Morgana
Morgana foi uma Moura, uma das primeiras rainhas do Reino de Valdória, mãe de Malrik e uma das principais responsáveis pela facção rebelde durante a Guerra de Sucessão. Sua verdadeira origem, o alcance de sua magia e seu destino após a Batalha do Patricídio permanecem desconhecidos.
Ao longo dos séculos, diferentes povos atribuíram-lhe nomes e títulos que jamais fizeram parte de sua dignidade oficial. Os mais difundidos são A Rainha do Inverno e A Rainha da Ruptura. Ambos se tornaram tão reconhecidos nas tradições populares que muitas histórias deixam de utilizar o nome Morgana por completo.
Nomes e títulos
- Morgana: nome pelo qual aparece nos registros de Teramar e Valdória. Não se sabe se era seu nome de nascimento ou um nome adotado antes de aproximar-se de Auren.
- Rainha de Valdória: título oficial adquirido por seu casamento com Auren. Deixou de ser reconhecido pela maior parte da documentação real após seu exílio.
- Rainha Feiticeira: epíteto inicialmente admirativo, utilizado durante os primeiros anos do reino. Depois da guerra, adquiriu conotação de suspeita e temor.
- A Rainha do Inverno: nome popular presente em canções, histórias infantis e tradições sobre o retorno de Morgana. Sua origem é incerta. Algumas versões o associam ao frio de seu exílio; outras, a antigos relatos de invernos sobrenaturais que a acompanhariam.
- A Rainha da Ruptura: título surgido após a destruição de Valdória e a divisão de Teramar. É especialmente comum em Bravória e Dravória, onde Morgana é lembrada como a força que rompeu uma família, um reino e, por fim, um continente.
- Ravenna: nome pelo qual uma Moura de trajetória semelhante é conhecida em Aetheryon. A identidade entre Ravenna e Morgana é considerada provável por parte dos estudiosos modernos, mas permanece sem comprovação definitiva.
Nenhum documento contemporâneo registra Morgana utilizando os títulos de Rainha do Inverno ou Rainha da Ruptura para se descrever. Ambos foram concedidos posteriormente pela memória coletiva dos povos afetados por sua história.
Infância
Pouco se sabe sobre a origem de Morgana. Sua primeira aparição em registros confiáveis já ocorre quando adulta, vivendo nos arredores do Lago Do Destino, onde era conhecida como uma poderosa feiticeira.
Segundo a própria Morgana, ela nascera naquela região e conhecia Auren desde a infância. Em diferentes ocasiões afirmaria ter presenciado, ainda menina, o momento em que o jovem retirou Alvor da pedra.
O próprio Auren confirmava recordar-se dela desde criança.
Entretanto, esse relato apresenta uma curiosa inconsistência histórica.
Nenhum outro morador de Limpio, nem mesmo pessoas que viveram toda a vida na região, jamais mencionou Morgana antes de sua vida adulta. O mesmo vale para seu irmão Eleopor, cuja existência também não aparece em qualquer registro anterior.
Curiosamente, as primeiras referências a ambos surgem praticamente ao mesmo tempo, como se tivessem chegado juntos à região poucos anos antes das Guerras Aurenianas.
Historiadores modernos divergem sobre a explicação desse fenômeno. Alguns acreditam que os habitantes simplesmente esqueceram duas crianças comuns. Outros defendem que a própria Morgana utilizou magia para alterar lembranças muito antes dos acontecimentos que levariam à queda de Valdória.
Nenhuma hipótese jamais pôde ser comprovada.
As Guerras Aurenianas
Quando Auren retornou de seu treinamento ao lado de Fenmael, Morgana aproximou-se novamente do futuro rei.
Descrita pelos cronistas como uma feiticeira de enorme talento, rapidamente conquistou espaço entre aqueles que auxiliavam Auren nas Guerras Aurenianas. Mesmo diante das constantes reservas de Fenmael, o futuro rei passou a confiar em seus conselhos, incorporando-a ao núcleo que posteriormente seria conhecido como a Távola de Valdória.
