Os elfos são o povo mortal com os registros contínuos mais antigos conhecidos de Basiris. Seus primeiros registros preservados antecedem até mesmo as estimativas mais remotas para as sociedades pré-históricas de Anões e Gnomos. Povos de natureza feérica, como as Fadas, não são incluídos nessa classificação histórica.

São naturais de Aetheryon, onde surgiram após deixarem a misteriosa Terra das Fadas. A natureza exata dessa passagem permanece incerta. As tradições élficas não concordam se ela representou uma migração física, um exílio, uma transformação ou a travessia entre diferentes formas de existência.

Com vidas que normalmente se estendem entre 9.000 e 12.000 anos, os elfos percebem história, mudança e identidade de maneira profundamente diferente dos povos de vida curta. Suas instituições podem permanecer praticamente inalteradas durante séculos, enquanto decisões políticas importantes exigem gerações inteiras para serem aceitas.

Até a chegada do Plákido a Aetheryon, em 864 E.A., os elfos não possuíam confirmação da existência de civilizações abaixo das nuvens. Havia mitos, especulações e tradições fragmentadas, mas nenhum contato comprovado.

Os primeiros elfos a estabelecer residência em Bravória chegaram durante o retorno do Plákido. Eram principalmente estudiosos, comerciantes e representantes governamentais de Aetheryon.

No ano 947 E.A., elfos continuam extremamente raros fora de seu continente natal.

“Para os povos breves, a mudança é inevitável. Para os elfos, ela precisa primeiro sobreviver a mil anos de discussão.”


Informações gerais

Nome formal: Povo Elfo
Nome comum: elfos
Origem: Terra das Fadas
Terra natal atual: Aetheryon
Antiguidade: povo mortal com os registros contínuos mais antigos conhecidos de Basiris
Maioridade social: aproximadamente aos 100 anos
Longevidade comum: entre 9.000 e 12.000 anos
Desenvolvimento físico: semelhante ao humano durante a infância, desacelerando posteriormente
Fertilidade: extremamente baixa
Número comum de filhos: um ou dois durante toda a vida
Gestação: entre um e dois anos
Afinidade mágica: sensibilidade natural combinada com tradição cultural
Compatibilidade reprodutiva conhecida: humanos
Presença fora de Aetheryon: extremamente rara
Primeiro contato confirmado com o mundo abaixo: 864 E.A.


Origem

Os elfos não se consideram originalmente naturais de Aetheryon.

Segundo suas tradições mais antigas, seus ancestrais vieram da Terra das Fadas, nome dado em Basiris ao plano também chamado Feywild. Os registros mais antigos não descrevem com clareza como os primeiros elfos deixaram esse lugar, e nenhuma rota de retorno é conhecida publicamente.

A origem planar compartilhada não torna elfos e fadas parentes próximos. Fadas e elfos são espécies completamente distintas, com funcionamento biológico próprio; o vínculo conhecido entre elas é a procedência do mesmo plano e a convivência posterior em Aetheryon.

As fontes utilizam termos que podem ser traduzidos como:

  • partida;

  • queda;

  • travessia;

  • despertar;

  • exílio;

  • nascimento.

Essas palavras não são equivalentes no idioma élfico antigo e deram origem a diferentes interpretações históricas e religiosas.

Depois da saída da Terra das Fadas, os elfos apareceram em Aetheryon. Quando os primeiros registros claros foram produzidos, já existiam comunidades élficas estabelecidas no continente.


Natureza e alma

Tradições religiosas divergem sobre a alma dos elfos, assim como divergem sobre a alma de todos os povos. Não existe evidência de que elfos possuam uma categoria metafísica de alma separada ou superior à humana.

Sua longevidade, o transe, a relação com a memória e outras diferenças conhecidas resultam do funcionamento biológico e mágico da espécie. Religiões podem atribuir significado espiritual a essas características, mas essa interpretação não altera sua origem natural.


Antiguidade

Os elfos possuem os registros históricos mais antigos conhecidos.

Alguns documentos élficos antecedem as estimativas mais remotas relacionadas às primeiras comunidades anãs e gnômicas. Mesmo ruínas consideradas pré-históricas por estudiosos de Bravória são recentes diante de determinados arquivos de Aetheryon.

Essa antiguidade não permite determinar quando os elfos surgiram.

Os primeiros documentos já descrevem:

  • cidades;

  • tradições;

  • disputas;

  • instituições;

  • sistemas mágicos;

  • linhagens antigas.

