Égide

O Escudo Inquebrável

Égide foi o escudo pessoal de Auren e uma das Relíquias da Távola associadas diretamente ao primeiro rei de Valdória. Sua reputação deriva menos de manifestações espetaculares que de uma promessa simples: enquanto Auren permanecesse atrás dele, nenhuma força alcançaria aquilo que o rei decidira proteger.

Atualmente, acredita-se que Égide tenha sido destruída ao conter parte da energia liberada por Gênese durante a Batalha do Patricídio.

Aparência

Égide era um grande escudo branco de formato alongado, reforçado por linhas douradas que partiam de um centro circular. Sua superfície não apresentava brasão dinástico. Auren afirmava que um escudo real deveria representar aqueles colocados atrás dele, não apenas quem o carregava.

Quando atingido por magia, o centro emitia círculos de luz que se espalhavam até as bordas. Golpes particularmente intensos produziam um som profundo, semelhante a um sino ouvido à distância.

Natureza do poder

Égide distribuía e absorvia força. Um impacto concentrado contra um ponto era espalhado por toda a superfície, convertido em luz e conduzido ao solo. Essa propriedade permitia resistir a ataques que destruiriam escudos comuns e lançariam o portador a grande distância.

Relatos atribuem a ela:

  • resistência absoluta contra armas comuns;
  • proteção contra projéteis e descargas mágicas;
  • ampliação de sua defesa para pessoas próximas;
  • criação de uma barreira fixa quando fincada no solo;
  • estabilização de estruturas prestes a desabar;
  • redução dos efeitos de explosões e catástrofes mágicas.

O escudo respondia melhor quando utilizado para proteger terceiros. Nas mãos de alguém preocupado apenas com a própria sobrevivência, permanecia resistente, mas sua barreira não se expandia.

A última defesa

Os relatos da Batalha do Patricídio afirmam que Auren ergueu Égide quando percebeu que Malrik havia perdido o controle de Gênese. A descarga foi grande demais até mesmo para o escudo inquebrável.

Tradições populares dizem que Égide se partiu. Estudos posteriores sugerem uma interpretação diferente: o escudo teria consumido deliberadamente sua própria forma para reduzir a propagação do cataclismo. Se isso for verdadeiro, Égide não falhou. Cumpriu sua função até deixar de existir.

Não é possível calcular quanto de Teramar teria sido destruído sem essa defesa final.

Fragmentos

Pequenas placas brancas encontradas próximas à Baía das Lágrimas são frequentemente anunciadas como fragmentos de Égide. Quase todas são pedra, cerâmica ou metal comum deformado pela ruptura.

Um fragmento verdadeiro deveria conservar alguma capacidade de absorver força ou estabilizar mana. Há relatos não confirmados de peças utilizadas para:

  • sustentar uma ponte durante uma enchente;
  • impedir a expansão de uma Ferida mágica;
  • proteger uma família do desabamento de uma fortaleza;
  • sobreviver intactas no centro de incêndios ou explosões.

Mesmo que o escudo jamais possa ser reconstruído, seus fragmentos poderiam continuar cumprindo parcelas de sua última promessa.

Legado

Égide tornou-se símbolo de governantes que aceitam permanecer entre o povo e a catástrofe. Sua imagem aparece em memoriais da ruptura, ordens defensivas e juramentos de engenheiros responsáveis por muralhas, pontes e barragens.

Uma expressão comum entre soldados bravórios preserva seu princípio:

“Inquebrável não é aquilo que nunca cai, mas aquilo que cai depois de todos os demais estarem seguros.”