Além de seu domínio da magia, Morgana demonstrava grande habilidade em compreender pessoas e antecipar movimentos políticos, tornando-se uma das principais conselheiras de Auren durante as campanhas de unificação.
Embora Morgana ocupasse posição de destaque entre os aliados de Auren, seu irmão Eleopor permaneceu distante dos campos de batalha. Os registros da época o descrevem administrando propriedades, organizando suprimentos e representando a irmã em assuntos menores da corte, funções que lhe renderam pouca notoriedade, mas o mantiveram constantemente próximo do núcleo de poder do futuro reino.
As razões da desconfiança de Fenmael nunca foram registradas de forma clara. Fontes posteriores afirmam que ele já conhecia a verdadeira natureza de Morgana desde o primeiro encontro entre ambos, enquanto outros autores defendem que o mago apenas desconfiava de sua origem.
Rainha de Valdória
Após a unificação de Teramar e a fundação de Valdória, Morgana tornou-se rainha ao casar-se com Auren.
No ano seguinte, em 17 E.A., nasceu Malrik, primeiro filho do casal e herdeiro do novo reino.
Os registros da corte descrevem Morgana como uma rainha extremamente ativa nos assuntos políticos. Diferentemente de Guinevere, que posteriormente ficaria conhecida pela atuação diplomática, Morgana exercia sua influência principalmente nos bastidores.
Diversos decretos atribuídos ao início do reinado de Auren beneficiavam diretamente pessoas próximas à rainha, especialmente seu irmão Eleopor. Também foi durante esse período que tiveram início os grandes plantios das Árvores de Sonho na Mata do Destino, decisão que já despertava estranheza entre parte da população por sua associação com antigas lendas sobre Mouras.
Apesar disso, nenhum documento da época sugere que Auren tenha desconfiado da esposa.
Durante esse período, a popularidade de Morgana entre o povo era elevada. Diversos relatos contemporâneos descrevem a rainha visitando plantações, ouvindo súditos e patrocinando estudiosos da magia. A imagem da “Rainha Feiticeira” possuía, à época, uma conotação muito mais admirativa do que assustadora.
A Queda da Rainha
As suspeitas sobre Morgana cresceram após o nascimento de Malrik.
Cronistas afirmam que o príncipe apresentava um desenvolvimento incomum para uma criança humana, fato que levou Fenmael a investigar a rainha.
O resultado dessa investigação tornou-se um dos episódios mais marcantes da história de Valdória.
Em uma audiência pública, Fenmael declarou que Morgana não era humana, mas uma Moura.
A partir daquele dia, a imagem da rainha começou a ser rapidamente apagada da memória oficial do reino. Brasões foram substituídos, retratos removidos e inúmeros documentos passaram a referir-se a ela apenas como “a Moura”.
As Mouras já eram conhecidas pelas antigas histórias como fadas banidas do Paraíso por sua natureza traiçoeira. Embora não existisse qualquer lei proibindo sua presença entre humanos, a ideia de que a rainha do maior reino do continente pertencia a esse povo mostrou-se politicamente insustentável.
Morgana foi exilada da corte.
Auren, entretanto, recusou-se a declarar Malrik ilegítimo, decisão que moldaria os acontecimentos das décadas seguintes.
A Guerra de Sucessão
Após seu exílio, Morgana desapareceu durante alguns anos.
Seu retorno coincidiu com o início da ruptura entre Auren e Malrik.
As fontes divergem sobre o grau de influência que exerceu sobre o filho. Enquanto alguns cronistas sustentam que ela apenas alimentou inseguranças já existentes, outros afirmam que Malrik jamais teria iniciado a guerra sem a influência constante da armadura encantada construída por ela anos antes.
É consenso, contudo, que Morgana assumiu a liderança estratégica da facção rebelde.
