A Sé Sagrada é a maior e mais influente instituição da corrente teológica do Meryanismo. Fundada ainda durante as Guerras Aurenianas, ela surgiu como uma pequena comunidade de fiéis e, ao longo dos séculos, transformou-se numa organização religiosa presente em grande parte de Bravória.

Sua autoridade máxima é exercida pela Primaz de Primerânia, que também governa o Estado Sagrado de Primerânia. Não existe separação entre a estrutura da Sé e a do Estado: a hierarquia religiosa é, ao mesmo tempo, a administração política de Primerânia.

Fora das fronteiras primeranianas, entretanto, a Sé atua por meio de templos, escolas, hospitais, missões, ordens militares e comunidades clericais submetidas à mesma autoridade espiritual.

Sua presença é particularmente forte no sul de Bravória, embora existam templos e clérigos meryanistas em praticamente todos os Estados do continente.

A Sé fundamenta sua tradição em duas figuras centrais:

Uma fórmula frequentemente repetida entre os clérigos afirma:

“Selma acendeu a luz. Eleanor construiu a casa que a preservou.”


Fundação

A Sé Sagrada foi fundada em 10 de Coron do ano 4 da Era Aureniana, durante os primeiros anos das Guerras Aurenianas.

O aniversário da fundação é reconhecido em toda Bravória como o Dia da Sé Sagrada, embora a celebração só tenha caráter amplo e generalizado no Estado Sagrado de Primerânia.

Naquele período, o Meryanismo ainda não possuía uma estrutura unificada. Seus primeiros adeptos reuniam-se em pequenos grupos para ouvir os ensinamentos de Selma, prestar auxílio aos feridos, distribuir alimentos e acompanhar as forças que lutavam ao lado de Auren.

Nem todos os seguidores de Meryan apoiavam a criação de uma religião organizada.

Alguns acreditavam que a fé deveria permanecer baseada em comunidades independentes, sem sacerdócio formal ou autoridade central. Outros temiam que uma instituição rígida acabasse substituindo a experiência espiritual pela obediência administrativa.

Selma defendia que a fé precisava de alguma organização para sobreviver à guerra, preservar seus ensinamentos e proteger os mais vulneráveis.

A primeira Sé era pouco mais que uma comunidade religiosa itinerante, composta por:

  • curandeiros;

  • combatentes;

  • escribas;

  • cozinheiros;

  • mensageiros;

  • refugiados;

  • pregadores;

  • pessoas dedicadas à distribuição de suprimentos.

Seus membros acompanhavam exércitos, tratavam feridos e estabeleciam pequenos locais de culto nas regiões atravessadas pelas forças aurenianas.


Selma, a Iluminada

Selma, a Iluminada foi a primeira líder da Sé Sagrada e é reconhecida como a principal fundadora do Meryanismo.

Sua autoridade não derivava de título formal, linhagem ou eleição. Era sustentada por sua devoção, por sua capacidade de reunir seguidores e por sua proximidade com os acontecimentos que deram origem à fé.

Selma não era apenas uma pregadora ou curandeira. Era também uma combatente.

Durante as Guerras Aurenianas, lutou ao lado de Auren e auxiliou diretamente suas forças. Essa característica tornou-se fundamental para a identidade posterior da Sé.

Para os meryanistas, Selma demonstrou que fé, cura e combate não são obrigações incompatíveis. Proteger os feridos e enfrentar aqueles que ameaçam a comunidade podem ser partes do mesmo dever.

A tradição primeraniana resume sua visão da seguinte forma:

“A mão que fecha uma ferida pode ser a mesma que ergue um escudo.”

Selma morreu no ano 36 E.A., durante a Batalha do Patricídio, combatendo ao lado de Auren.

Sua morte encerrou a primeira fase da história da Sé.


Os anos iniciais

Durante o reinado de Auren, a Sé Sagrada permaneceu uma instituição relativamente pequena e situada às margens da sociedade.

O novo reino enfrentava guerras, revoltas, reconstrução e disputas sucessórias. Nesse contexto, a comunidade de Selma era apenas uma entre muitas organizações religiosas, militares e assistenciais que surgiram durante o conflito.

A própria Sé não possuía:

  • território;

  • grande riqueza;

  • reconhecimento jurídico amplo;

  • templos monumentais;

  • método formal de sucessão;

  • hierarquia clerical consolidada.

