Gênese

A Lança da Criação

Gênese é uma das mais poderosas Relíquias da Távola e o instrumento responsável pela ruptura do antigo continente de Teramar. A lança foi entregue a Auren pela Singularidade e criada para concentrar, ordenar e liberar quantidades de mana que nenhum artefato humano conhecido poderia suportar.

Seu título de Lança da Criação não indica um poder dócil. Em Gênese, criar significa impor uma nova forma à realidade. A mesma força capaz de erguer, estabilizar ou transformar pode produzir destruição em escala continental quando utilizada sem controle.

Aparência

Gênese é descrita como uma lança branca, límpida e quase desprovida de ornamentos. Sua haste e sua ponta parecem formadas por fitas estreitas de metal desconhecido, entrelaçadas sem solda ou junção visível.

Quando inativa, as fitas permanecem imóveis. Ao receber mana, separam-se ligeiramente e giram umas ao redor das outras, abrindo espaços preenchidos por luz.

Nas mãos de Auren, a luz era dourada, estável e acompanhada por uma sensação de calma. Nas mãos de Malrik, tornou-se vermelha e errática, despertando medo, agressividade e instinto de sobrevivência nas pessoas próximas.

A dádiva da Singularidade

Relatos antigos afirmam que a Singularidade entregou Gênese a Auren, mas não registram as circunstâncias completas. Textos religiosos tratam o gesto como aprovação de seu destino. Filósofos arcanos sugerem que a lança foi confiada a ele porque sua capacidade de contenção era tão importante quanto sua força.

Fenmael teria advertido que Gênese não deveria ser utilizada por mortais sem preparação excepcional. Mesmo Auren evitava empunhá-la.

Natureza do poder

Gênese recolhe mana do portador, do ambiente e de estruturas mágicas próximas, organiza essa energia e a libera segundo uma forma determinada. Uma manifestação controlada pode ocorrer como feixe, impacto, coluna de luz ou concentração numa área específica.

São atribuídas à lança capacidades como:

  • destruir fortificações, exércitos ou regiões inteiras;
  • perfurar barreiras físicas e mágicas sobrepostas;
  • estabilizar ou alterar grandes fluxos de mana;
  • remodelar terreno;
  • criar estruturas temporárias de energia condensada;
  • servir como eixo para rituais de alcance muito superior ao de um conjurador comum.

Gênese não concede conhecimento automático. Ela executa com poder imenso a intenção e a estrutura fornecidas por quem a utiliza. Uma ordem imprecisa, contraditória ou alimentada por mana instável pode alterar a realidade de maneira imprevisível.

Auren e a contenção

Auren usou Gênese poucas vezes. Mesmo durante as Guerras Aurenianas, preferia Soberana, cuja força já era suficiente para romper castelos.

O rei compreendia que uma vitória obtida com Gênese poderia destruir terras, estradas e comunidades que pretendia governar. Não desejava tornar-se soberano de ruínas.

As raras utilizações atribuídas a ele descrevem precisão e contenção: interromper um fenômeno mágico, abrir passagem através de uma formação impossível ou neutralizar uma ameaça que nenhuma arma comum alcançaria.

O roubo

Durante a Guerra de Sucessão Valdoriana, Gênese foi retirada de Valdória e entregue a Malrik. O príncipe possuía força, mana e sangue capazes de despertar a lança, mas não o domínio necessário para limitar tudo que ela reivindicava ao redor.

Na Batalha do Patricídio, Malrik utilizou Gênese contra Auren. A descarga resultante rompeu os Campos da Travessia, afundou terras, deformou as costas e dividiu Teramar nos continentes hoje conhecidos como Bravória e Dravória.

O cataclismo permanece a maior demonstração conhecida do poder da lança.

Criação e destruição

Estudiosos discutem se Gênese “falhou” nos Campos da Travessia. A interpretação mais aceita entre especialistas arcanos é mais inquietante: a lança funcionou, mas recebeu uma intenção impossível de sustentar com segurança e reorganizou toda a mana disponível para cumpri-la.

Ela não explodiu como uma arma quebrada. Criou uma nova geografia por meio da destruição da anterior.

Paradeiro

Gênese desapareceu durante a ruptura. Expedições procuraram a lança na Baía das Lágrimas, nas ruínas submersas dos Campos e em territórios dos dois continentes. Nenhuma recuperação foi confirmada.

Relatos de luz vermelha sob as águas, formações metálicas brancas e regiões onde a mana parece ser puxada para um ponto invisível surgem ocasionalmente. A maioria resulta de fraude, fenômeno natural ou desejo de encontrar uma explicação simples para cicatrizes deixadas pelo cataclismo.

A possibilidade de que Gênese ainda exista preocupa todos os estudiosos que compreendem sua escala. A lança não é apenas uma arma perdida: é um instrumento capaz de fazer o mundo aceitar uma forma nova.