Ithariel é a capital do Alto Reino de Arvandar, sede da Casa Maeryndor e maior cidade de Aetheryon. Situada no centro do continente, entre cordilheiras, florestas e as principais rotas fluviais, tornou-se o núcleo político, mágico e documental da sociedade élfica.
Durante a época dos Cinco Reis Magos, foi a capital do antigo Reino de Ithariel. A criação de Arvandar, em 944 E.A., elevou-a de centro de uma das cinco coroas à sede de todo o continente. Atualmente, nenhuma cidade reúne tantas instituições, arquivos, embaixadas ou representantes de antigas soberanias.
Ithariel não é a cidade mais aberta de Aetheryon — posição ocupada por Syltharion —, mas é onde as decisões tomadas após o primeiro contato se transformam em leis capazes de alcançar toda a ilha.
“Tudo chega a Ithariel: rios, petições, memórias e problemas que outras cidades prefeririam chamar de locais.”
Informações gerais
| Campo | Informação |
|---|---|
| Nome | Ithariel |
| Estado | Alto Reino de Arvandar |
| Continente | Aetheryon |
| Posição | Região central, entre os altos de Ithariel e a floresta central |
| População aproximada | 430.000 habitantes |
| Povo majoritário | Elfos |
| Função atual | Capital política, arcana, jurídica e documental |
| Função histórica | Capital de um dos cinco reinos dos Reis Magos |
| Dinastia | Casa Maeryndor |
| Soberano | Caelen I Maeryndor |
| Herdeiro | [[Haelyndor |
| Instituições centrais | Conselho das Folhas Antigas e Conselho das Cinco Coroas |
| Tradição mágica histórica | Proteção, memória, direito arcano e sustentação |
| Símbolo urbano | Uma árvore de cinco copas sobre um cristal branco |
Geografia urbana
Ithariel ocupa um amplo vale elevado protegido por montanhas a oeste e norte e por uma extensa floresta a leste. A cidade não foi construída sobre uma única colina. Seus bairros distribuem-se por terraços, afloramentos rochosos e copas de árvores antigas conectadas por pontes vivas.
Dois cursos menores, alimentados pelas nascentes montanhosas, atravessam os limites urbanos e seguem para o sistema fluvial central. Canais desviam parte da água para jardins, reservatórios e estruturas de resfriamento dos grandes cristais.
As rotas terrestres de Veluthar, Oryndalis e Syltharion encontram-se nos arredores da capital. Essa posição tornou Ithariel centro natural de arbitragem muito antes de possuir autoridade continental.
A cidade cresce de forma lenta e concêntrica. Bairros novos não substituem os antigos; são enxertados neles. Uma rua pode atravessar fundações de diferentes eras, subir por dentro de uma árvore e terminar numa plataforma construída milhares de anos depois do início do caminho.
História
Antes dos Cinco Reis
As origens de Ithariel são disputadas. Tradições Maeryndor afirmam que o primeiro assentamento foi fundado por companheiros de Arvandar, o Primeiro. Arqueólogos reconhecem ocupação muito antiga, mas não conseguem confirmar continuidade política tão remota.
A cidade ganhou importância durante o Período dos Quinze Reinos. Sua localização central permitia controlar rotas sem depender de uma única borda, enquanto os altos próximos ofereciam cristais adequados a barreiras e comunicação.
A Guerra dos Quinze Reis
Ithariel foi cercada, tomada e reconstruída em diferentes momentos da longa guerra. Ao contrário de cidades destruídas por grandes conjurações, sobreviveu por desenvolver sistemas que distribuíam ataques mágicos por redes de cristais e raízes.
Os Círculos de Contenção criados nesse período tornaram-se base de sua tradição arcana. A ideia central era simples: nenhuma proteção deveria depender de uma única pessoa, torre ou fonte de energia.
A Guerra das Estrelas
Quando o Povo das Estrelas atacou Aetheryon, os Círculos foram ampliados para receber e distribuir mana entre regiões distantes. Barreiras que anteriormente protegiam bairros ou fortalezas passaram a integrar uma rede capaz de sustentar defesas sobre grandes extensões do continente.