Sua importância vinha principalmente de sua atuação prática.

Os primeiros clérigos atendiam soldados, refugiados e comunidades destruídas pelas guerras. Em diversas regiões, o primeiro contato da população com o Meryanismo ocorreu por meio de alimentos, abrigo e atendimento médico, não por pregação formal.

A Sé alinhou-se politicamente a Auren durante a guerra civil iniciada por Malrik.

Essa decisão teria consequências profundas depois da Batalha do Patricídio e da divisão de Teramar entre Bravória e Dravória.


O interregno

A morte de Selma deixou a Sé sem liderança definida.

Não existia um método formal para escolher sua sucessora. Selma tampouco havia indicado alguém para ocupar sua posição.

Diferentes comunidades reconheceram autoridades locais, e alguns clérigos defenderam que ninguém deveria substituir Selma.

Durante aproximadamente cinco anos, a Sé permaneceu num período conhecido como Interregno da Luz Ausente.

Não houve dissolução completa da instituição. Templos, curandeiros e comunidades continuaram atuando, mas sem uma autoridade universalmente reconhecida.

O período foi marcado por:

  • divergências doutrinárias;

  • perda de registros;

  • disputas entre comunidades;

  • dificuldade para coordenar missões;

  • abandono de alguns assentamentos;

  • redução das doações;

  • surgimento de interpretações concorrentes dos ensinamentos de Selma.

Ao final do interregno, tornou-se evidente que a Sé não sobreviveria como instituição unificada sem uma sucessão reconhecida.

As principais comunidades concordaram que a nova líder deveria ser uma mulher considerada espiritualmente elevada e capaz de preservar a herança de Selma.

A escolhida foi Eleanor I de Alvorada.


Eleanor I de Alvorada

Eleanor pertencia a uma família nobre de Alvorada e era conhecida por sua extrema devoção a Meryan.

A natureza exata de sua relação com Selma varia conforme as fontes. Alguns registros a descrevem como discípula direta. Outros afirmam que ela só teria conhecido Selma durante os últimos anos das Guerras Aurenianas.

O que é amplamente aceito é que Eleanor possuía prestígio suficiente para reunir as diferentes comunidades meryanistas.

Ela assumiu a liderança da Sé por volta do ano 41 E.A., encerrando o interregno.

Eleanor não recebeu inicialmente o título de Primaz. A designação foi consolidada posteriormente, quando sua autoridade religiosa passou também a assumir funções políticas e territoriais.

Por isso, ela é reconhecida retrospectivamente como Eleanor I, primeira Primaz de Primerânia.


Os anos de Eleanor

Eleanor recebeu uma instituição empobrecida, fragmentada e espalhada por um continente que acabara de ser fisicamente dividido.

Como a Sé havia lutado ao lado de Auren, a maior parte de seus templos, seguidores e propriedades encontrava-se no território que passaria a ser chamado de Bravória.

As comunidades que permaneceram em Dravória tornaram-se mais isoladas e, em alguns casos, passaram a depender de missões enviadas do oeste.

Eleanor estabeleceu sua base no sul de Bravória, nos arredores de sua cidade natal, Alvorada.

Durante sua liderança, foram organizados:

  • os primeiros critérios formais de ordenação;

  • a hierarquia clerical;

  • os votos religiosos;

  • os registros de templos;

  • a formação militar obrigatória;

  • a administração das doações;

  • as primeiras missões permanentes;

  • os fundamentos do futuro Conselho das Cinco;

  • grande parte dos dogmas institucionais da Sé.

Eleanor foi responsável por transformar a devoção a Meryan numa religião organizada e duradoura.


A herança de Eleanor

Eleanor era filha única e herdou grande parte da riqueza e das propriedades de sua família.

Em vez de preservar as terras como patrimônio pessoal, vendeu grande parte das posses físicas herdadas de seu pai.

Uma parcela dos recursos foi utilizada para adquirir terrenos menores em diferentes regiões de Bravória. Esses locais serviriam como base para:

  • templos;

  • hospitais;

  • escolas;

  • casas de peregrinos;

  • postos de estrada;

  • depósitos;

  • comunidades clericais.

A maior parte da fortuna, contudo, foi destinada à construção da sede central da Sé.

Essa sede recebeu o nome de Jardim da Primeira Semente.

O nome fazia referência à ideia de que a fé de Selma havia sobrevivido como uma única semente após a destruição de Valdória e precisava ser cultivada para voltar a crescer.