Utilizando ilusões em escala jamais vista, conseguiu confundir cidades inteiras, provocar deserções e alimentar rumores que fizeram numerosos senhores abandonarem sua fidelidade ao rei.
Ao contrário de Auren, Morgana raramente era vista liderando tropas em campo. Sua influência manifestava-se por meio de mensageiros, espiões, ilusões e intrigas. Muitos cronistas passaram a atribuir a ela a frase de que “uma cidade convencida vale mais do que uma cidade conquistada”, embora não exista qualquer registro contemporâneo que confirme essa autoria.
Foi também durante esse período que Eleopor, disfarçado sob a identidade de Rowan, infiltrou-se em Valdória e roubou a lança sagrada Gênese, entregando-a a Malrik.
Ao longo de toda a história de Valdória, nenhuma fonte registra qualquer divergência pública entre Morgana e Eleopor. Mesmo nos momentos mais críticos da guerra civil, ambos parecem ter agido de forma perfeitamente coordenada, circunstância que levou alguns historiadores a descrever sua relação como uma das alianças políticas mais sólidas de toda a Era Aureniana.
A partir desse momento, o destino do continente tornou-se irreversível.
O Desaparecimento
Após a Batalha do Patricídio, Morgana desapareceu.
Nenhum relato confiável descreve seu paradeiro depois da morte de Auren.
Segundo a tradição popular de Bravória e Dravória, foi ela quem condenou o continente ao dividir Teramar e destruir o Reino de Valdória. Nessas regiões, seu nome tornou-se sinônimo de traição, sendo comum que pais utilizem histórias sobre Morgana para assustar crianças desobedientes.
Em Aetheryon, entretanto, a figura conhecida como Ravenna ocupa papel semelhante nas antigas tradições élficas. Embora os registros humanos tratem ambas como personagens distintas, diversos estudiosos modernos consideram extremamente provável que Ravenna e Morgana sejam a mesma Moura.
Como as Mouras não envelhecem, muitos acreditam que Morgana continua viva.
Diversos relatos afirmam tê-la visto ao longo dos séculos em Dravória, Bravória e até em terras muito além dos continentes conhecidos.
Nenhum desses relatos jamais foi comprovado.
A ausência de um corpo e a natureza imortal atribuída às Mouras fizeram surgir inúmeras teorias ao longo dos séculos. Para alguns estudiosos, Morgana vive escondida aguardando o momento de retornar. Outros defendem que ela abandonou completamente os povos abaixo das nuvens e regressou ao antigo Paraíso das Fadas. Nenhuma dessas hipóteses possui evidências conclusivas.
Legado
Poucas figuras históricas exerceram influência tão duradoura sobre o imaginário popular quanto Morgana.
Em Bravória e Dravória, seu nome tornou-se sinônimo de manipulação e traição. Expressões como “conselho de Morgana” ou “palavras de Moura” são utilizadas até os dias atuais para descrever promessas consideradas enganosas. Histórias infantis frequentemente a retratam como uma feiticeira que seduz reis e destrói reinos.
Nessas mesmas regiões, A Rainha da Ruptura é o título mais empregado em discursos históricos, religiosos e políticos que atribuem a Morgana responsabilidade pela queda de Valdória. A Rainha do Inverno aparece com maior frequência no folclore, sobretudo em histórias sobre seu desaparecimento, sua imortalidade e um possível retorno.
Já em Aetheryon, estudiosos identificam fortes paralelos entre Morgana e a lendária Moura Ravenna, inimiga do antigo rei élfico. Embora a identidade entre ambas jamais tenha sido oficialmente comprovada, a hipótese é amplamente aceita no meio acadêmico.
Curiosamente, nenhum retrato contemporâneo de Morgana sobreviveu de forma incontestável. As representações existentes foram produzidas séculos após sua morte presumida, fazendo com que sua verdadeira aparência permaneça desconhecida.