Selis é a lua branca ou prateada de Basiris e uma das três fadas celestes atualmente visíveis no céu.

Seu ciclo de vinte e cinco dias é o mais curto entre as luas conhecidas. Por mudar rapidamente e retornar com frequência às mesmas fases, Selis tornou-se referência para viajantes, observatórios, curadores e tradições ligadas à memória.

Antigos poemas descrevem sua luz como clara, fria e difícil de esconder.

“Doran pergunta quanto tempo falta. Selis pergunta o que você fez com o tempo recebido.”


Informações gerais

Natureza: fada celestial
Manifestação visível: lua branca ou prateada
Duração do ciclo: 25 dias
Deslocamento no calendário valdoriano: 1 dia
Deslocamento no calendário élfico: 12 dias
Associações tradicionais: memória, clareza, vigilância, orientação e reconhecimento
Relação com Titania: recebe e devolve sua luz
Celebração conjunta com Doran: Festival da Noite Iluminada e Ápice das Fadas


Natureza celestial

Nenhum povo conhecido alcançou Selis. Tradições feéricas afirmam que a fada habita a Terra das Fadas e que a lua prateada é sua manifestação no mundo material. Outras escolas consideram o astro seu corpo verdadeiro ou um domínio físico governado por ela.

A regularidade do ciclo não resolve a questão. Em Basiris, a capacidade de prever os movimentos de uma fada celestial não é considerada prova de que ela não possua vontade.


Aparência

Selis é normalmente observada como um disco branco, prateado ou levemente azulado. Sua luminosidade varia conforme a fase, as condições do céu e a região de observação.

Representações artísticas costumam mostrá-la como:

  • uma mulher envolta em véus claros;
  • um olho prateado;
  • uma caçadora carregando um espelho;
  • uma viajante de cabelos brancos;
  • uma figura com asas semelhantes a vidro ou gelo.

Nenhuma dessas formas é considerada definitiva. Assim como ocorre com Titania e Doran, não se sabe se o astro corresponde ao corpo verdadeiro da fada ou à manifestação de algo maior.


O ciclo de vinte e cinco dias

Selis percorre todas as fases em vinte e cinco dias. Como esse número não pode ser dividido igualmente entre as oito fases convencionais, sua aparência muda de maneira contínua, e os limites utilizados por calendários são aproximações.

Seu ciclo relativamente curto tornou-a útil para:

  • contagens de viagens;
  • intervalos de vigília;
  • registros médicos;
  • observação de marés;
  • organização de mercados periódicos;
  • ritos de lembrança.

No calendário valdoriano, Selis avança um dia de fase quando uma mesma data retorna no ano seguinte. Observatórios utilizam esse deslocamento para conferir a autenticidade de relatos antigos que mencionam a posição da lua.

Os detalhes matemáticos encontram-se em Sobre as luas de Basiris.


Luz prateada

Segundo a tradição, Selis não produz luz própria. Seu brilho é a luz de Titania devolvida ao mundo durante a noite.

Poetas afirmam que Selis recorda com precisão aquilo que o Sol viu durante o dia. Por isso, sua claridade é associada a:

  • lembranças que retornam;
  • segredos difíceis de sustentar;
  • rastros revelados;
  • sonhos sobre acontecimentos passados;
  • reconhecimento de rostos e nomes.

Algumas escolas mágicas realizam trabalhos de investigação ou recuperação de memória durante sua fase cheia. Não existe consenso acadêmico sobre a eficácia dessas práticas.


A passagem de Selis é utilizada por navegadores como referência noturna, embora sua posição exata dependa de fatores que os simples ciclos de fase não registram.

Guardas e viajantes associam a lua à vigilância. Em diferentes regiões, turnos noturnos recebem nomes equivalentes a “primeira atenção de Selis” ou “último olhar de Selis”.

Objetos prateados, espelhos e recipientes de água são deixados sob sua luz em ritos destinados a revelar alterações, venenos ou encantamentos. A maior parte desses costumes pertence à tradição popular, não a procedimentos mágicos comprovados.


