Fadas

As fadas são um povo feérico antigo associado à magia, às profecias e à misteriosa Terra das Fadas. Por sua natureza e pela ausência de uma cronologia contínua comparável à dos povos mortais, elas não são incluídas quando historiadores descrevem os elfos como o povo mortal de registros mais antigos. Durante grande parte da história conhecida, sua existência foi tratada de maneiras profundamente diferentes acima e abaixo das nuvens.

Em Aetheryon, as fadas fizeram parte da sociedade local desde antes dos registros élficos mais antigos. Embora nunca tenham demonstrado interesse duradouro pela política dos reinos, mantinham relações com comunidades, estudiosos, famílias e instituições élficas.

Há aproximadamente dois mil anos, porém, desapareceram completamente de Aetheryon.

Pouco antes de seu desaparecimento, diversas fadas passaram a anunciar profecias sobre a queda da ilha e uma grande peregrinação rumo a uma terra chamada Avalon.

Nos continentes abaixo das nuvens, relatos de fadas começaram a surgir aproximadamente na mesma época. Desde então, são descritas principalmente por crianças, viajantes solitários e habitantes de regiões afastadas. Nenhuma fada se apresentou formalmente aos Estados aurenianos, e nenhuma evidência aceita pelas instituições acadêmicas foi produzida.

Essa coincidência levou estudiosos a sugerir que as fadas não desapareceram, mas abandonaram Aetheryon e passaram a viver ocultas abaixo das nuvens.

As chamadas mouras não constituem um povo biologicamente separado. São fadas que compartilham uma condição mágica reversível e hereditária, ao redor da qual surgiram culturas, vestimentas, costumes e formas próprias de relacionar-se com outros povos.

“As fadas não desapareceram. Apenas foram para um lugar onde ainda não aprendemos a procurá-las.”


Informações gerais

Nome comum: fadas
Natureza: povo mágico antigo
Origem tradicional: Terra das Fadas
Presença histórica confirmada: Aetheryon
Presença abaixo das nuvens: não confirmada academicamente
Desaparecimento de Aetheryon: aproximadamente dois mil anos atrás
Destino anunciado: Avalon
Relação com os elfos: anterior aos registros élficos mais antigos
Participação política: historicamente limitada
Mouras: condição feérica reversível e identidade cultural, não espécie distinta
Conhecimento atual: fragmentário e contraditório


Origem

A origem das fadas é desconhecida.

As tradições mais antigas de Aetheryon afirmam que elas vieram da Terra das Fadas, nome dado pelos povos de Basiris ao plano também chamado Feywild. O mesmo lugar é associado à origem remota dos elfos, embora fadas e elfos sejam espécies completamente distintas.

Não está claro se os dois povos deixaram esse plano juntos.

Alguns registros sugerem que as fadas já habitavam Aetheryon quando os primeiros elfos apareceram. Outros descrevem ambos os povos como participantes de uma única peregrinação ancestral.

As fontes mais antigas utilizam expressões que podem ser traduzidas como:

  • a passagem;

  • o despertar;

  • a partida do bosque eterno;

  • a travessia sem estrada;

  • a primeira perda.

Nenhuma dessas expressões fornece uma explicação histórica clara.

A identificação da Terra das Fadas como outro plano é hoje a interpretação mais difundida. Isso não significa que sua localização ou suas formas de acesso sejam conhecidas. As fadas nunca ofereceram uma explicação aceita universalmente, e relatos sobre passagens permanecem impossíveis de verificar.


Fadas e elfos

Fadas e elfos conviveram em Aetheryon durante milhares de anos.

Essa convivência não significava integração completa.

As fadas mantinham comunidades próprias e raramente buscavam participar diretamente de:

  • governos;

  • sucessões;

  • disputas territoriais;

  • burocracias;

  • campanhas militares.

Ainda assim, faziam parte da vida cotidiana de várias regiões.

Podiam atuar como:

  • curadoras;

  • intérpretes de presságios;

  • guardiãs de lugares;

  • artistas;

  • mediadoras;

  • conselheiras;

  • preservadoras de tradições antigas.

