Batalha do Patricídio
A Batalha do Patricídio foi o confronto final da Guerra de Sucessão Valdoriana, travado nos Campos da Travessia no ano 36 da Era Aureniana.
Durante a batalha, Malrik utilizou a lança Gênese contra seu pai, Auren. A arma liberou energia que o príncipe não conseguiu controlar, afundando a ligação terrestre entre as regiões ocidentais e orientais de Teramar.
O acontecimento encerrou a guerra, destruiu o continente e deu origem a Bravória, Dravória e à atual Baía das Lágrimas.
Informações gerais
| Campo | Informação |
|---|---|
| Data | Ano 36 E.A.; dia exato não consolidado |
| Local | Campos da Travessia |
| Conflito | Guerra de Sucessão Valdoriana |
| Forças principais | Exércitos de Auren e Malrik |
| Relíquia responsável pelo cataclismo | Gênese |
| Mortos de maior destaque | Auren, Malrik e Selma, a Iluminada |
| Resultado político | Colapso do Reino de Valdória |
| Resultado geográfico | Ruptura de Teramar |
O campo de batalha
Os Campos da Travessia eram a principal ligação terrestre entre Valdória e as províncias orientais. Estradas, aldeias, propriedades, fortalezas e postos ocupavam a região.
Sua geografia estreita tornava difícil evitar confronto. Um exército oriental que avançasse sobre a capital precisaria atravessá-la; um exército real que desejasse proteger Valdória precisaria defendê-la.
As forças de Auren
Auren reuniu tropas da Coroa, contingentes vassalos e companheiros da Távola de Valdória.
Seus objetivos eram:
- impedir o avanço de Malrik;
- recuperar Gênese;
- preservar a ligação oriental;
- encerrar a rebelião sem destruir o herdeiro, se ainda fosse possível.
Essa última intenção aparece em crônicas e pode ter limitado decisões militares.
As forças de Malrik
Malrik liderava oficiais, nobres, cidades e tropas que reconheciam sua pretensão. Sua posse de Gênese tornou possível desafiar diretamente o poder de Auren.
Não existe prova de que seus soldados soubessem que a lança poderia destruir a região. Muitos provavelmente acreditavam que a relíquia garantiria vitória rápida e obrigaria o rei a negociar.
A participação da Távola
Registros sobre os companheiros são fragmentários.
- Selma, a Iluminada morreu ao lado de Auren;
- Hélior I teria protegido rotas de evacuação ou combatido próximo ao rei;
- Rowan sobreviveu e posteriormente percorreu os caminhos centrais;
- Alaric sobreviveu e conduziu refugiados ao oeste;
- o destino imediato de Mariana e Erik é incerto;
- Malrik ainda carregava símbolos de seu antigo vínculo com a ordem.
Estados sucessores preservaram versões que favorecem seus fundadores. Nenhuma oferece visão completa do campo.
O confronto entre pai e filho
As narrativas concordam que Auren e Malrik se enfrentaram pessoalmente. Gênese permitiu ao príncipe rivalizar com o pai por algum tempo.
A lança, porém, reagia de forma instável. Fontes descrevem luz vermelha, vibração, fissuras no solo e sensação de violência crescente ao redor do portador.
Não se sabe qual golpe iniciou o cataclismo. Algumas versões afirmam que Malrik tentou liberar todo o poder da arma; outras descrevem Gênese reagindo ao conflito entre sua natureza e a mana do príncipe.
A ruptura
A energia foi liberada quase instantaneamente.
Em poucos momentos:
- a terra se abriu;
- os Campos da Travessia afundaram;
- estradas, fortalezas, propriedades e acampamentos desapareceram;
- ondas atingiram as costas recém-formadas;
- terremotos alcançaram o interior;
- deslizamentos destruíram passagens;
- a ligação entre oeste e leste deixou de existir;
- Gênese desapareceu.
A maior devastação concentrou-se nos Campos e margens próximas. O interior das duas metades sofreu abalos e danos, mas não foi igualmente destruído.
A morte de Malrik
Mesmo ferido pela liberação de Gênese, Auren teria derrotado Malrik em combate singular.
A versão mais aceita afirma que o príncipe morreu no campo. Tradições maldárias preservam relatos diferentes sobre suas últimas palavras, arrependimento ou tentativa de conter a arma, mas nenhum possui confirmação independente.
A morte de Auren
Auren também morreu em consequência dos ferimentos e da energia liberada.
Suas últimas ordens conhecidas teriam sido para proteger sobreviventes, preservar Valdória e resguardar sua família.
Nenhuma fonte contemporânea confiável registra que tenha amaldiçoado o filho. Narrativas posteriores que apresentam condenação formal são consideradas construções religiosas ou políticas.
Selma, a Iluminada
Selma morreu durante a batalha, lutando ao lado do rei e protegendo pessoas atingidas pelo colapso segundo tradições primeranianas.
Sua morte transformou-a em mártir central da Sé Sagrada e marcou a passagem da primeira liderança religiosa para suas sucessoras.
Baixas
Não existe contagem confiável. Milhares de soldados, moradores, trabalhadores, viajantes e refugiados morreram.
Os Campos não eram área militar vazia. A presença de civis explica por que a tragédia é lembrada como destruição de uma região, não apenas derrota de dois exércitos.
Consequências imediatas
- Valdória perdeu o rei e a sucessão;
- o exército real deixou de possuir comando comum;
- a comunicação terrestre com o leste terminou;
- autoridades regionais assumiram funções de emergência;
- a Regência do Trono Vazio foi criada;
- a Baía das Lágrimas ocupou a área destruída;
- as duas metades passaram a desenvolver políticas próprias.
Responsabilidade
Bravória e Dravória concordam que o uso inadequado de Gênese por Malrik foi a causa imediata da ruptura.
Debates persistem sobre:
- responsabilidade de Morgana pelo roubo da lança;
- quanto Malrik compreendia;
- se Auren poderia ter evitado o confronto;
- por que Gênese foi guardada de forma vulnerável;
- por que Fenmael abandonou o campo;
- se alguém pretendia destruir os Campos.
Essas questões não alteram a causa física aceita, mas transformam culpa histórica em tema permanente.
Memória
A batalha é lembrada em cerimônias, canções, tribunais e expressões cotidianas.
“Repetir Malrik” significa utilizar poder que não se compreende. “Escolher a Travessia” pode indicar aceitar confronto do qual nenhuma parte sairá inteira.
Em Valdória, a Memória do Patricídio honra mortos de ambos os exércitos e os civis dos Campos, sem reconhecer a legitimidade da rebelião.
Situação em 947 E.A.
Ruínas permanecem sob a Baía das Lágrimas. Expedições recuperam pedras, armas deformadas e fragmentos de estrada, quase sempre sem valor mágico.
Gênese nunca foi localizada de forma confirmada. A possibilidade de a lança permanecer sob as águas torna a região objeto de vigilância, pesquisa e lendas.