As Luas de Basiris

O céu de Basiris possui atualmente duas luas visíveis: Selis e Doran. Ambas são reconhecidas pelas tradições mais antigas como fadas celestes, assim como o Sol, Titania.

Astrônomos, navegadores e responsáveis por calendários estudam seus movimentos como ciclos regulares. Sacerdotes e poetas, por sua vez, costumam interpretar esses mesmos ciclos como gestos, aproximações e afastamentos entre criaturas vivas. Em Basiris, as duas leituras não são consideradas necessariamente incompatíveis: medir uma fada não significa negar que ela possua vontade.

Nenhum povo conhecido alcançou Selis ou Doran. Tradições feéricas afirmam que ambas habitam a Terra das Fadas e que as luas observadas no céu são manifestações extraplanares. Outras escolas tratam fada e astro como um único corpo ou acreditam que as duas governem estruturas celestes materiais. Nenhuma interpretação foi comprovada.

Selis e Doran

LuaAparência predominanteDuração do cicloDeslocamento valdorianoDeslocamento élfico
SelisBranca ou prateada25 dias1 dia12 dias
DoranDourada33 dias2 dias4 dias

A duração do ciclo indica o tempo necessário para que uma lua percorra todas as suas fases e retorne à mesma fase observada no início da contagem.

O deslocamento não acrescenta dias ao ciclo. Trata-se apenas do valor utilizado por cada calendário astronômico para estabelecer em qual ponto da fase uma lua se encontrava no começo de sua respectiva cronologia.

Os calendários élfico e valdoriano utilizam números diferentes porque suas eras começam com 146461 anos de diferença. Como ambos possuem 401 dias por ano, os deslocamentos de 12 e 4 dias no calendário élfico representam exatamente as mesmas fases indicadas pelos deslocamentos de 1 e 2 dias no calendário valdoriano. Assim, datas equivalentes nos dois sistemas apresentam o mesmo céu.

Depois de estabelecido o ponto inicial, os ciclos repetem-se continuamente, inclusive através da passagem de um ano para o seguinte.

As fases lunares

Os observatórios costumam dividir cada ciclo em oito fases principais:

  1. lua nova;
  2. crescente;
  3. quarto crescente;
  4. gibosa crescente;
  5. lua cheia;
  6. gibosa minguante;
  7. quarto minguante;
  8. minguante.

Esses nomes descrevem intervalos, não apenas instantes isolados. Registros mais precisos podem subdividir a aproximação e o afastamento de cada fase, especialmente em almanaques náuticos ou estudos dedicados às marés.

Como 25 e 33 não são divisíveis igualmente em oito partes inteiras, uma fase principal não ocupa sempre uma quantidade exata de dias. A aparência muda de maneira contínua; a divisão em oito fases é uma convenção usada para tornar a observação mais simples.

Relação com o ano

Tanto o ano élfico quanto o valdoriano possuem 401 dias. Isso produz relações diferentes entre o ano e cada uma das luas.

Selis completa dezesseis ciclos inteiros em quatrocentos dias. Resta um dia ao término do ano, de modo que, na mesma data do ano seguinte, Selis estará um dia mais adiantada em seu ciclo.

Doran completa doze ciclos inteiros em trezentos e noventa e seis dias. Restam cinco dias ao término do ano, de modo que, na mesma data do ano seguinte, Doran estará cinco dias mais adiantada em seu ciclo.

Por essa razão, nenhuma data anual permanece associada para sempre à mesma combinação de fases. Um festival que ocorra sob as duas luas cheias em um ano pode apresentar um céu completamente diferente quando celebrado no ano seguinte.

O retorno conjunto

Selis e Doran retornam exatamente à mesma relação de fases a cada 825 dias.

Esse período corresponde ao primeiro múltiplo comum entre os ciclos de 25 e 33 dias. No calendário valdoriano, equivale a dois anos e vinte e três dias.

O retorno conjunto não significa necessariamente que as duas luas estejam cheias. Ele apenas indica que ambas recuperaram simultaneamente as mesmas fases que possuíam no início de qualquer intervalo de 825 dias. Se a contagem começar durante uma lua nova de Selis e uma crescente de Doran, essa mesma combinação voltará a ocorrer 825 dias depois.

Almanaques de longa duração utilizam esses retornos para conferir registros antigos, comparar relatos de viagens e identificar erros em cópias de documentos históricos.

Quando o retorno conjunto coincide com o ápice da fase cheia das duas luas, ocorre a dupla lua cheia. Esse acontecimento é celebrado como o Festival da Noite Iluminada nas terras abaixo e como o Ápice das Fadas em Aetheryon. Assim como qualquer outra combinação exata, repete-se a cada 825 dias.

O Ápice das Fadas é documentado desde 3.548 E.E. Alguns registros anteriores descrevem uma versão mais rara do festival, realizada apenas quando três luas alcançavam juntas a iluminação máxima. Como o ciclo da lua perdida não foi preservado, essas ocorrências antigas não podem ser reconstruídas com segurança.

Luz, marés e tradição

Segundo as tradições mais antigas, Selis e Doran não produzem a própria luz. Seu brilho seria a luz de Titania devolvida ao mundo durante a noite — ou, nas palavras de antigos poemas élficos, a lembrança do olhar do Sol.

A passagem das luas é relacionada às marés, à navegação noturna e a diferentes práticas religiosas. Certas tradições também associam suas fases a sonhos, nascimentos, transformações feéricas e trabalhos de magia. A intensidade e a interpretação dessas influências variam entre povos e escolas de estudo; a duração dos ciclos, contudo, é aceita de forma ampla pelos observatórios que utilizam o calendário valdoriano.

Os ciclos de fase, por si sós, não determinam horários de nascimento ou ocaso, posição sobre o horizonte, eclipses ou condições de visibilidade. Tais fenômenos exigem registros locais e podem variar conforme latitude, estação, relevo e interferências mágicas.

A tradição da terceira lua

Diversas tradições de Aetheryon afirmam que o céu de Basiris já possuiu uma terceira lua. Seu nome teria sido perdido depois que ela deixou de receber a luz de Titania, diminuiu ao longo dos séculos e finalmente caiu em algum ponto da ilha-continente suspensa.

Os relatos discordam sobre a natureza da criatura que teria surgido no local da queda. Algumas versões falam da primeira Moura; outras, de uma descendente, sombra ou memória da lua desaparecida. Nenhuma identificação é aceita como fato histórico pelos estudiosos.

A versão literária mais conhecida dessa tradição foi preservada no conto A Lua que Titania Deixou de Ver.

O calendário atual registra apenas Selis e Doran. Não existe ciclo confiável atribuído à lua perdida, e tentativas de reconstruí-lo a partir de poemas antigos produziram resultados contraditórios.