Algumas famílias élficas mantinham relações com as mesmas comunidades feéricas durante milênios.

Essas relações podiam assumir formas de amizade, troca, juramento ou obrigação.


Distância da política

A recusa das fadas em participar da política élfica não significava neutralidade completa.

Elas podiam:

  • favorecer comunidades;

  • abandonar determinados territórios;

  • recusar auxílio;

  • oferecer advertências;

  • proteger lugares considerados importantes.

Entretanto, raramente aceitavam cargos ou títulos.

Quando questionadas sobre essa distância, registros élficos atribuem a elas respostas como:

“Reinos são árvores plantadas por quem não pretende ver a floresta.”

Não é possível confirmar se a frase pertence a uma fada específica ou se foi criada posteriormente por autores élficos.


Natureza mágica

Fadas são descritas como profundamente ligadas à magia.

Essa ligação parece ser natural, não apenas resultado de estudo.

Registros de Aetheryon atribuem a elas capacidades relacionadas a:

  • ilusão;

  • transformação;

  • ocultação;

  • sonhos;

  • emoções;

  • natureza;

  • deslocamento entre lugares;

  • percepção de possibilidades futuras.

Não se sabe se todas possuíam essas capacidades.

A literatura élfica frequentemente mistura indivíduos reais, figuras religiosas e personagens folclóricas, dificultando separar características biológicas de exageros posteriores.


Aparência

A aparência das fadas apresenta grande variação.

Registros antigos descrevem figuras humanoides de diferentes tamanhos, desde pessoas pouco menores que humanos até seres suficientemente pequenos para repousar sobre uma mão.

Não se sabe se essa variação representa:

  • diferenças naturais;

  • culturas distintas;

  • transformações mágicas;

  • formas escolhidas;

  • erros de interpretação.

Características frequentemente atribuídas às fadas incluem:

  • orelhas alongadas;

  • traços delicados;

  • olhos de cores incomuns;

  • pouca pilosidade;

  • movimentos leves;

  • marcas luminosas;

  • asas.

As asas não aparecem em todos os registros.

Algumas fadas são descritas com asas semelhantes às de:

  • insetos;

  • aves;

  • folhas;

  • luz;

  • vidro.

Outras não apresentam asas e ainda assim demonstram capacidade de voo ou deslocamento sobrenatural.


Forma e transformação

Diversos documentos afirmam que fadas podiam alterar a própria aparência.

Essas alterações variavam desde pequenas mudanças até transformações completas.

Uma fada poderia aparentar:

  • outra idade;

  • outra altura;

  • outro rosto;

  • características animais;

  • ausência de asas;

  • aparência semelhante à de outro povo.

Isso torna difícil determinar sua forma original.

Alguns estudiosos élficos defendiam que as fadas não possuíam uma única forma verdadeira. Outros afirmavam que as transformações eram apenas ilusões.

Nenhuma das hipóteses pôde ser comprovada.


Longevidade

A longevidade das fadas é desconhecida.

Determinadas figuras aparecem em registros separados por milhares de anos com o mesmo nome e aparência.

Isso pode indicar:

  • vidas extremamente longas;

  • imortalidade;

  • transmissão de nomes;

  • títulos coletivos;

  • erro histórico;

  • indivíduos diferentes confundidos entre si.

Nem mesmo os elfos conseguiram estabelecer um ciclo de vida feérico confiável.

Existem registros de crianças fadas, adultos e anciãs, mas não se sabe quanto tempo cada etapa dura.

Algumas tradições afirmam que fadas não envelhecem pelo tempo, mas pelas promessas que fazem, pelos lugares que perdem ou pelas mudanças que testemunham.

Essa explicação é considerada poética por muitos estudiosos, embora talvez não seja inteiramente metafórica.


Nascimento e família

Pouco se sabe sobre a reprodução das fadas.

Registros élficos mencionam:

  • crianças;

  • mães;

  • irmãs;

  • avós;

  • linhagens;

  • casas.

Entretanto, esses termos podem ter significados diferentes dos utilizados por elfos e humanos.