Jardim da Primeira Semente

O Jardim da Primeira Semente é o maior templo do Meryanismo e a sede central da Sé Sagrada.

Apesar do nome, não se trata apenas de um jardim ou mosteiro. É um vasto complexo religioso, administrativo e cerimonial localizado no interior da cidade de Primerânia.

O complexo inclui:

  • o grande templo central;

  • a residência da Primaz;

  • o Salão das Cinco Chamas;

  • os principais arquivos da Sé;

  • tribunais superiores;

  • escolas teológicas;

  • alojamentos clericais;

  • hospitais;

  • pátios cerimoniais;

  • túmulos de antigas Primazes;

  • espaços destinados à ordenação e investidura.

É no Jardim que uma nova Primaz recebe sua autoridade e onde o Conselho das Cinco se reúne durante uma sucessão.

Para os meryanistas, o local representa a continuidade entre Selma e Eleanor: a inspiração espiritual da primeira e a obra institucional da segunda.


Formação de Primerânia

O Jardim da Primeira Semente foi construído numa região ainda pouco urbanizada.

Com o passar dos anos, trabalhadores, clérigos, peregrinos, comerciantes e famílias começaram a se estabelecer ao redor do complexo.

Surgiram:

  • hospedarias;

  • mercados;

  • oficinas;

  • moradias;

  • escolas;

  • hospitais;

  • armazéns;

  • quartéis;

  • pequenas propriedades agrícolas.

O assentamento cresceu progressivamente até se tornar a cidade de Primerânia.

À medida que a Sé assumia responsabilidade pela segurança, abastecimento e justiça da população, a própria hierarquia religiosa passou a funcionar como governo local.

Esse processo deu origem ao Estado Sagrado de Primerânia.

Assim, a cidade não precedeu o principal templo. Primerânia cresceu ao redor do Jardim da Primeira Semente e recebeu dele sua importância.


Sé e Estado

Não existe distinção institucional entre a Sé Sagrada e o Estado Sagrado de Primerânia.

A Primaz de Primerânia é simultaneamente:

  • líder religiosa da Sé;

  • chefe de Estado;

  • comandante superior das forças primeranianas;

  • autoridade máxima sobre os clérigos;

  • dirigente das missões estrangeiras;

  • principal representante diplomática do Meryanismo.

As divisões administrativas da Sé exercem também funções governamentais dentro de Primerânia.

Tribunais religiosos administram a justiça. Ordens clericais defendem as cidades. Administradores ordenados supervisionam impostos, estradas, portos e hospitais.

O Estado não controla a Sé, nem a Sé aconselha um governo civil independente.

Ambos são uma única instituição.


Hierarquia

A hierarquia superior da Sé é composta pela Primaz, pelas Altas Clérigas e pelo restante do clero ordenado.

Primaz de Primerânia

A Primaz de Primerânia é a autoridade máxima do Meryanismo organizado.

O cargo é sempre ocupado por uma mulher e não é hereditário.

A Primaz é escolhida pelo Conselho das Cinco entre as Altas Clérigas de Meryan.

Altas Clérigas de Meryan

O título de Alta Clériga é exclusivo de mulheres e concedido diretamente pela Primaz.

As Altas Clérigas podem comandar:

  • cidades;

  • ordens militares;

  • tribunais;

  • grandes templos;

  • missões;

  • hospitais;

  • instituições de ensino.

As cinco mais antigas formam o Conselho das Cinco.

Ao receber o título, uma Alta Clériga deve abandonar prazeres considerados capazes de competir com sua dedicação à Sé.

Esses votos incluem abstinência de:

  • relações sexuais;

  • casamento;

  • bebidas intoxicantes;

  • substâncias recreativas;

  • jogos de azar;

  • luxo excessivo.

Clérigos de Meryan

Homens e mulheres podem tornar-se clérigos.

O restante do clero não está necessariamente sujeito aos votos de abstinência das Altas Clérigas. Clérigos comuns podem casar, constituir família e consumir bebidas dentro dos limites permitidos pela doutrina.

Podem atuar como:

  • sacerdotes;

  • curandeiros;

  • professores;

  • soldados;

  • marinheiros;

  • magistrados;

  • administradores;

  • diplomatas;

  • escribas;

  • missionários.


