O Conselho das Cinco Coroas é a instituição responsável por proteger o acordo territorial que permitiu a criação do Alto Reino de Arvandar. Representa as cinco capitais históricas dos Cinco Reis Magos: Ithariel, Syltharion, Oryndalis, Veluthar e Thalmyrion.
O Conselho não deve ser confundido com o Conselho das Folhas Antigas. As Folhas representam linhagens, instituições e antiguidade social; as Cinco Coroas representam territórios, competências regionais e as garantias da unificação.
Origem
Durante as negociações finais de 944 E.A., os antigos reinos recusaram uma integração baseada apenas em promessas pessoais de Caelen I Maeryndor. Um rei elfo pode governar por milênios, mas ainda pode morrer, abdicar ou ser sucedido por alguém que interprete compromissos de forma diferente.
As garantias regionais foram registradas nas Cinco Cartas de Arvandar, e o Conselho foi criado para interpretá-las, registrar violações e negociar qualquer alteração.
Composição
Cada antiga coroa possui uma voz:
- Ithariel: a Coroa de Arvandar ou uma Voz Real nomeada pelo Alto Rei;
- Syltharion: representante da antiga dinastia, atualmente indicado sob influência de Selussa de Syltharion;
- Oryndalis: representante escolhido pelo Conclave das Águas Convergentes;
- Veluthar: representante do Conselho da Muralha Aberta;
- Thalmyrion: representante do Colégio da Abóbada Setentrional.
Cada delegação inclui escribas, juristas, especialistas e observadores das cidades subordinadas. Apenas a voz principal participa da proclamação final de um parecer.
Competências
O Conselho examina questões relacionadas a:
- autonomia regional;
- limites das antigas coroas;
- distribuição de recursos continentais;
- integração militar;
- grandes obras sobre rios, pontes e correntes de sustentação;
- arquivos protegidos pelas Cartas;
- aplicação regional de tratados estrangeiros;
- sucessão de dignidades antigas.
O Conselho não conduz política externa e não comanda diretamente tropas. Essas competências pertencem ao Alto Rei.
O poder de retorno
As Cinco Coroas não possuem veto comum sobre toda decisão real. Entretanto, quando quatro das cinco vozes consideram que um decreto viola as Cartas, podem exercer o poder de retorno.
O decreto retorna à Coroa acompanhado por parecer público e não pode ser aplicado durante uma estação completa. Nesse período, o Alto Rei deve consultar as regiões afetadas e emitir uma segunda proclamação.
Caelen ainda pode manter a decisão, mas fazê-lo transforma uma divergência administrativa em confronto aberto com a base constitucional do reino.
As Cinco Cartas
Carta de Ithariel
Reconhece Ithariel como capital, sede da Coroa e guardiã dos arquivos continentais. Obriga a cidade a fornecer cópias verificáveis às demais coroas quando um documento afetar seus direitos.
Carta de Syltharion
Preserva o Conselho dos Cais Celestes, a administração cotidiana do porto e receitas destinadas à manutenção das plataformas. Tarifas internacionais pertencem à Coroa, mas sua cobrança depende da estrutura local.
Carta de Oryndalis
Exige parecer técnico antes de qualquer alteração permanente em grandes rios, canais ou reservatórios. A Coroa pode rejeitar o parecer, mas não pode alegar desconhecimento das consequências.
Carta de Veluthar
Mantém o comando regional das defesas ocidentais e garante financiamento mínimo às torres de vento. Mobilizações continentais continuam subordinadas ao Alto Rei.
Carta de Thalmyrion
Garante neutralidade dos observatórios, continuidade de financiamento e proteção de arquivos celestes. Certos registros não podem ser removidos da cidade, apenas consultados no local.
Tensões atuais
Ithariel teme que o Conselho transforme concessões de transição em fronteiras permanentes dentro do novo Estado.
Syltharion considera o poder de retorno insuficiente diante da capacidade real de controlar tratados e tarifas.
Oryndalis exige que a Coroa trate água e alimento como infraestrutura continental, não como recursos da capital.
Veluthar acusa Ithariel de financiar diplomacia com maior rapidez que defesa.
Thalmyrion resiste a compartilhar profecias e observações que poderiam provocar pânico ou interferência política.
O Conselho preserva a unidade porque oferece um lugar onde essas disputas podem ocorrer sem que cada antiga coroa volte a agir como Estado soberano.