Os registros concordam em um ponto: a condição feérica da mãe é transmitida à criança. Uma criança nascida de uma fada nasce fada; uma criança nascida de uma moura nasce moura. Essa herança não impede transformações posteriores entre as duas condições.

Uma família feérica poderia ser formada por:

  • parentesco biológico;

  • juramentos;

  • pertencimento a um lugar;

  • tradição compartilhada;

  • afinidade mágica.

Algumas crianças pareciam ser criadas por comunidades inteiras.

Outras eram apresentadas como filhas de bosques, rios, estrelas ou estações.

Não se sabe se essas descrições eram literais, religiosas ou simbólicas.


Profecias

Fadas eram conhecidas por fazer profecias.

Essas declarações raramente assumiam a forma de previsões diretas.

Normalmente apareciam como:

  • poemas;

  • canções;

  • enigmas;

  • histórias;

  • advertências;

  • imagens;

  • sonhos compartilhados.

A interpretação frequentemente ocorria apenas depois que o acontecimento já havia começado.

Isso levou críticos a afirmar que as profecias eram vagas o suficiente para se adaptar a qualquer resultado.

Outros observavam que algumas continham detalhes difíceis de explicar como coincidência.


O desaparecimento

Há aproximadamente dois mil anos, as fadas desapareceram de Aetheryon.

O processo não ocorreu necessariamente num único momento.

Registros indicam que:

  • comunidades abandonaram antigos assentamentos;

  • indivíduos encerraram compromissos;

  • lugares sagrados foram deixados vazios;

  • contatos se tornaram menos frequentes;

  • mensagens passaram a mencionar uma futura partida.

Depois de um período relativamente curto, não restou nenhuma comunidade feérica conhecida em Aetheryon.

Não existem relatos confiáveis de:

  • batalhas;

  • epidemias;

  • expulsões;

  • mortes em massa.

As fadas aparentemente partiram por vontade própria.


A queda da ilha

Nos anos anteriores ao desaparecimento, fadas começaram a falar sobre a queda de Aetheryon.

As profecias mencionavam:

  • céu rompido;

  • raízes sem terra;

  • cidades descendo através das nuvens;

  • estrelas abaixo dos pés;

  • povos do alto encontrando povos esquecidos;

  • uma ilha que precisaria abandonar o céu.

A interpretação dessas palavras permanece controversa.

Alguns elfos acreditam que preveem uma queda física de Aetheryon.

Outros defendem que representam:

  • colapso político;

  • perda da magia;

  • fim do isolamento;

  • transformação cultural.

A chegada do Plákido em 864 E.A. levou muitos estudiosos a reinterpretar as profecias como anúncio do contato com o mundo abaixo.


A peregrinação

As fadas também falavam de uma peregrinação.

Segundo os registros, partiriam em direção a uma terra chamada Avalon.

Avalon era descrita como:

  • terra além da última margem;

  • ilha que não aparece em mapas;

  • lugar onde a noite não termina;

  • refúgio para aquilo que o mundo deixou de reconhecer;

  • destino anterior à própria viagem.

Não se sabe se Avalon é:

  • um território físico;

  • um plano;

  • uma cidade;

  • uma região abaixo das nuvens;

  • outro nome para a Terra das Fadas.

Nenhuma expedição élfica encontrou evidência de sua localização.


Fadas abaixo das nuvens

Nos continentes abaixo das nuvens, os primeiros relatos conhecidos de fadas surgiram há aproximadamente dois mil anos.

A coincidência com seu desaparecimento de Aetheryon é considerada significativa.

Os relatos concentram-se em:

  • bosques;

  • ruínas;

  • fontes;

  • cavernas;

  • colinas;

  • margens de rios;

  • estradas antigas.

As aparições geralmente envolvem indivíduos isolados ou pequenos grupos.

Não existem registros confiáveis de cidades, comunidades ou grandes concentrações.


Relatos infantis

Crianças são responsáveis por grande parte dos relatos.