Ithariel tornou-se o núcleo de proteção, memória e estabilidade da coalizão. Seus arquivos coordenavam alterações nos encantamentos, enquanto cristais centrais impediam que ataques contra uma cidade sobrecarregassem toda a rede.
A responsabilidade deu ao soberano de Ithariel enorme influência entre os futuros Cinco Reis. Também fez da cidade o principal depósito de registros militares e fórmulas posteriormente proibidas.
Capital de um Rei Mago
Quando os Cinco Reis Magos encerraram a guerra em 93.202 E.E., Ithariel tornou-se a capital da esfera central. Seu soberano era associado à magia de proteção, memória e sustentação.
Foi em Ithariel que se preservaram cópias dos pactos entre as cinco coroas. A cidade também recebeu o encargo de manter registros sobre qualquer obra capaz de afetar a estabilidade de toda Aetheryon ou reativar armas empregadas na Guerra das Estrelas.
Essa responsabilidade gerou prestígio e desconfiança. Os demais reinos dependiam dos arquivos da cidade, mas temiam que Ithariel controlasse a interpretação do passado.
Ascensão dos Maeryndor
A Casa Maeryndor não governou Ithariel durante toda a sua história. A dinastia alcançou a coroa por sucessão, alianças e reconhecimento de instituições urbanas. Caelen I Maeryndor governa a cidade há 2.076 anos.
Durante seu reinado, Ithariel ampliou influência por meio de arbitragem, casamentos, proteção de rotas e integração acadêmica. Territórios que teriam resistido a uma conquista aceitaram compartilhar tribunais, arquivos e defesas.
A unificação
Em 944 E.A., representantes das antigas coroas reconheceram Caelen como Alto Rei. O juramento ocorreu no Salão das Cinco Copas, diante dos símbolos preservados dos Reis Magos.
A unificação transformou a cidade rapidamente pelos padrões élficos. Embaixadas, delegações, estudantes, pretendentes a cargos e famílias inteiras chegaram em apenas três anos. Edifícios planejados para receber algumas dezenas de visitantes agora atendem milhares.
Governo da cidade
Ithariel é governada diretamente pela Coroa, mas sua administração cotidiana cabe à Custódia das Cinco Copas, composta por magistrados, representantes de bairros, guardiões de infraestrutura e delegados da Casa Maeryndor.
A Custódia cuida de:
- água e canais;
- crescimento de pontes vivas;
- licenças de construção;
- manutenção dos cristais;
- mercados;
- segurança urbana;
- alojamento de delegações;
- preservação dos bairros antigos.
O Alto Rei pode intervir, porém raramente decide questões municipais. O crescimento recente provocou disputas sobre quem deve representar estrangeiros e habitantes sem vínculos com antigas linhagens.
A Coroa e os antigos reinos
Cada antiga capital mantém uma delegação permanente em Ithariel. Esses representantes não são embaixadores estrangeiros, mas também não funcionam como simples funcionários provinciais. Defendem privilégios, apresentam queixas e acompanham decisões que possam reduzir autonomia regional.
O resultado é uma corte na qual toda reforma urbana pode tornar-se questão continental.
Distritos
1. As Cinco Copas
Centro político da cidade, construído ao redor de cinco árvores colossais cujas copas foram conduzidas para entrelaçar-se. Plataformas, salões e jardins suspensos formam a sede da Coroa.
Ali ficam:
- o Palácio Maeryndor;
- o Salão das Cinco Copas;
- câmaras de juramento;
- residências de representantes regionais;
- espaços de audiência do Alto Rei.
A árvore central representa Ithariel. As quatro ao redor foram cultivadas com mudas trazidas das demais capitais históricas após o fim da Guerra dos Quinze Reis.
2. Folhas Antigas
Bairro ocupado pelo Conselho das Folhas Antigas, casas nobres e salões de linhagem. As construções são discretas, antigas e protegidas por pactos de privacidade.