Ordenação

A ordenação é o processo pelo qual uma pessoa passa a integrar formalmente o clero de Meryan e a hierarquia da Sé.

Qualquer pessoa pode buscar a ordenação, independentemente de sexo, origem social, riqueza ou Estado de nascimento.

A formação inclui:

  • doutrina;

  • história;

  • leitura;

  • escrita;

  • primeiros socorros;

  • disciplina;

  • administração;

  • treinamento físico;

  • uso de armas;

  • defesa de comunidades.

O candidato deve demonstrar fé, capacidade de serviço e disposição para responder à autoridade da Sé.

A ordenação não é apenas religiosa. Ela estabelece também um vínculo jurídico e militar com Primerânia.


Juramento clerical

O clero reconhece a autoridade da Sé acima de vínculos políticos quando recebe uma convocação legítima.

O juramento tradicional afirma:

“Servirei à luz de Meryan antes do meu conforto, à Sé antes da minha ambição e ao chamado antes da terra onde nasci. Curarei quando houver feridos, ensinarei quando houver ignorância e lutarei quando a luz precisar de defesa.”

Um clérigo pode nascer e viver em qualquer Estado. Entretanto, quando convocado pela Primaz, deve responder ao chamado mesmo que a missão contrarie os interesses de sua terra natal.

Essa obrigação inclui conflitos nos quais Primerânia enfrente o Estado de origem do clérigo.

A recusa pode ser considerada:

  • quebra do juramento;

  • abandono da ordenação;

  • insubordinação;

  • deserção religiosa.

Essa doutrina é uma das principais fontes do poder supranacional da Sé.

Também é uma das maiores causas de desconfiança entre governos estrangeiros.


Formação militar

Todos os clérigos recebem treinamento militar.

Nem todos servem permanentemente como soldados, mas qualquer pessoa ordenada deve ser capaz de:

  • utilizar ao menos uma arma;

  • manter uma formação;

  • defender um templo;

  • proteger civis;

  • marchar;

  • sobreviver em campanha;

  • prestar auxílio em combate;

  • obedecer a uma cadeia de comando.

A doutrina não considera essa militarização contraditória com a fé.

Selma morreu lutando ao lado de Auren. Seu exemplo estabeleceu que a defesa dos inocentes e da comunidade é parte do serviço a Meryan.

Templos da Sé frequentemente mantêm:

  • arsenais;

  • enfermarias;

  • depósitos;

  • rotas de evacuação;

  • torres;

  • pátios de treinamento.


Ordens da Sé

A Sé organiza parte de seus membros em ordens especializadas.

Algumas são dedicadas a:

  • defesa costeira;

  • assistência médica;

  • missões estrangeiras;

  • guarda de relíquias;

  • ensino;

  • diplomacia;

  • proteção de peregrinos;

  • combate;

  • navegação;

  • resgate.

As ordens não são instituições independentes.

Todas estão submetidas à Primaz e podem ser reorganizadas, mobilizadas ou dissolvidas pela autoridade superior da Sé.

Algumas possuem atuação restrita a Primerânia. Outras mantêm casas e postos em diferentes regiões de Bravória.


Templos fora de Primerânia

A Sé possui templos em grande parte de Bravória.

Essas instituições podem variar desde grandes complexos urbanos até pequenas casas religiosas em comunidades rurais.

Além da adoração, os templos frequentemente oferecem:

  • educação;

  • tratamento médico;

  • abrigo;

  • alimentação;

  • mediação de conflitos;

  • proteção;

  • registros de nascimento e morte;

  • auxílio a viajantes.

Os templos permanecem sujeitos à autoridade de Primerânia, mesmo quando localizados dentro de outros Estados.

Seus clérigos devem respeitar as leis locais em assuntos ordinários, desde que essas leis não entrem em conflito direto com o juramento religioso.


Presença no sul de Bravória

A influência da Sé é particularmente forte no sul de Bravória.

Essa presença deriva:

  • da origem meridional de Eleanor;

  • da localização de Alvorada e Primerânia;

  • das primeiras propriedades adquiridas pela Sé;

  • das rotas de peregrinação;

  • da atuação de hospitais e missões;

  • da proximidade com regiões afetadas pelas antigas guerras.

Em algumas áreas, os templos meryanistas são as instituições mais antigas ainda em funcionamento.

Mesmo governos que não compartilham integralmente da doutrina da Sé reconhecem sua importância social e diplomática.