Elas descrevem figuras que:

  • aparecem em bosques;

  • oferecem presentes;

  • pedem auxílio;

  • falam em enigmas;

  • desaparecem quando adultos chegam;

  • conhecem nomes que nunca lhes foram ditos.

A repetição desses elementos em regiões distantes chama a atenção dos estudiosos.

Entretanto, crianças também são consideradas testemunhas pouco confiáveis por parte das instituições acadêmicas.

Nenhum relato produziu evidência material amplamente aceita.


Ausência de provas

Até o ano 947 E.A., nenhuma fada se apresentou publicamente às autoridades do mundo aureniano.

Não existem:

  • delegações reconhecidas;

  • tratados;

  • assentamentos confirmados;

  • corpos examinados;

  • registros mágicos incontestáveis;

  • objetos cuja origem feérica tenha sido comprovada.

Supostas evidências normalmente desaparecem, perdem suas propriedades ou revelam explicações comuns.

Isso levou parte dos estudiosos a considerar as fadas abaixo das nuvens apenas folclore.

Outros argumentam que um povo capaz de ocultar-se dos elfos por dois mil anos dificilmente seria encontrado por instituições que nem sequer acreditam em sua existência.


Contato evitado

Caso as aparições sejam reais, as fadas parecem evitar deliberadamente o contato formal.

Elas não procuram:

  • Estados;

  • academias;

  • templos;

  • governos;

  • guildas.

Seus contatos aparentes ocorrem com:

  • crianças;

  • pessoas perdidas;

  • viajantes;

  • habitantes isolados;

  • indivíduos em situações de perigo.

Não se sabe se isso representa cautela, estratégia, tradição ou incapacidade de aparecer diante de grandes grupos.


Mouras

As mouras são frequentemente descritas como um povo distinto das fadas. Essa classificação é incompleta: mouras e fadas pertencem à mesma espécie, mas moura designa uma condição feérica capaz de produzir mudanças mágicas e físicas, além das culturas formadas por quem a compartilha.

Toda fada pode tornar-se moura, e toda moura pode voltar a ser fada. Não existe, porém, um único ritual ou causa universal conhecida. A transformação pode estar relacionada a perda, exílio, adaptação, juramentos, lugares, nomes ou acontecimentos mágicos profundos. Ela não significa corrupção moral.

A condição também é hereditária. Uma criança nascida de uma moura nasce moura, enquanto uma criança nascida de uma fada nasce fada. O nascimento não torna o estado permanente: a possibilidade de transformação permanece nas gerações seguintes.

As culturas mouras conhecidas são normalmente ligadas a:

  • pedras;

  • fontes;

  • cavernas;

  • colinas;

  • ruínas;

  • passagens subterrâneas;

  • antigos caminhos.

Condição e cultura não são sinônimos. Uma fada que se torna moura não recebe automaticamente todas as tradições de uma comunidade moura, e uma moura criada longe dessas comunidades pode conhecer pouco sobre elas. Ainda assim, séculos de experiências compartilhadas transformaram a condição num pertencimento cultural profundo.


Origem do termo

A origem da palavra moura é incerta.

Alguns estudiosos acreditam que derive de um termo antigo para:

  • oculto;

  • escuro;

  • fechado;

  • sepultado;

  • guardado.

Outros defendem que o nome surgiu entre povos abaixo das nuvens e depois foi aplicado retroativamente a registros de Aetheryon.

Em determinados relatos antigos, expressões semelhantes aparecem associadas a fadas que viviam em construções de pedra, cavernas ou colinas.


Cultura moura

As informações sobre a cultura moura são fragmentárias.

Registros e lendas associam as mouras a:

  • preservação de lugares antigos;

  • proteção de fontes e cavernas;

  • guarda de objetos;

  • pactos;

  • memória;

  • trabalhos em pedra;

  • passagens entre territórios.

São frequentemente retratadas como mais reservadas que outras fadas.

Também aparecem ligadas a regras rigorosas de:

  • hospitalidade;

  • troca;

  • promessa;

  • reciprocidade.

Essas características podem representar uma tradição real ou apenas a forma como outros povos interpretaram seus encontros.


