A Regência do Trono Vazio é o governo provisório criado em Valdória após a Batalha do Patricídio para preservar a cidade, a Coroa, os arquivos e as obrigações do antigo Reino de Valdória durante o Interregno de Valdória.
Na prática, ela administra Valdória como uma cidade-Estado autônoma. Juridicamente, exerce apenas a autoridade necessária durante a vacância e não afirma possuir soberania própria.
A Regência não representa um soberano ausente por viagem, menoridade ou enfermidade. Ela guarda um trono cujo próximo ocupante ainda não foi reconhecido.
Informações gerais
| Campo | Informação |
|---|---|
| Fundação | 36 E.A. |
| Sede | Antigo palácio real de Valdória |
| Área de atuação | Governo de Valdória, sucessão, patrimônio real e arquivos |
| Autoridade reivindicada | Continuidade jurídica do Reino de Valdória |
| Limite fundamental | Nenhum regente pode reivindicar a Coroa |
| Regente atual | Cassiano de Norvante, desde 932 E.A. |
| Situação atual | Ativa no ano 947 E.A. |
Fundação
Nos dias posteriores à ruptura de Teramar, os sobreviventes não sabiam ao certo quais membros da família real, conselheiros ou companheiros da Távola de Valdória ainda viviam.
Mensagens não atravessavam a nova Baía das Lágrimas, parte dos arquivos fora perdida e os exércitos remanescentes obedeciam a comandos regionais.
Magistrados, guardiões do palácio, representantes religiosos e oficiais sobreviventes instituíram uma custódia provisória. Seu primeiro compromisso foi não confundir necessidade com direito: administrar Valdória não lhes concederia a Coroa.
Essa custódia recebeu posteriormente o nome de Regência do Trono Vazio.
Mandato
A Regência nasceu com deveres emergenciais e sucessórios:
- manter a ordem e alimentar a população;
- defender a metrópole, suas muralhas e o Porto de Valdória;
- proteger o trono, as insígnias e as propriedades da Coroa;
- conservar genealogias, pactos e arquivos sucessórios;
- investigar pretendentes e preparar eventual reconhecimento;
- representar a continuidade valdoriana perante outros Estados.
Ela administra também parte das terras ao redor do Lago do Destino, mantém memoriais da guerra e responde a pedidos de autenticação de títulos concedidos antes da ruptura.
Estrutura
A autoridade máxima é o Regente do Trono Vazio, escolhido por mandato determinado. Ele dirige o governo, representa a cidade e responde pela custódia da Coroa, mas não pode usar o título de rei, portar a Coroa ou sentar-se no trono.
O Conselho da Coroa Vazia é o principal órgão deliberativo. Reúne magistrados, guardiões dos arquivos, oficiais, administradores, representantes do porto, estudiosos da sucessão e membros de antigas casas valdóricas. Escolhe o Regente, aprova decisões de grande importância e pode iniciar sua remoção.
O Tribunal da Sucessão examina genealogias, casamentos, renúncias, adoções, decretos, testemunhos e sinais mágicos relacionados aos pretendentes. Pode declarar que um candidato satisfaz condições jurídicas, mas não coroá-lo sozinho.
Escolha e juramento
O Conselho da Coroa Vazia escolhe o Regente por mandato determinado. A nomeação só se conclui após o Juramento da Vacância, pronunciado diante do trono vazio:
“Guardarei aquilo que não me pertence. Governarei onde não posso reinar. Deixarei o trono vazio até que aquele que possa ocupá-lo seja reconhecido.”
O Regente não pode tornar seu cargo hereditário, declarar extinto o reino, alterar sozinho as regras sucessórias ou impedir formalmente que as instituições examinem um candidato.
A investigação de pretendentes
Qualquer pessoa pode apresentar uma reivindicação, mas a Regência não a torna pública automaticamente.
O exame considera documentos familiares, testemunhos, compatibilidade cronológica, casamentos, renúncias, sinais mágicos, alianças e intenções do pretendente.
Um candidato deve demonstrar direito derivado da linhagem de Auren, não possuir impedimento formal, receber confirmação das instituições de Valdória e assumir deveres sobre os povos de Bravória e Dravória. O reconhecimento por Alvor ou Soberana é considerado indispensável pela interpretação atualmente dominante.
Mesmo a aceitação por uma espada não eliminaria a resistência política. Provar descendência não basta: a Regência distingue herdeiro de sangue de soberano reconhecível.
Relação com a cidade de Valdória
A Regência é o governo da cidade. Administra impostos, justiça, defesa, comércio, obras públicas, porto, palácio e arquivos por meio de magistraturas e instituições próprias.
Todas as leis utilizam fórmulas de provisoriedade, pois a autoridade é exercida apenas “durante a vacância da Coroa e até o retorno da legítima sucessão”. Assim, Valdória funciona como Estado autônomo sem declarar que a cidade substituiu o antigo reino.
Relação com os Estados modernos
Os Estados de Bravória reconhecem a Regência em graus diferentes. Para alguns, ela é árbitra respeitada de memória e genealogia. Para outros, é apenas uma instituição da cidade de Valdória com pretensões excessivas.
Em Dravória, o reconhecimento é ainda mais desigual. A distância, as tradições políticas próprias e a lembrança da guerra tornam qualquer alegação continental especialmente sensível.
A Regência mantém enviados e correspondentes, mas não possui direito aceito de tributar, legislar ou convocar tropas fora de Valdória.
Cassiano de Norvante
Cassiano de Norvante governa Valdória desde 932 E.A. Jurista sucessório, magistrado, diplomata e antigo integrante do Conselho da Coroa Vazia, promoveu estabilidade financeira, crescimento do porto, restauração do palácio e redução dos confrontos entre pretendentes.
Seus defensores o chamam de Guardião Paciente. Seus críticos, de Rei sem Coroa.
Cassiano sustenta que reconhecer o pretendente errado poderia provocar guerra entre Bravória e Dravória. Opositores o acusam de esconder documentos, atrasar processos, manipular candidaturas e utilizar a prudência para impedir que seu próprio mandato termine. Nenhuma dessas acusações foi comprovada de modo suficiente para removê-lo.
Críticas e suspeitas
Seus críticos apresentam três acusações recorrentes:
- a Regência esconderia genealogias para evitar perder poder;
- seus critérios de reconhecimento seriam impossíveis de cumprir;
- preservar o trono manteria aberta uma reivindicação sobre dois continentes independentes.
Os defensores da instituição respondem que uma coroação precipitada produziria guerra e que abrir todos os arquivos exporia descendentes reais a sequestro, casamento forçado e assassinato.
É provável que ambas as preocupações possuam fundamento.
Símbolos e cerimônias
O principal símbolo é o próprio trono desocupado. O Regente nunca se senta nele e ocupa aposentos administrativos, não os antigos aposentos reais.
O Salão do Trono Vazio permanece preparado para uma eventual sucessão. Sua disposição recorda que toda decisão da Regência é provisória diante de um soberano reconhecido.
No Dia do Soberano de Teramar, a Regência renova o juramento de custódia. A celebração honra a fundação política de Valdória sem declarar que a autoridade de Auren pertence aos regentes.
Importância atual
No ano 947 E.A., a Regência é simultaneamente governo de uma metrópole próspera e guardiã de documentos capazes de alterar genealogias, fronteiras e alianças.
Se surgirem uma linhagem comprovada, uma das espadas reais ou um sinal associado a Auren, a instituição se tornará imediatamente um dos centros políticos mais importantes de Bravória e Dravória.