Portanto, mesmo os elfos desconhecem a totalidade de sua própria origem.

Os períodos anteriores aos registros mais antigos são tratados por meio de mitos, reconstruções e fragmentos preservados da Terra das Fadas.


Aetheryon

Aetheryon é a terra natal dos elfos desde os registros mais antigos conhecidos.

Por milênios, seus habitantes acreditaram que o continente representava a totalidade do mundo habitável ou, ao menos, a única região capaz de sustentar civilizações comparáveis às suas.

Aetheryon é uma ilha-continente suspensa acima das nuvens e permaneceu isolada dos continentes inferiores durante praticamente toda a história registrada.

Esse isolamento permitiu o desenvolvimento de:

  • culturas próprias;

  • instituições extremamente antigas;

  • tradições mágicas complexas;

  • línguas preservadas por milênios;

  • uma percepção histórica sem equivalente entre os povos abaixo.

Também produziu profundo conservadorismo social.

Uma lei, costume ou instituição pode existir por milhares de anos e ainda ser lembrada por pessoas que presenciaram sua criação.


Aparência

Elfos possuem estrutura corporal semelhante à humana, mas tendem a ser mais esguios.

Sua altura geralmente varia entre 1,65 e 2 metros.

Entre suas características mais comuns estão:

  • orelhas alongadas;

  • traços faciais finos;

  • pouca pilosidade corporal;

  • barbas extremamente raras;

  • movimentos precisos;

  • corpos leves, sem serem necessariamente frágeis.

Existe grande diversidade de:

  • tons de pele;

  • cores de cabelo;

  • cores de olhos;

  • formatos faciais;

  • constituições físicas.

As diferenças associadas a elfos solares, lunares, silvestres, estelares e outras identidades não formam povos biologicamente separados.

Elas resultam principalmente de:

  • cultura;

  • região;

  • vestuário;

  • penteados;

  • adornos;

  • tatuagens;

  • práticas mágicas;

  • pequenas variações formadas por isolamento prolongado.

Todos pertencem biologicamente ao mesmo povo.


Desenvolvimento físico

Durante a infância, elfos desenvolvem-se em ritmo relativamente próximo ao humano.

Aprendem a:

  • andar;

  • falar;

  • ler;

  • interagir socialmente;

durante os primeiros anos de vida.

Depois desse período inicial, o desenvolvimento desacelera.

Um elfo pode possuir aparência semelhante à de um adolescente humano durante décadas, apesar de acumular educação e experiência muito superiores às esperadas para alguém com essa aparência.

A maturidade física é alcançada antes da maioridade social.


Maioridade

A maioridade social costuma ser reconhecida por volta dos 100 anos.

Essa idade não representa o momento em que o corpo se torna biologicamente adulto. Ela indica que o indivíduo acumulou experiência suficiente para assumir responsabilidades independentes dentro de uma sociedade élfica.

Antes dessa idade, um elfo pode:

  • estudar;

  • trabalhar;

  • viajar;

  • praticar magia;

  • servir instituições;

  • exercer funções limitadas.

Ainda assim, costuma permanecer sob alguma forma de orientação familiar, acadêmica ou institucional.

Entre povos de vida curta, elfos com poucas décadas podem ser tratados como adultos devido à aparência e às capacidades demonstradas. Em Aetheryon, porém, continuam sendo considerados jovens.


Longevidade

Elfos vivem normalmente entre 9.000 e 12.000 anos.

A longevidade excepcional é tão difícil de determinar que as próprias fontes élficas discordam sobre os indivíduos mais antigos.

Alguns registros descrevem pessoas com idade superior a 12.000 anos, mas nem sempre é possível distinguir:

  • idade biológica;

  • períodos de suspensão mágica;

  • erros de calendário;

  • títulos transmitidos;

  • figuras míticas;

  • múltiplos indivíduos confundidos como uma única pessoa.

Mesmo uma vida élfica comum atravessa períodos que, para os humanos, abrangeriam o surgimento e desaparecimento de civilizações inteiras.


Envelhecimento

Elfos mantêm aparência jovem durante a maior parte da vida.

Depois de alcançar a maturidade física, mudanças visíveis tornam-se extremamente lentas.

Durante milhares de anos, o envelhecimento pode manifestar-se apenas por:

  • pequenas alterações no rosto;

  • redução gradual da vitalidade;

  • mudanças na textura dos cabelos;

  • movimentos mais cuidadosos;

  • necessidade maior de repouso.

