de Valdória reivindica algum tipo de continuidade com seu reinado, seja pela descendência de membros da Távola de Valdória, pela preservação de antigas leis ou pela posse de territórios que outrora integraram o Reino de Valdória.
Diversas leis modernas de Bravória e Dravória afirmam ter origem direta nos antigos Códigos de Valdória, ainda que muitas tenham sido profundamente modificadas ao longo dos séculos.
Sua imagem tornou-se símbolo de justiça e unidade. Expressões como “nos tempos de Auren” ainda são utilizadas para descrever uma era idealizada de paz e prosperidade, enquanto governantes de diferentes épocas frequentemente buscaram comparar seus feitos aos do primeiro rei.
Entre historiadores, contudo, permanece um debate recorrente: teria a queda de Valdória sido inevitável diante das manipulações de Morgana, ou a maior virtude de Auren — sua confiança inabalável nas pessoas — acabou tornando-se também sua maior fraqueza?
Citações atribuídas a Auren
Em um documento sobre as estradas:
“Nenhuma estrada termina em Valdória. Todas começam nela.”
Em uma cronica da guerra de sucessão:
“Não perderei meu reino para salvar meu filho… nem perderei meu filho para salvar meu reino.”