Aparência moura

Mouras são frequentemente descritas com aparência humanoide. A transformação pode alterar afinidades mágicas, cores, marcas, presença de asas e outros aspectos, mas não produz uma forma única.

Relatos mencionam:

  • cabelos longos;

  • olhos escuros ou dourados;

  • vestimentas antigas;

  • joias;

  • marcas sobre a pele;

  • ausência aparente de asas.

Essas características não são universais.

A ausência de asas pode ser cultural, mágica, resultado da transformação ou apenas da forma assumida durante o contato.

As diferenças observáveis não constituem uma espécie separada. Fadas e mouras permanecem capazes de transitar entre as duas condições.


Mouras e tesouros

Lendas abaixo das nuvens frequentemente associam mouras a tesouros escondidos.

Esses tesouros podem ser:

  • ouro;

  • joias;

  • armas;

  • livros;

  • sementes;

  • nomes;

  • memórias;

  • promessas.

Em muitas narrativas, o objeto guardado possui valor simbólico superior ao material.

A pessoa que tenta tomá-lo pela força é punida.

Aquela que cumpre uma promessa pode recebê-lo.

Isso reforçou a imagem popular de mouras como guardiãs de riquezas subterrâneas.

Mouras célebres

Embora as mouras sejam conhecidas principalmente por lendas locais e relatos fragmentários, duas figuras alcançaram importância muito superior às demais: Ravenna e Morgana.

As tradições históricas tratam ambas como indivíduos distintos. Seus nomes aparecem em períodos, regiões e conjuntos documentais diferentes, e não existe uma associação reconhecida entre elas.

Ravenna

Ravenna é uma das mais antigas mouras mencionadas nas tradições preservadas abaixo das nuvens.

Sua figura aparece em histórias relacionadas a:

  • antigas ruínas;
  • passagens entre territórios;
  • juramentos;
  • conhecimentos proibidos;
  • previsões sobre grandes transformações;
  • encontros com governantes e viajantes.

Os relatos sobre Ravenna são contraditórios. Em alguns, ela surge como guardiã e conselheira; em outros, como manipuladora responsável por conduzir pessoas a destinos que não compreendiam.

Não existe certeza sobre o período exato em que teria vivido. Narrativas separadas por séculos atribuem a ela a mesma aparência, o mesmo nome e comportamentos semelhantes.

Isso levou estudiosos a sugerir que “Ravenna” poderia ser:

  • um título transmitido entre mouras;
  • uma personagem folclórica formada pela união de diferentes indivíduos;
  • uma moura de longevidade extraordinária;
  • um nome utilizado por várias figuras ocultas.

Nenhuma dessas interpretações foi comprovada.

Ravenna é frequentemente descrita como uma moura de grande poder, associada ao conhecimento de caminhos que não aparecem em mapas e a lugares que só poderiam ser alcançados mediante promessas específicas.


Morgana

Morgana é a moura mais importante da história aureniana documentada.

Diferentemente de Ravenna, cuja existência permanece envolta em relatos fragmentários, Morgana participou diretamente dos acontecimentos que levaram à fundação do Reino de Valdória.

Ela acompanhou Auren durante o período das Guerras Aurenianas e foi reconhecida como rainha ao lado dele em 19 de Nevaria de 17 E.A., tornando-se uma das primeiras soberanas de Valdória.

Sua presença na corte exerceu influência sobre:

  • a consolidação do novo reino;
  • os primeiros anos da dinastia;
  • a educação e formação de Malrik;
  • a relação entre a Coroa e antigas forças mágicas;
  • as disputas que antecederam a Guerra de Sucessão.

Em 26 E.A., após o retorno de Fenmael, a verdadeira natureza de Morgana foi revelada. Ela foi acusada de ocultar sua identidade, manipular a corte e utilizar conhecimentos feéricos para interferir na sucessão de Valdória.

Morgana acabou banida.

As versões sobre o episódio divergem profundamente. Algumas tradições descrevem sua expulsão como necessária para salvar o reino. Outras afirmam que as acusações foram ampliadas por adversários políticos e religiosos.