A velhice física evidente costuma concentrar-se nos últimos séculos.

Nesse período, o corpo envelhece com maior rapidez, embora ainda de forma lenta quando comparado aos humanos.

Os sinais podem incluir:

  • cabelos esbranquiçados;

  • rugas profundas;

  • perda de força;

  • enfraquecimento dos sentidos;

  • dificuldade de recuperação;

  • maior sensibilidade à magia e ao ambiente.


Sono e transe

Elfos podem dormir normalmente ou entrar em estado de transe.

O transe é uma forma de repouso consciente durante a qual o corpo relaxa enquanto parte da mente permanece ativa.

Durante esse período, o elfo pode:

  • organizar memórias;

  • recordar acontecimentos;

  • realizar exercícios mentais;

  • contemplar experiências;

  • perceber parcialmente o ambiente.

Nem todos os elfos utilizam o transe da mesma maneira.

Alguns preferem dormir, especialmente durante:

  • períodos de doença;

  • exaustão;

  • estresse;

  • recuperação mágica.

O hábito também varia entre culturas.


Fertilidade

A fertilidade élfica é extremamente baixa.

A maioria dos elfos possui um ou dois filhos ao longo de toda a vida.

Muitos não possuem nenhum.

Famílias com três ou mais filhos são extraordinariamente raras e podem tornar-se conhecidas por várias gerações.

A baixa natalidade resulta de uma combinação de fatores biológicos e culturais.

Biologicamente:

  • concepções são pouco frequentes;

  • os intervalos férteis são longos;

  • gestações exigem grande esforço;

  • perdas são difíceis de compensar.

Culturalmente:

  • a decisão de ter um filho é tratada como compromisso milenar;

  • relacionamentos podem levar séculos para se consolidar;

  • muitos adiam a parentalidade;

  • mudanças sociais e econômicas são avaliadas por longos períodos.

A baixa natalidade não é interpretada necessariamente como crise por todas as culturas élficas, mas o declínio populacional tornou-se uma preocupação crescente.


Gestação

A gestação élfica dura normalmente entre um e dois anos.

A duração varia entre indivíduos e pode ser influenciada por:

  • saúde;

  • idade;

  • condições mágicas;

  • ambiente;

  • ancestralidade familiar.

A gestação é acompanhada com grande atenção devido à raridade dos nascimentos.

Em muitas comunidades, ela mobiliza não apenas os pais, mas linhagens inteiras e instituições locais.


Infância e criação

Crianças élficas são extremamente protegidas.

Seu nascimento é considerado responsabilidade:

  • dos pais;

  • da família extensa;

  • da linhagem;

  • da comunidade.

A criação costuma ser coletiva, embora os progenitores mantenham papel central.

Uma criança pode ser acompanhada por:

  • avós;

  • ancestrais muito mais antigos;

  • tutores;

  • mestres;

  • representantes familiares;

  • guardiões comunitários.

Essa proteção pode tornar-se excessiva.

Jovens elfos frequentemente acusam as gerações mais antigas de:

  • controlar suas decisões;

  • limitar viagens;

  • prolongar dependências;

  • tratar riscos comuns como ameaças intoleráveis.

Como uma família pode esperar séculos ou milênios por um novo nascimento, a perda de uma criança é vista como tragédia de proporções imensas.


Família e linhagem

Famílias élficas formam redes extensas que atravessam milênios.

Uma linhagem pode reunir pessoas separadas por dezenas ou centenas de gerações humanas.

Diferentemente das famílias humanas, muitas linhagens élficas possuem membros capazes de recordar diretamente:

  • fundadores;

  • antigas disputas;

  • casamentos históricos;

  • mudanças territoriais;

  • criação de tradições;

  • promessas feitas há milênios.

A autoridade familiar não pertence necessariamente à pessoa mais velha.

Pode depender de:

  • função;

  • experiência;

  • prestígio;

  • responsabilidade;

  • posição institucional.

Ainda assim, indivíduos muito antigos possuem influência considerável.


Casamentos e relacionamentos

Relacionamentos élficos podem durar milhares de anos.

Isso não significa que sejam necessariamente permanentes.

Separações, novos vínculos e diferentes formas de união existem, mas são analisados dentro de escalas temporais muito maiores.

Um namoro de cinquenta anos pode ser considerado recente.

Um casamento de quinhentos anos pode ainda estar consolidando suas tradições familiares.