Missões em Dravória

A divisão de Teramar deixou diversas comunidades meryanistas do outro lado das novas fronteiras.

Desde os anos de Eleanor, a Sé envia missões para Dravória.

Essas missões podem incluir:

  • pregadores;

  • curandeiros;

  • escoltas;

  • professores;

  • soldados;

  • engenheiros;

  • administradores;

  • diplomatas.

Seus objetivos variam entre assistência, evangelização, proteção de comunidades e intervenção armada.

Primerânia afirma possuir obrigação de proteger fiéis e inocentes independentemente das fronteiras.

Críticos acusam a Sé de utilizar as missões para expandir influência política.

A Sé não nega que sua presença produza influência, mas rejeita a ideia de que isso torne a missão ilegítima.


Diplomacia

A Sé Sagrada atua frequentemente como mediadora entre os Estados de Bravória.

Sua autoridade religiosa permite que suas representantes participem de:

  • negociações de paz;

  • trocas de prisioneiros;

  • disputas sucessórias;

  • tratados;

  • juramentos;

  • missões humanitárias;

  • funerais de governantes;

  • resolução de conflitos religiosos.

A influência do Meryanismo torna um conflito direto contra Primerânia politicamente difícil.

Governantes que atacassem a sede da Sé poderiam enfrentar resistência de seus próprios súditos e clérigos.

Por isso, Primerânia raramente entra em guerra aberta com seus vizinhos.


Defesa marítima

Embora mantenha relações relativamente estáveis em terra, a Sé enfrenta frequentes incursões vindas do mar.

Saqueadores atacam:

  • templos costeiros;

  • comunidades pesqueiras;

  • peregrinos;

  • armazéns;

  • navios;

  • pequenas cidades.

Essa ameaça tornou o Estado Sagrado altamente militarizado.

Clérigos participam da defesa costeira, e muitas comunidades civis recebem treinamento básico para evacuação e resistência.

As forças da Sé mantêm torres, muralhas, frotas de patrulha e postos de sinalização ao longo do litoral.


Doutrina de serviço

A Sé ensina que a fé deve manifestar-se por meio do serviço.

Esse serviço pode assumir diferentes formas:

  • curar;

  • ensinar;

  • alimentar;

  • proteger;

  • administrar;

  • mediar;

  • lutar.

Uma pessoa que proclama devoção, mas se recusa a auxiliar a comunidade, é vista como alguém que compreendeu apenas a aparência da fé.

A luz de Meryan não deve ser contemplada de maneira passiva. Deve ser levada até onde existe sofrimento, ignorância ou ameaça.


Doutrina da força

A Sé não considera toda violência justificável.

A força deve possuir propósito reconhecido pela doutrina.

É aceita principalmente quando empregada para:

  • defender inocentes;

  • proteger comunidades;

  • impedir perseguições;

  • resgatar pessoas;

  • preservar templos;

  • garantir uma retirada;

  • combater forças consideradas inimigas da luz.

A violência motivada por ambição, prazer, vingança ou conquista pessoal é condenada.

Na prática, determinar onde termina a defesa e começa a expansão é uma das principais controvérsias internas da instituição.


Símbolos

Os símbolos mais comuns da Sé incluem:

  • a semente;

  • a chama;

  • a mão aberta;

  • a lâmina iluminada;

  • o escudo;

  • a lamparina;

  • cinco luzes reunidas.

A semente representa a fé preservada após a morte de Selma.

A chama representa a iluminação de Meryan.

A lâmina e o escudo representam a obrigação de defender a luz.

O número cinco está associado ao Conselho das Cinco e à continuidade da instituição.


Vestes

As vestes clericais variam conforme função, ordem e região.

Cores claras, especialmente branco e dourado, são comuns em cerimônias.

Clérigos militares utilizam vestes mais resistentes, frequentemente combinadas com armaduras, mantos ou faixas que identificam sua função.

Altas Clérigas possuem símbolos próprios de sua posição, mas não seguem necessariamente um único modelo de vestimenta no cotidiano.

A Primaz utiliza o Manto da Semente durante cerimônias de grande importância.


Ritos principais

Entre os principais ritos da Sé estão:

Ordenação

Marca a entrada formal no clero e o reconhecimento da autoridade da Sé.

Elevação

Cerimônia na qual uma clériga recebe o título de Alta Clériga e pronuncia seus votos de abstinência.