Visitantes costumam confundir silêncio com ausência. Na realidade, decisões capazes de atrasar uma lei por décadas são negociadas em jardins que aparentam estar vazios.
3. Arquivos Profundos
Complexo de bibliotecas, cofres e câmaras de memória construído parcialmente na rocha. Documentos são organizados por era, território, linhagem e validade jurídica.
O nome “Profundos” refere-se tanto à posição quanto à antiguidade. Os níveis inferiores guardam textos da Guerra dos Quinze Reis e registros selados sobre a sustentação continental.
Escribas mantêm versões de consulta separadas dos originais. Alguns documentos só podem ser abertos com autorização conjunta da Coroa, do Conselho e da instituição que os depositou.
4. Círculo dos Cristais
Centro de ensino e manutenção da magia urbana. Oficinas lapidam cristais, testam encantamentos e formam especialistas em redes de sustentação.
O distrito não é uma academia única, mas uma reunião de escolas antigas. Rivalidades sobre métodos podem durar séculos. Desde o contato, estudiosos estrangeiros recebem acesso limitado e sempre acompanhado.
5. Raízes Primeiras
Parte mais antiga ainda habitada. Casas, templos e oficinas encontram-se entre raízes enormes e fundações anteriores à atual dinastia. Ruas não seguem desenho regular, e algumas só podem ser alcançadas quando árvores abrem passagens em horários determinados.
Moradores valorizam autonomia e acusam a Coroa de transformar a cidade em cenário diplomático. Muitos trabalham na manutenção das pontes, jardins e canais.
6. Terraços do Encontro
Distrito de mercados, hospedarias e residências temporárias. Delegações das doze cidades alugam edifícios, enquanto comerciantes negociam permissões antes de seguir para Syltharion ou regiões interiores.
É o setor mais diverso depois do Bairro das Duas Margens. Produtos estrangeiros aparecem primeiro ali, normalmente com preços elevados e grande curiosidade pública.
7. Bairro das Duas Margens
Criado após o primeiro contato para receber embaixadas e comunidades vindas de baixo. O nome refere-se a Aetheryon e ao mundo inferior como margens separadas pelo Mar de Nuvens.
Abriga:
- missões diplomáticas;
- tradutores;
- templos estrangeiros autorizados;
- cozinhas e hospedarias adaptadas a outros povos;
- escritórios de comércio;
- residência de estudiosos visitantes.
Para alguns habitantes, representa o futuro. Para isolacionistas, é uma infiltração cuidadosamente decorada.
8. Jardins da Continuidade
Grande conjunto de parques, memoriais e viveiros. Cada antiga coroa mantém um jardim próprio. Árvores são plantadas para marcar tratados, nascimentos e reconciliações.
Também é o principal espaço público da cidade. Protestos, cerimônias e debates ocorrem ali porque os pactos dos jardins impedem violência deliberada dentro de determinados limites.
Arquitetura
Ithariel combina pedra clara, madeira viva, cristal e folhagem. Edifícios não procuram dominar as árvores; são sustentados, atravessados ou lentamente incorporados por elas.
Os níveis superiores recebem luz e abrigam governo, jardins e residências. Os inferiores concentram arquivos, reservatórios e oficinas que precisam de temperatura constante.
Pontes vivas adaptam largura conforme uso, mas fazem isso lentamente. O aumento repentino de população levou à instalação de plataformas temporárias de madeira comum, solução que muitos consideram feia e necessária.
Infraestrutura mágica
Os Círculos de Contenção distribuem energia entre cristais, árvores e fundações. Eles sustentam:
- iluminação;
- comunicação entre torres;
- controle de temperatura em arquivos;
- barreiras contra incêndio;
- transporte vertical;
- proteção de estruturas centrais.
Essas redes também monitoram tremores. Alterações recentes produziram leituras contraditórias, ainda tratadas como falhas de instrumentos ou efeitos do aumento de uso.
Interferir nos círculos sem licença pode condenar alguém ao exílio e à perda de acesso a instituições mágicas.