Depois do banimento, seu destino tornou-se desconhecido.


Ravenna e Morgana nas tradições populares

Apesar de serem consideradas figuras distintas, Ravenna e Morgana compartilham diversos elementos nas narrativas:

  • grande conhecimento mágico;
  • associação com profecias;
  • aparições em diferentes épocas;
  • capacidade de ocultar a própria natureza;
  • envolvimento com governantes;
  • desaparecimentos sem confirmação de morte;
  • ligação com caminhos, exílios e terras inacessíveis.

Alguns estudiosos observaram essas semelhanças, mas normalmente as atribuem às características que o folclore costuma associar às mouras.

A hipótese de que ambas possuam alguma relação direta é considerada especulativa e não recebeu aceitação acadêmica.


Legado de Morgana

A atuação de Morgana transformou profundamente a imagem das mouras no mundo aureniano.

Antes dela, eram lembradas principalmente como guardiãs, profetisas e habitantes de lugares antigos. Depois de sua queda, passaram também a ser associadas a:

  • manipulação política;
  • identidades falsas;
  • pactos ocultos;
  • interferência em linhagens;
  • ambição pelo poder.

Grande parte da desconfiança dirigida às mouras deriva menos do que se conhece sobre sua cultura e mais da memória política de Morgana.

Para alguns, ela representa a prova de que as mouras nunca devem ser admitidas nas instituições dos povos mortais.

Para outros, sua história demonstra apenas os perigos de transformar uma única pessoa na representação de toda uma cultura.

Nomes feéricos

Toda fada nasce conhecendo um primeiro nome.

Esse nome não precisa ser ensinado por pais, comunidade ou tradição. Relatos o descrevem como parte natural da criatura, conhecido desde o primeiro instante de consciência.

O nome de nascimento, contudo, não é necessariamente o único que uma fada possuirá.

Ao longo da existência, ela pode ser nomeada por:

  • uma pessoa;
  • outra fada;
  • uma criatura poderosa;
  • uma família;
  • uma comunidade;
  • um reino;
  • gerações inteiras que passam a reconhecê-la por determinado título.

Receber um novo nome pode conceder poder. A transformação depende de quem nomeou, do significado reconhecido e da quantidade de pessoas que passam a utilizar o nome.

Um nome oferecido por uma única voz pode despertar uma qualidade até então inexistente. Quando concedido por uma criatura de enorme poder, pode alterar profundamente a magia e a forma da fada. Quando repetido coletivamente, o nome passa a reunir aquilo que centenas ou milhares de pessoas acreditam sobre sua portadora.

Por isso, títulos populares podem tornar-se mais poderosos do que nomes recebidos de reis ou feiticeiros. O reconhecimento coletivo não depende da intenção da fada nem da exatidão histórica da imagem construída.

Esse poder possui um preço. Quanto mais forte o nome se torna, mais expectativas carrega. Uma fada conhecida durante séculos como guardiã, monstro, rainha ou salvadora pode descobrir que o nome responde às pessoas mesmo quando ela deseja abandoná-lo.

A gratidão provocada por uma nomeação também não representa submissão. Uma fada pode considerar o novo nome o maior presente que já recebeu e ainda assim recusar ordens de quem o concedeu.

As consequências desse princípio são preservadas no conto A Fada que Foi Chamada Três Vezes. Entre as mouras, nomes são tratados como bens capazes de ser guardados, ocultados, herdados ou devolvidos.

Promessas

Fadas, especialmente mouras, são associadas a compromissos verbais.

Relatos afirmam que levam promessas de maneira literal e duradoura.

Uma frase casual pode ser interpretada como:

  • contrato;

  • juramento;

  • autorização;

  • dívida.

Também se afirma que as próprias fadas têm dificuldade ou impossibilidade de quebrar compromissos assumidos voluntariamente.

Não existem provas suficientes para determinar se essa limitação é:

  • mágica;

  • cultural;

  • religiosa;

  • apenas parte do folclore.


Relação com os elfos

Os registros élficos reconhecem comunidades que estudiosos modernos classificariam como mouras.

