Origem

Pouco se sabe sobre a origem de Fenmael.

Sua primeira aparição em qualquer registro histórico confiável ocorre no momento em que o jovem Auren retira a espada Alvor da pedra, às margens do Lago Do Destino. Segundo todos os relatos conhecidos, uma figura de orelhas pontudas emergiu do interior da espada e declarou que o destino do garoto havia sido selado.

A identidade desse homem jamais foi esclarecida.

O próprio Fenmael nunca registrou sua infância, família ou povo de origem. Também evitava responder perguntas sobre seu passado, limitando-se, quando questionado, a dizer que havia vindo “de muito longe”.

Durante séculos, estudiosos assumiram que Fenmael fosse apenas um poderoso mago humano. Após o restabelecimento do contato entre os povos abaixo das nuvens e Aetheryon, essa hipótese passou a ser contestada, já que sua aparência coincide com a dos elfos. Ainda assim, nenhuma evidência definitiva sobre sua origem jamais foi encontrada.

Como consequência, Fenmael permanece uma das figuras mais enigmáticas de toda a história de Basiris.

O Mentor de Auren

Logo após retirar Alvor da pedra, Auren foi levado por Fenmael para um treinamento cujo conteúdo jamais foi registrado.

Os dois desapareceram por aproximadamente dez anos.

Nenhum documento conhecido descreve onde estiveram durante esse período ou quais ensinamentos foram transmitidos ao futuro rei. Quando regressaram, entretanto, Auren já era reconhecido como um guerreiro e líder excepcional, completamente convencido de que seu destino era unir Teramar sob um único reino.

Segundo diferentes cronistas, foi Fenmael quem apresentou ao jovem não apenas técnicas de combate e magia, mas também conhecimentos sobre administração, diplomacia, engenharia, agricultura e estratégia militar.

Embora seja impossível determinar o quanto dessas tradições corresponde à realidade, poucos historiadores contestam que a influência de Fenmael foi decisiva para a formação daquele que se tornaria o primeiro rei de Valdória.

Conselheiro do Reino

Durante as Guerras Aurenianas, Fenmael atuou como principal conselheiro de Auren.

Apesar de raramente participar diretamente dos combates, diversos relatos atribuem a ele importantes decisões estratégicas tomadas durante a unificação de Teramar. Também teria sido responsável por escolher o local onde seria fundada Valdória, além de conduzir a cerimônia que coroou Auren como primeiro rei do continente unificado.

Os cronistas frequentemente descrevem Fenmael como um homem reservado e de poucas palavras. Diferentemente da maioria dos conselheiros da corte, pouco demonstrava interesse por títulos, riquezas ou influência política, preferindo permanecer nos bastidores das decisões do reino.

Mesmo entre os membros da Távola de Valdória, poucos afirmavam conhecê-lo verdadeiramente.

O Conflito com Morgana

Os registros históricos indicam que Fenmael foi a única figura da corte que jamais confiou plenamente em Morgana.

As razões dessa desconfiança nunca foram explicadas.

Embora Auren tenha ignorado suas reservas durante anos, Fenmael continuou observando a rainha até concluir que sua verdadeira natureza não era humana.

Foi ele quem, em uma audiência diante da corte, revelou que Morgana era uma Moura, episódio que culminou em seu exílio de Valdória.

Anos depois, Fenmael também alertaria sobre os perigos representados pela lança sagrada Gênese, afirmando que tamanho poder jamais deveria ser canalizado por um mortal.

Seu aviso seria ignorado.

A Queda de Valdória

Durante a Guerra de Sucessão Valdoriana, Fenmael permaneceu ao lado de Auren, embora os registros indiquem que sua participação tornou-se cada vez mais discreta à medida que o conflito avançava.

Diversos cronistas afirmam que o mago compreendeu, antes de qualquer outro, que a guerra caminhava para um desfecho inevitável.

Na véspera da Batalha do Patricídio, teria tentado convencer Auren a abandonar o campo de batalha. O conteúdo dessa conversa nunca foi registrado.

No ano seguinte à morte de Auren, Fenmael desapareceu.

Nenhum documento confiável descreve para onde foi.

Legado

Mesmo após mais de novecentos anos, Fenmael continua sendo uma das figuras mais debatidas da historiografia de Basiris.

Para alguns estudiosos, foi apenas um extraordinário mago que orientou o maior rei da humanidade.

Para outros, era alguém muito mais antigo, cuja verdadeira identidade perdeu-se muito antes da fundação de Valdória.

Seu desaparecimento deu origem a inúmeras lendas. Algumas afirmam que morreu pouco tempo após Auren. Outras defendem que simplesmente retomou a jornada que havia interrompido ao encontrar o jovem rei. Há ainda quem acredite que Fenmael continue vivo, observando discretamente os acontecimentos do mundo.

Nenhuma dessas hipóteses pôde ser comprovada.

Independentemente de sua origem, poucas figuras exerceram influência tão profunda sobre a história sem jamais ocupar um trono ou comandar um exército. A unificação de Teramar, a fundação de Valdória e, por consequência, toda a configuração política moderna de Bravória e Dravória dificilmente poderiam ser compreendidas sem sua atuação.