A longevidade também permite que indivíduos mudem profundamente ao longo de uma relação. Dois elfos podem tornar-se pessoas bastante diferentes depois de alguns milênios.


Memória

Elfos possuem memória excepcional para acontecimentos antigos, mas não perfeita.

Podem recordar eventos ocorridos há milhares de anos com impressionante detalhe, especialmente quando associados a:

  • emoções;

  • lugares;

  • pessoas;

  • música;

  • magia;

  • rituais.

Entretanto, suas memórias continuam sujeitas a:

  • distorção;

  • omissão;

  • esquecimento;

  • reconstrução;

  • influência cultural;

  • confusão entre lembrança e interpretação.

Um elfo pode recordar exatamente as palavras pronunciadas numa discussão ocorrida há três mil anos e, ainda assim, interpretar incorretamente as intenções dos envolvidos.


Transe e memória

O transe é frequentemente utilizado para organizar lembranças.

Elfos podem revisitar eventos antigos, mas esse processo não funciona como uma reprodução perfeita.

A memória é reconstruída.

Cada vez que uma lembrança é contemplada, ela pode ser alterada pela experiência posterior.

Por isso, duas pessoas élficas presentes no mesmo acontecimento podem conservar versões profundamente diferentes mesmo após milênios.


Identidade e continuidade

Elfos mudam pouco ao longo da vida quando comparados aos povos de vida curta.

Personalidade, profissão, lealdade e posição social tendem a apresentar grande continuidade.

Um elfo pode dedicar milhares de anos a:

  • um ofício;

  • uma escola;

  • uma instituição;

  • uma pesquisa;

  • uma função política.

Mudanças profundas são possíveis, mas incomuns.

Quando acontecem, costumam ser resultado de:

  • trauma;

  • descoberta;

  • crise religiosa;

  • transformação mágica;

  • contato com outra cultura;

  • ruptura política.

Essa continuidade ajuda a preservar instituições, mas também dificulta reformas.

Uma pessoa que ajudou a criar uma lei pode ainda estar viva milênios depois para defendê-la.


Magia

Elfos possuem sensibilidade natural à magia.

Mesmo indivíduos sem treinamento costumam perceber:

  • alterações no ambiente mágico;

  • encantamentos próximos;

  • mudanças em fluxos arcanos;

  • presença de determinados fenômenos sobrenaturais.

Essa sensibilidade não concede domínio automático.

A prática exige:

  • estudo;

  • disciplina;

  • talento;

  • tradição.

Aetheryon também possui instituições mágicas extremamente antigas, o que amplia ainda mais a associação entre elfos e magia.

Sua afinidade resulta, portanto, da combinação entre biologia e cultura.


Magia em Aetheryon

A magia está integrada a diversas partes da vida élfica.

Ela pode ser empregada em:

  • arquitetura;

  • cultivo;

  • transporte;

  • comunicação;

  • medicina;

  • preservação;

  • arte;

  • registro histórico.

Muitas técnicas foram aperfeiçoadas durante milênios.

Isso não significa que todos os elfos sejam conjuradores.

Grande parte da população utiliza apenas objetos ou estruturas mágicas produzidas por especialistas.


Dependência de Aetheryon

Ainda não se sabe se a longevidade e a natureza mágica dos elfos dependem da permanência em Aetheryon.

O contato com o mundo abaixo das nuvens começou apenas em 864 E.A.

No ano 947 E.A., o elfo que permaneceu por mais tempo fora do continente não poderia ter vivido longe de Aetheryon por mais de 83 anos.

Para um povo cuja vida ultrapassa nove milênios, esse período é insuficiente para observar mudanças significativas.

Existem hipóteses de que elfos fora de Aetheryon possam:

  • envelhecer mais rapidamente;

  • perder sensibilidade mágica;

  • apresentar mudanças na fertilidade;

  • sofrer alterações psicológicas;

  • permanecer completamente inalterados.

Nenhuma dessas possibilidades foi comprovada.


Descendência híbrida

Entre as combinações conhecidas, elfos conseguem gerar descendentes apenas com humanos.

Mesmo essa compatibilidade parece baixa.

Pouquíssimos indivíduos híbridos nasceram desde o início do contato entre Aetheryon e os continentes inferiores.

Como o contato possui apenas 83 anos, todos os meio-elfos conhecidos ainda são muito jovens.

Não se sabe com segurança:

  • quanto viverão;

  • como envelhecerão;

  • quais características mágicas preservarão;

  • como serão reconhecidos pelas sociedades élficas.