Elas mantinham relações especialmente fortes com:

  • arquitetos;

  • guardiões;

  • preservadores de arquivos;

  • comunidades próximas de cavernas;

  • instituições responsáveis por lugares antigos.

Algumas fontes afirmam que mouras foram as primeiras fadas a anunciar a peregrinação para Avalon.

Outras dizem que foram as últimas a abandonar Aetheryon.


Fadas e os povos aurenianos

A maioria dos habitantes de Bravória, Dravória e Eirval conhece as fadas por histórias infantis.

Elas são retratadas como:

  • protetoras;

  • enganadoras;

  • brincalhonas;

  • perigosas;

  • generosas;

  • imprevisíveis.

As descrições variam muito.

Em algumas regiões, deixar alimentos para fadas é tradição de hospitalidade.

Em outras, crianças são ensinadas a nunca aceitar presentes ou seguir luzes em bosques.


Fadas e crianças

A recorrência de crianças nos relatos deu origem a diferentes interpretações.

Alguns afirmam que as fadas:

  • confiam mais em crianças;

  • são invisíveis para adultos;

  • aparecem apenas para quem ainda não aprendeu a ignorá-las;

  • procuram indivíduos sem autoridade política.

Outros consideram a explicação mais simples: crianças criam histórias.

Nenhuma posição foi comprovada.


Fadas e changelings

Histórias sobre Changelings são frequentemente associadas às fadas.

Segundo algumas tradições, fadas substituiriam crianças mortais por changelings ou deixariam seus próprios descendentes sob cuidado de outras famílias.

Não existe consenso sobre a veracidade dessas histórias.

Os changelings possuem interpretações próprias para sua origem, e muitos rejeitam a ideia de serem simples instrumentos ou descendentes das fadas.

A relação entre os dois povos ainda precisa ser desenvolvida.


Fadas e elfos fora de Aetheryon

Elfos que chegaram aos continentes abaixo das nuvens demonstraram grande interesse pelos relatos locais.

Para eles, descrições consideradas folclóricas pelos aurenianos possuem semelhanças com tradições antigas de Aetheryon.

Alguns estudiosos élficos acreditam que as fadas vivem ocultas nos continentes inferiores desde seu desaparecimento.

Outros consideram que as aparições representam:

  • ecos mágicos;

  • criaturas diferentes;

  • memórias humanas;

  • fenômenos sem relação direta.

Até o momento, nenhuma expedição élfica conseguiu produzir prova reconhecida de sua presença.


Teorias sobre o desaparecimento

As principais teorias afirmam que as fadas:

  1. partiram para Avalon;

  2. desceram aos continentes abaixo das nuvens;

  3. retornaram à Terra das Fadas;

  4. dividiram-se entre diferentes destinos;

  5. ocultaram-se dentro do próprio mundo;

  6. sofreram alguma transformação coletiva.

A coincidência entre o desaparecimento e o início das aparições abaixo das nuvens fortalece a segunda hipótese.

Ainda assim, não prova que todos tenham seguido o mesmo caminho.


Situação atual

No ano 947 E.A., a existência histórica das fadas em Aetheryon é incontestável.

Sua presença atual abaixo das nuvens permanece sem comprovação aceita.

Em Aetheryon, são lembradas por meio de:

  • documentos;

  • ruínas;

  • arte;

  • juramentos antigos;

  • lugares abandonados;

  • profecias.

No mundo aureniano, pertencem principalmente ao folclore.

Essa diferença pode resultar apenas da ausência de contato formal.

Caso as histórias sejam verdadeiras, as fadas vivem há dois mil anos entre povos que as consideram imaginárias.

As mouras fazem parte desse mesmo mistério. Não são outra espécie nem uma forma corrompida das fadas, mas integrantes do mesmo povo transformadas por uma condição feérica ao redor da qual surgiram culturas próprias.

As fadas anunciaram a queda de Aetheryon, abandonaram a ilha e partiram em direção a Avalon.

Desde então, permaneceram em silêncio.

O que ninguém sabe é se esse silêncio significa ausência — ou apenas escolha.