Economia
Ithariel vive de administração, conhecimento e serviços especializados. Produz livros, traduções, instrumentos mágicos, obras de arte, tecidos finos e cristais lapidados.
A cidade importa grande parte dos alimentos de Oryndalis, Feyndaril e Veylothen. Metais e bens estrangeiros chegam por Syltharion. A dependência é administrável, mas demonstra que a capital não é autossuficiente.
Desde a unificação, cresceu uma economia de petições, hospedagem, representação jurídica e tradução. Famílias antigas desprezam alguns desses serviços como oportunismo; jovens profissionais veem neles a primeira expansão real de trabalho em séculos.
Sociedade
Ithariel é formal e profundamente consciente de precedentes. Apresentações incluem cidade, instituição, linhagem ou ofício conforme contexto. Estrangeiros costumam interpretar o protocolo como frieza, embora sua função seja permitir que pessoas de tradições diferentes saibam como se relacionar.
O ritmo político é lento. Um projeto pode passar anos em consulta. A criação do Alto Reino e o contato exterior tornaram essa lentidão mais visível e menos sustentável.
As principais correntes urbanas são:
- unificadores: defendem instituições continentais fortes;
- autonomistas: aceitam Arvandar, mas querem preservar competências regionais;
- aberturistas: apoiam intercâmbio com o mundo inferior;
- isolacionistas: desejam restringir presença e tecnologia estrangeiras;
- renovadores: pedem representação para jovens, ofícios e habitantes sem linhagem nobre.
Religião e memória
Templos do Panteão Élfico distribuem-se por toda a cidade. Nenhum domina completamente a vida religiosa. Santuários antigos podem estar ligados a uma única árvore, ponte ou família.
A Cerimônia das Cinco Sombras recorda o fim da Guerra dos Quinze Reis. Cinco luzes são acesas ao redor de uma praça, e cada uma projeta a sombra de uma das árvores centrais. O rito celebra equilíbrio, não vitória.
Desde o ressurgimento das profecias, altares associados às fadas recebem visitantes novamente. Autoridades religiosas evitam declarar que a queda de Aetheryon será física, mas já não tratam a interpretação como absurdo.
Defesa
Ithariel não possui muralhas contínuas. Montanhas, florestas conduzidas, barreiras de ilusão e portões de cristal protegem as rotas de entrada.
A Guarda das Cinco Copas coordena:
- segurança da Coroa;
- defesa dos arquivos;
- contenção de ameaças mágicas;
- mobilização de forças regionais;
- evacuação de distritos elevados.
Sua doutrina procura neutralizar sem destruir. A cidade contém conhecimento e estruturas antigas demais para suportar combates indiscriminados.
Relação com Syltharion
Ithariel governa; Syltharion conecta. Essa divisão sustenta Arvandar e produz rivalidade.
Autoridades da capital consideram necessário controlar tratados, artefatos e circulação de estrangeiros. Comerciantes de Syltharion acusam Ithariel de regular riscos que não compreende e colher impostos sobre oportunidades criadas no porto.
A união entre Haelyndor Maeryndor e Selussa de Syltharion deveria transformar rivalidade em parceria dinástica. O casamento cumpriu parte dessa função, mas o desgaste pessoal entre ambos devolveu importância política às diferenças entre as cidades.
Ithariel em 947 E.A.
Em 947 E.A., Ithariel é uma capital antiga administrando um Estado com apenas três anos. A cidade precisa receber novas instituições, responder a crises externas e convencer antigas coroas de que unificação não significa absorção completa.
Os principais problemas são:
- lotação dos Terraços do Encontro;
- resistência do Conselho a reformas rápidas;
- disputa com Syltharion sobre comércio exterior;
- leituras anormais nos Círculos de Contenção;
- pressão por representação de estrangeiros e jovens;
- rumores sobre a queda anunciada pelas fadas.
Caelen I Maeryndor acredita que Ithariel pode conduzir Aetheryon sem apagar suas diferenças. Seus adversários perguntam se uma cidade acostumada a guardar todas as memórias será capaz de reconhecer quando o passado deixou de oferecer a resposta.