Qualquer afirmação sobre longevidade híbrida permanece especulativa.

Os poucos registros de descendência, contudo, demonstram que meio-elfos podem ser férteis. Nos casos conhecidos, a criança de um meio-elfo com um humano nasceu humana; a criança de um meio-elfo com um elfo nasceu elfa; e a união entre dois meio-elfos gerou outra criança meio-elfa.

A quantidade de casos é pequena demais para estabelecer frequências ou exceções. Até o presente, não surgiu uma população meio-elfa que se reproduza como povo separado das comunidades humanas e élficas.


Meio-elfos

O termo meio-elfo é utilizado para pessoas com um progenitor humano e outro elfo.

Sua aparência varia.

Podem apresentar:

  • orelhas alongadas;

  • traços faciais intermediários;

  • constituição mais próxima da humana;

  • baixa pilosidade;

  • sensibilidade mágica;

  • desenvolvimento físico incomum.

Os poucos indivíduos existentes possuem, no máximo, aproximadamente 83 anos.

Meio-elfos não são considerados uma espécie independente. Sua descendência conhecida acompanha o outro progenitor quando este é humano ou elfo e permanece meio-elfa quando ambos os progenitores são meio-elfos.

Portanto, ainda não é possível determinar se uma pessoa meio-elfa nessa idade é:

  • criança;

  • adolescente;

  • jovem adulta;

  • biologicamente próxima de um humano;

  • biologicamente próxima de um elfo.

Essa incerteza provoca debates jurídicos e familiares.


O mundo abaixo das nuvens

Antes da chegada do Plákido, os elfos possuíam mitos sobre terras abaixo das nuvens.

Algumas histórias falavam de:

  • oceanos infinitos;

  • continentes inferiores;

  • povos breves;

  • cidades perdidas;

  • uma antiga queda do mundo.

Essas narrativas eram tratadas principalmente como:

  • mitologia;

  • alegoria;

  • especulação filosófica;

  • memória distorcida da Terra das Fadas.

Não existia confirmação.

O aparecimento de uma embarcação vinda do mundo inferior transformou essas histórias numa questão histórica e política concreta.


A chegada do Plákido

A chegada do Plákido a Aetheryon, em 864 E.A., provocou simultaneamente:

  • medo;

  • curiosidade acadêmica;

  • crise religiosa;

  • entusiasmo comercial;

  • contenção militar;

  • conflito político.

Alguns grupos defenderam que a embarcação deveria ser isolada.

Outros desejavam estudar imediatamente seus tripulantes e sua tecnologia.

Instituições religiosas reinterpretaram antigos mitos.

Autoridades políticas discutiram se o contato representava:

  • ameaça;

  • oportunidade;

  • retorno de uma ligação perdida;

  • violação da ordem natural.

A descoberta de civilizações inteiras abaixo das nuvens tornou impossível preservar a antiga visão do mundo.


Contato oficial

O contato inicial foi cuidadosamente controlado.

Os primeiros intercâmbios envolveram:

  • linguistas;

  • estudiosos;

  • cartógrafos;

  • representantes governamentais;

  • comerciantes autorizados.

Em 870 E.A., acordos permitiram o estabelecimento de comércio mais livre entre Aetheryon e os povos abaixo.

Mesmo assim, viagens continuaram raras e politicamente sensíveis.


Elfos em Bravória

Elfos são extremamente raros em Bravória.

Os primeiros chegaram durante o retorno do Plákido.

Eram principalmente:

  • estudiosos;

  • comerciantes;

  • diplomatas;

  • representantes governamentais;

  • observadores.

Muitos permaneceram apenas temporariamente.

Aqueles que decidiram chamar Bravória de lar constituem uma parcela mínima da população.

Para a maioria dos bravórios, encontrar um elfo pessoalmente continua sendo acontecimento incomum.


Adaptação fora de Aetheryon

Elfos que vivem em Bravória enfrentam diferenças profundas na percepção do tempo.

Uma instituição humana pode mudar completamente durante uma única missão diplomática élfica.

Um comerciante que interrompe suas atividades por algumas décadas pode retornar e descobrir que:

  • seus parceiros morreram;

  • a empresa foi vendida;

  • as leis mudaram;

  • os herdeiros desconhecem os acordos originais.

Por isso, elfos que lidam com povos de vida curta precisam adaptar-se a ritmos que consideram extremamente rápidos.


Casa Saelyndor

A Casa Saelyndor representa um caso excepcional de integração élfica.