Selis e os nomes

Entre algumas comunidades feéricas, Selis é considerada testemunha de nomes que precisam ser lembrados.

Listas de mortos, desaparecidos ou exilados podem ser lidas sob sua fase cheia. A intenção não é pedir que a lua intervenha, mas impedir que a pessoa desapareça da memória coletiva.

Há histórias nas quais Selis conhece todos os nomes pronunciados à noite. Outras afirmam exatamente o contrário: ela consegue lembrar tudo, exceto aquilo que deliberadamente ajudou o mundo a esquecer.

Essa contradição tornou-se central nas narrativas relacionadas à lua perdida.


Relação com Doran

Doran percorre um ciclo de trinta e três dias, mais longo que o de Selis. Como resultado, as duas luas aproximam-se das mesmas combinações de fase segundo um padrão de 825 dias.

Tradições populares descrevem Selis como mais rápida e Doran como mais paciente. Em histórias infantis, Selis costuma perceber mudanças primeiro, enquanto Doran demora a agir, mas sustenta decisões por mais tempo.

Essas personalidades não podem ser verificadas pela observação astronômica. Ainda assim, influenciam canções, calendários e interpretações de presságios.

Quando ambas alcançam simultaneamente o ápice da lua cheia, sua luz combinada produz uma das noites mais claras do calendário.


A tradição da lua perdida

Na versão mais difundida de A Lua que Titania Deixou de Ver, Selis foi a primeira a sentir ciúme da proximidade entre Titania e uma terceira lua.

Ela teria procurado Doran e iniciado a intriga que levou o Sol a rejeitar a companheira. Quando a lua enfraquecida pediu que confessassem, Selis respondeu que Titania jamais a conhecera verdadeiramente se acreditara tão depressa numa mentira.

Outras tradições modificam profundamente esse papel. Algumas apresentam Selis tentando impedir Doran; outras afirmam que ambas foram enganadas por uma quinta criatura; e versões religiosas tratam toda a narrativa como alegoria sobre arrogância e memória.

Não existe prova histórica de que Selis tenha agido segundo qualquer dessas histórias.

O detalhe mais perturbador das versões antigas é que, quando a lua começou a cair e perguntou como se chamava, Selis não conseguiu responder.


Interpretações religiosas

Selis pode ser tratada como divindade, santa, ancestral feérica ou simplesmente corpo celeste, conforme a cultura.

Práticas associadas a ela incluem:

  • vigílias por desaparecidos;
  • leitura de nomes dos mortos;
  • lavagem ritual de espelhos;
  • juramentos de testemunho;
  • início de investigações;
  • proteção de viajantes noturnos.

Em algumas regiões, mentir deliberadamente sob a lua cheia de Selis é considerado convite para que a verdade retorne de maneira destrutiva.


Nomes e títulos

Não se sabe se Selis é seu nome de nascimento. É, contudo, o nome utilizado de forma mais ampla por elfos e povos abaixo das nuvens.

Seus títulos incluem:

  • Senhora de Prata;
  • Memória da Noite;
  • Olho que Retorna;
  • Guardiã dos Nomes Lidos;
  • A Primeira a Perceber;
  • Testemunha das Águas.

O último título é comum entre navegadores e comunidades costeiras.


Selis na atualidade

Em 947 E.A., o ciclo de Selis permanece regular e bem documentado. Seus ápices, conjunções de fase e relação com Doran são registrados pelos calendários valdoriano e élfico.

O restabelecimento do contato com Aetheryon aumentou o interesse por tradições anteriores ao desaparecimento das fadas. Fragmentos que mencionam uma terceira lua são estudados em Ithariel e Syltharion, mas nenhum deles preserva um nome reconhecido para a figura perdida.

Para os observatórios, Selis é previsível. Para os poetas, permanece a criatura capaz de lembrar o mundo inteiro e ainda assim carregar um único esquecimento no centro de sua luz.