Plákido

Plákido foi o navio comandado por Hugo Navegante na primeira viagem moderna documentada até Aetheryon. Sua chegada a Syltharion, em 6 de Elio de 864 E.A., iniciou o período conhecido como O Reencontro dos Dois Céus.

Natureza

O Plákido era uma embarcação híbrida, capaz de navegar sobre água e sustentar voo por meio de velas, mecanismos arcanos e cristais de flutuação. Não possuía a velocidade de navios celestes modernos, mas sua estrutura resistente permitia sobreviver a condições para as quais não existiam mapas confiáveis.

Seu casco era estreito e reforçado por aros metálicos. Mastros articulados permitiam recolher parte das velas durante tempestades ou passagens entre correntes de mana.

Origem

O Plákido é a embarcação encontrada por Theo Navegante no interior de Kaldren, em 803 E.A. O navio estava muito distante do mar, em terra firme, e apresentava sinais de uma colisão violenta. Sua posição não podia ser explicada por rios, inundações ou antigas mudanças costeiras.

Theo removeu o casco em 804 e o levou para uma região controlada por Navegaria. A decisão permanece controversa em Kaldren, onde muitos consideram que a embarcação foi retirada de uma história que não pertencia a Feris.

Décadas depois, Hugo restaurou o navio e adaptou mecanismos que os estudiosos anteriores não haviam compreendido. Não se sabe quem construiu o casco original, por que ele caiu em Kaldren ou se já possuía capacidade de voo antes das intervenções ferianas.

Preparação para a ascensão

Com apoio de Hélior XI, o navio recebeu:

  • reforço contra gelo e pressão;
  • instrumentos de altitude;
  • reservas adicionais de água e alimento;
  • velas próprias para correntes verticais;
  • cristais capazes de estabilizar o casco;
  • compartimentos isolados para falhas mágicas.

A tripulação também podia fechar partes do convés e operar durante períodos sem referência visual.

A viagem

O Plákido partiu de Porto Poente em 27 de Nevaria de 863. Depois de atravessar o Mar de Nuvens, emergiu diante de Syltharion em 6 de Elio de 864.

Sua estrutura parecia primitiva aos construtores élficos e impossível aos engenheiros das terras abaixo. Essa contradição tornou o navio símbolo de uma ideia recorrente: uma embarcação não precisa ser a mais elegante para alcançar um lugar que ninguém mais tentou procurar.

Depois da expedição

O Plákido realizou a descida e participou de viagens de confirmação, mas não permaneceu indefinidamente em serviço. Danos acumulados e o desenvolvimento de embarcações mais seguras tornaram novas travessias inadequadas.

Atualmente, seu casco preservado encontra-se em Porto Poente. Partes foram substituídas durante restaurações, e estudiosos discutem quanto da embarcação de 864 permanece original.

Durante o Festival da Ascensão Celeste, o navio é aberto a cerimônias e visitas controladas. Uma réplica parcial de seu convés existe no Cais do Primeiro Horizonte, em Syltharion.

Legado

O Plákido tornou-se símbolo de navegação, intercâmbio e ascensão. Seu nome aparece em escolas, companhias, tavernas e instrumentos — nem sempre com autorização de Feris.

Uma frase atribuída à tripulação é repetida em Porto Poente:

“O céu parecia tranquilo apenas porque ninguém havia tentado atravessá-lo.”