Plano Infernal
O Plano Infernal é um domínio extraplanar descrito por tradições religiosas, textos arcanos e antigos relatos de pactos. A representação mais difundida divide-o em nove camadas, organizadas segundo uma hierarquia rígida de poder, dívida e autoridade.
Sua existência é aceita por muitas escolas de magia e religiões de Basiris, embora quase todo o conhecimento disponível tenha origem em escrituras, invocações, visões e documentos cuja autenticidade é difícil de confirmar.
Os Nove Infernos
A descrição mais conhecida apresenta nove camadas sucessivas:
- Avernus, uma fronteira devastada por guerras;
- Dis, domínio de cidades, vigilância e opressão;
- Minauros, associado à avareza, ruína e pântanos corrosivos;
- Phlegethos, marcado por fogo, desejo e punição;
- Stygia, um domínio de gelo, profundidade e rancor;
- Malbolge, ligada à queda, perseguição e transformação;
- Maladomini, reino de cidades abandonadas e ambição interminável;
- Cania, domínio de frio extremo e conhecimento perigoso;
- Nessus, a camada mais profunda e centro da autoridade infernal.
Algumas religiões empregam outros nomes ou tratam as camadas como estados espirituais, não territórios literais. Mesmo entre estudiosos que aceitam a estrutura dos nove infernos, não existe um mapa capaz de orientar uma viagem real.
Diabos, autoridade e contratos
Os habitantes mais conhecidos do plano são os diabos, criaturas organizadas em hierarquias de serviço, domínio e obrigação. Relatos os descrevem como negociadores pacientes, capazes de transformar desejos, concessões e palavras imprecisas em instrumentos de poder.
Um pacto infernal não depende apenas de força mágica. Sua eficácia costuma ser associada a:
- consentimento expresso ou cuidadosamente manipulado;
- nomes e identidades;
- testemunhas;
- obrigações definidas;
- preço oferecido;
- consequências previstas no acordo.
Isso não significa que todo contrato incomum seja infernal. A associação automática entre pactos e diabos é uma simplificação frequente, sobretudo porque fadas, espíritos, deuses e instituições mortais também utilizam juramentos vinculantes.
Tieflings e pactos remotos
A explicação mais aceita para a origem dos Tieflings combina descendência e pactos realizados num passado remoto. Segundo essa leitura, comunidades humanas ou seus governantes estabeleceram vínculos com entidades infernais, e as consequências desses acordos tornaram-se hereditárias.
Não se sabe se houve um único acontecimento ou vários pactos independentes. Também não se conhece a intenção dos envolvidos: algumas tradições falam de ambição, outras de sobrevivência, proteção, coerção ou escravidão.
Ser tiefling não representa participação num pacto atual, devoção infernal ou dívida pessoal. A herança pode atravessar muitas gerações sem manifestação visível e reaparecer em descendentes cujas famílias desconhecem completamente sua origem.
O destino das almas
As religiões de Basiris não concordam sobre o destino dos mortos. Algumas afirmam que almas prometidas por contrato podem ser levadas ao Plano Infernal. Outras consideram impossível que um acordo mortal determine sozinho o julgamento divino, ou negam que os infernos recebam almas em qualquer sentido literal.
Não existe uma doutrina universal segundo a qual todos os pecadores, criminosos ou tieflings sejam destinados ao Plano Infernal. Cada religião interpreta morte, julgamento, renascimento e recompensa de maneira própria.
Acesso e conhecimento
Relatos de invocação sugerem que criaturas infernais podem alcançar Basiris por rituais, acidentes planares ou magia de grande poder. Viajar voluntariamente na direção contrária seria muito mais raro e perigoso.
Nenhum Estado mantém uma rota pública para o plano. Os textos existentes são preservados por templos, universidades, ordens arcanas e coleções privadas, muitas vezes sob restrições severas.
O Plano Infernal ocupa, portanto, uma posição incômoda no conhecimento de Basiris: é aceito como real por muitos estudiosos, mas quase tudo o que se afirma sobre ele depende de testemunhos interessados, tradições incompatíveis ou criaturas conhecidas pela habilidade de enganar sem pronunciar uma mentira direta.