Terra das Fadas
A Terra das Fadas é o nome pelo qual os povos de Basiris se referem ao plano chamado Feywild em tradições arcanas e traduções estrangeiras. Ela aparece nos relatos mais antigos sobre a origem dos elfos, das fadas e das mouras, embora nenhum desses povos seja considerado uma variação biológica do outro.
O plano é descrito como um mundo de natureza abundante, magia viva e territórios cuja realidade depende menos de leis universais do que da vontade das criaturas capazes de dominá-los.
Apesar da frequência com que aparece em mitos e genealogias, a existência da Terra das Fadas não produziu uma cartografia aceita nem um método público de acesso.
Nomes e traduções
Terra das Fadas não é necessariamente o nome utilizado por seus habitantes. É uma denominação criada pelos povos de Basiris para reunir expressões antigas como:
- bosque eterno;
- reino sem estrada;
- outro lado da primavera;
- domínio feérico;
- terra anterior ao exílio;
- Feywild.
Textos élficos mais antigos empregam palavras diferentes conforme a época, a escola filosófica e a região de Aetheryon. Essa variedade explica por que alguns estudiosos do passado acreditaram estar diante de vários lugares distintos.
Natureza do plano
As descrições preservadas apresentam a Terra das Fadas como um plano dividido em domínios. Cada domínio seria profundamente influenciado pela fada que exerce maior autoridade sobre ele.
Essa influência poderia alterar:
- duração e ordem das estações;
- velocidade da passagem do tempo;
- distância entre lugares;
- aparência do céu;
- comportamento de plantas e animais;
- força de nomes, promessas e emoções.
Por isso, dois relatos sinceros podem descrever leis incompatíveis. Em um território, uma noite pode durar meses; em outro, uma viagem de muitos dias pode terminar antes do pôr do sol. Para os estudiosos, essa contradição dificulta separar metáfora, exagero e fenômeno planar.
Passagens
Não existe em Basiris um portal público, estável e reconhecido para a Terra das Fadas. Também não há registro acadêmico de uma expedição que tenha partido, retornado e apresentado provas suficientes para ser repetida.
Contos populares atribuem a travessia a:
- círculos de pedras;
- caminhos percorridos numa estação impossível;
- portas abertas mediante convite;
- bosques que mudam de lugar;
- promessas feitas diante de uma fada;
- acidentes em noites de grande atividade lunar.
Alguns estudiosos suspeitam que certas fadas conheçam passagens e se recusem a revelá-las. Essa hipótese é plausível, mas permanece impossível de comprovar: as fadas raramente respondem de maneira direta quando interrogadas sobre o assunto.
Elfos, fadas e mouras
As tradições élficas afirmam que os primeiros elfos chegaram a Aetheryon vindos da Terra das Fadas. Relatos feéricos atribuem ao mesmo plano a origem remota das fadas e mouras.
Compartilhar um lugar de origem, contudo, não transforma esses povos numa única espécie. Elfos e fadas possuem naturezas biológicas distintas, enquanto mouras pertencem ao povo feérico e apresentam uma condição mágica e hereditária própria.
As fontes não esclarecem se os ancestrais élficos e feéricos partiram juntos, em épocas diferentes ou por acontecimentos completamente separados.
Os astros e a tradição feérica
Algumas tradições de Aetheryon afirmam que Titania, Selis e Doran habitam a Terra das Fadas e que o Sol e as luas visíveis são manifestações de sua existência em outro plano.
Outras escolas defendem que os astros são seus corpos verdadeiros, domínios que elas carregam ou estruturas materiais governadas por fadas celestes. Nenhuma expedição alcançou o Sol ou qualquer uma das luas, e a astronomia atual não consegue decidir entre essas interpretações.
Assim, a afirmação de que os astros são manifestações extraplanares pertence à tradição feérica e não ao conhecimento comprovado.
Conhecimento atual
A maior parte do que se sabe sobre a Terra das Fadas provém de poemas, textos religiosos, memórias élficas incompletas e depoimentos atribuídos a fadas. Seu papel na origem de diferentes povos é amplamente aceito em Aetheryon, mas sua geografia, seus habitantes atuais e suas formas de acesso permanecem desconhecidos.
Na prática, a Terra das Fadas é simultaneamente um lugar tratado como real e um território sobre o qual quase nenhuma afirmação pode ser verificada.