Investidura da Primaz

Realizada no Jardim da Primeira Semente após a eleição conduzida pelo Conselho das Cinco.

Vigília de Selma

Celebração dedicada à memória da fundadora e dos que morreram protegendo a fé.

Acendimento da Primeira Luz

Cerimônia associada à fundação da Sé e à preservação de seus ensinamentos.


Educação e assistência

A Sé administra escolas, hospitais e instituições de auxílio em diferentes regiões.

A educação oferecida pelos templos inclui:

  • leitura;

  • escrita;

  • aritmética;

  • história;

  • doutrina;

  • primeiros socorros;

  • noções de defesa.

Os hospitais atendem clérigos e civis.

Em muitas comunidades pequenas, a presença da Sé representa o único acesso regular a médicos, professores e registros escritos.

Essa atuação contribuiu tanto para sua popularidade quanto para seu poder político.


Financiamento

A Sé é sustentada por:

  • doações;

  • propriedades;

  • produção agrícola;

  • taxas religiosas;

  • comércio;

  • trabalho das ordens;

  • contribuições de templos estrangeiros;

  • peregrinações.

Templos espalhados por Bravória enviam parte de seus recursos para Primerânia.

Essas contribuições mantêm:

  • o Jardim da Primeira Semente;

  • hospitais;

  • escolas;

  • missões;

  • forças armadas;

  • obras públicas do Estado Sagrado.

Os bens pertencem formalmente à Sé, não aos clérigos individualmente.

A utilização de recursos religiosos para enriquecimento pessoal é considerada crime grave e violação espiritual.


Correntes internas

A Sé Sagrada não é politicamente uniforme.

Entre seus membros existem diferentes interpretações sobre quais aspectos da missão meryanista devem receber prioridade.

As principais tendências defendem:

  • preservação doutrinária;

  • expansão missionária;

  • intervenção militar;

  • assistência social;

  • diplomacia;

  • defesa costeira;

  • educação;

  • autonomia dos templos estrangeiros.

Essas correntes não constituem religiões separadas, mas influenciam decisões, nomeações e disputas sucessórias.

O atual Conselho das Cinco reflete muitas dessas divergências.


Relação com outras correntes meryanistas

Embora seja o maior expoente organizado do Meryanismo, a Sé não representa necessariamente todos os que seguem Meryan.

Existem comunidades independentes, tradições locais e grupos que rejeitam parte da hierarquia primeraniana.

Alguns descendem dos primeiros adeptos que se opunham à criação de uma religião centralizada.

A Sé considera a maior parte desses grupos como irmãos afastados, desde que não neguem princípios fundamentais da fé.

Movimentos considerados heréticos podem sofrer condenação formal, proibição ou intervenção.


Críticas

A Sé é admirada por sua atuação em educação, cura, mediação e proteção.

Também recebe críticas por:

  • concentrar grande poder na Primaz;

  • excluir civis do governo primeraniano;

  • reservar os cargos superiores a mulheres;

  • exigir lealdade acima da terra natal;

  • mobilizar clérigos estrangeiros;

  • intervir em Dravória;

  • manter ordens militares;

  • acumular terras e riqueza;

  • utilizar sigilo em decisões internas.

Seus defensores respondem que a Sé não teria sobrevivido por tantos séculos sem disciplina, propriedade, autoridade e capacidade de defesa.


A Sé na atualidade

No ano 947 da Era Aureniana, a Sé Sagrada é liderada por Lara I, veterana de campanhas militares e conhecida como a Primaz da Muralha.

Sob seu governo, a instituição ampliou:

  • a defesa costeira;

  • o treinamento do clero;

  • as missões em Dravória;

  • a capacidade de convocação;

  • os registros de clérigos estrangeiros;

  • as reservas militares.

A idade avançada de Lara torna a futura sucessão uma questão cada vez mais discutida dentro da hierarquia.

As cinco integrantes do Conselho representam diferentes caminhos para a instituição.

A próxima Primaz poderá aprofundar a militarização, reforçar a diplomacia, priorizar a assistência ou buscar maior equilíbrio entre essas funções.

Apesar dessas divergências, a Sé continua unida por uma convicção fundamental:

A fé de Meryan não existe apenas para iluminar quem já se encontra seguro.

Ela deve alcançar os feridos, orientar os perdidos e, quando necessário, erguer-se entre a comunidade e aquilo que pretende destruí-la.