Tornou-se a primeira e única casa élfica admitida entre a nobreza do Grão-Ducado de Aramonte.

Seu reconhecimento, em 944 E.A., ocorreu depois de:

  • grandes pagamentos;

  • concessão de empréstimos;

  • financiamento de obras públicas;

  • transferência de tecnologias;

  • extensas negociações políticas.

A casa não representa uma presença aristocrática élfica ampla.

Sua posição permanece excepcional, recente e controversa.

A possibilidade de um mesmo titular permanecer no Conselho dos Pares de Aramonte por milênios causa preocupação entre casas humanas, anãs, halflings e gnômicas.


Relação com povos de vida curta

A atitude dos elfos diante de povos de vida curta varia conforme experiência e cultura.

Alguns demonstram paternalismo e tratam humanos, halflings e outros povos como crianças passageiras.

Outros os veem como povos rápidos e intensos, capazes de realizar em poucas décadas mudanças que sociedades élficas evitariam durante séculos.

Elfos com maior convivência aprendem a reconhecer indivíduos como adultos plenos, mesmo que considerem difícil acompanhar:

  • sucessões;

  • mortes;

  • mudanças de opinião;

  • alterações políticas.

Uma amizade com um humano pode ocupar apenas uma pequena fração da vida élfica, mas isso não significa que seja pouco importante.


Tradição

Elfos são normalmente muito apegados à tradição.

Mudanças sociais são poucas e lentas.

Isso ocorre porque:

  • criadores de costumes continuam vivos;

  • consequências são avaliadas por séculos;

  • instituições possuem enorme continuidade;

  • memória pessoal compete com interpretações novas.

Uma proposta de reforma pode ser debatida por várias gerações humanas antes de ser adotada.

Para os elfos, esse ritmo pode parecer responsável.

Para os povos breves, pode parecer paralisia.


Política

A política élfica opera em escalas temporais longas.

Planos podem ser elaborados para:

  • séculos;

  • milênios;

  • períodos posteriores à vida de povos inteiros.

Alianças antigas continuam relevantes porque seus signatários podem ainda estar vivos.

Rivalidades também podem persistir durante milênios.

Isso torna a política élfica estável, mas não necessariamente pacífica.

Conflitos raramente desaparecem apenas com a passagem do tempo.


Preconceitos contra elfos

Arrogantes

A antiguidade e a longevidade fazem com que elfos sejam frequentemente vistos como arrogantes.

Alguns realmente tratam os demais povos como historicamente imaturos.

Outros apenas possuem dificuldade para ocultar a diferença de perspectiva.


Frios

Elfos podem parecer emocionalmente distantes.

Uma das razões é que vínculos com povos breves inevitavelmente terminam cedo sob sua perspectiva.

Alguns desenvolvem cautela para evitar perdas constantes.

Isso não significa ausência de emoção.

Uma relação de poucas décadas pode marcar um elfo por milênios.


Lentos

A tomada de decisões élficas é frequentemente considerada excessivamente lenta.

Elfos podem analisar uma questão durante anos antes de agir.

Em situações urgentes, essa tendência torna-se perigosa.


Sem senso de urgência

Elfos têm dificuldade para compreender problemas que precisam ser resolvidos dentro de dias, meses ou poucos anos.

Uma espera de dez anos pode parecer insignificante para eles e catastrófica para uma sociedade humana.

Esse é um dos principais obstáculos diplomáticos entre Aetheryon e os continentes inferiores.


Elfos na atualidade

No ano 947 E.A., o contato entre elfos e os povos abaixo das nuvens possui apenas 83 anos.

Para humanos, esse período abrange uma vida inteira.

Para elfos, representa pouco mais que o início de uma conversa.

Aetheryon ainda debate:

  • extensão do comércio;

  • imigração;

  • presença diplomática;

  • transmissão de tecnologia;

  • riscos culturais;

  • efeitos do mundo inferior sobre os elfos.

Do lado de Bravória, elfos ainda são vistos como figuras raras, estrangeiras e frequentemente misteriosas.

Nenhum dos lados teve tempo suficiente para compreender verdadeiramente o outro.

Os elfos vivem tempo suficiente para ver continentes, governos e culturas tornarem-se irreconhecíveis. Entretanto, sua própria sociedade demonstra enorme resistência à transformação.

A chegada do Plákido colocou diante deles algo que milênios de tradição não haviam preparado para enfrentar: a descoberta de que o mundo sempre foi maior que sua memória.